sábado, 29 de novembro de 2008

Ao sábado: momento quase filosófico

«Dimitri: Se o Atlas contém o mundo, o que contém o Atlas?
Tasso: O Atlas está nas costas de uma tartaruga.
Dimitri: Mas onde está a tartaruga?
Tasso: Noutra tartaruga.
Dimitri: E onde está essa tartaruga?
Tasso: Meu caro Dimitri, são tartarugas até ao fundo!
Este excerto de um diálogo grego antigo ilustra na perfeição a noção filosófica da regressão infinita, um conceito que surge quando perguntamos se existe uma Primeira Causa – da vida, do universo, do tempo e espaço, e, mais importante, de um Criador. Alguma coisa deve ter criado o Criador, por isso o bode – ou tartaruga – causal não pode parar com ele. Ou com o Criador que o antecedeu. Ou com o que veio antes do segundo. São criadores até ao fundo – ou até ao cimo, se parecer essa a direcção certa para perseguir Criadores.

Se o leitor achar que a regressão infinita não o leva a lado algum, rapidamente, poderá ter em consideração a doutrina do creatio ex nihilo – criação a partir do nada – ou como John Lennon afirma num contexto ligeiramente diferente: “Antes de Elvis, não havia nada.”»


Thomas Cathcart, Daniel Klein, Platão e um Ornintorrinco Entram num Bar...