terça-feira, 29 de outubro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Nacos
«Revejo ainda, por cima do seu lenço de pescoço rosa-malva, sedoso e tufado, o doce espanto dos seus olhos, a que juntara, sem se atrever a destiná-lo a ninguém mas que todos pudessem tomar a sua parte dele, um sorriso um pouco tímido de suserana que parece pedir desculpa aos seus vassalos, e que os ama. Esse sorriso recaiu em mim, que não tirava os olhos dela. Então, recordando-me desse olhar que ela deixara deter-se em mim, durante a missa, azul como um raio de sol que tivesse atravessado o vitral de Gilberto, o Moldavo, disse para comigo: "Não há dúvida de que está a dar-me atenção." Eu julguei que lhe agradava, que ela ia tornar a pensar em mim depois de sair da igreja, que por minha causa talvez se pusesse triste ao entardecer em Guermantes. E imediatamente a amei, porque se às vezes pode bastar, para amarmos uma mulher, que ela nos olhe com desprezo, como eu julgava que fizera a menina Swann, e que pensemos que ela nunca nos poderá pertencer, às vezes também pode bastar que ela olhe para nós com bondade, como fazia a senhora de Guermantes, e que pensemos que ela poderá pertencer-nos. Os seus olhos azulavam como uma pervinca impossível de colher e que porém ela me tivesse dedicado; e o Sol, ameaçado por uma nuvem, mas dardejando ainda com toda a sua força sobre a praça e na sacristia, conferia uma carnação de gerânio aos tapetes vermelhos que haviam estendido pelo chão para a solenidade e sobre os quais avançava sorrindo a senhora de Guermantes, e acrescentava à sua lã um aveludado róseo, uma epiderme de luz, aquela espécie de ternura, de grave suavidade na pompa e na alegria que caracterizam certas páginas do Lohengrin, ou certas pinturas de Carpaccio, e que nos fazem compreender que Baudelaire tenha podido aplicar o epíteto delicioso ao som da trombeta.»Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido — Do Lado de Swann, Relógio D'Água.
domingo, 27 de outubro de 2013
Mais um passo
Ontem, em várias cidades do país, foi concretizada mais uma etapa no processo de oposição ao (des)governo de Passos Coelho e foi dado mais um passo na caminhada para o objectivo do seu desmoronamento político.
Em Lisboa, foram muitos milhares aqueles que se manifestaram.
Concentração, no Rossio:
Desfile, pela Rua do Ouro:
Desfile pela Rua do Arsenal:
Manifestação, em frente à Assembleia da República:
Acerca da prova de acesso — a opinião de César Paulo
«No que respeita ao normativo legal [recém] publicado, relativo à prova de acesso à docência, uma vez mais o MEC não surpreende, concebendo um modelo “estranho” e que curiosamente refere [no seu artigo 3º, ponto 3] que “A prova pode ainda integrar uma componente específica relativa ao nível de ensino, área disciplinar ou grupo de recrutamento dos candidatos, conforme consta do anexo I ao presente decreto regulamentar e que dele faz parte integrante”. “ … pode ainda integrar”? Ficamos num limbo entre “integra” ou “não integra”? … Curioso …Sinceramente continuo a considerar que o MEC está a brincar com o fogo, e talvez este momento seja o início da verdadeira implosão do Ministério da Educação e Ciência. Explico. Por um lado qualquer tipo de avaliação exige objetivos e critérios bem circunscritos, coisa que o MEC vai ter de definir num curto espaço de tempo. Por outro lado a equipa tutelar responsável pela conceção das provas terá de conceber um modelo que avaliará talvez os maiores especialistas em avaliação, os Professores.Nesta medida, ou a prova é realmente criteriosa, e por isso justa, ou a bomba irá explodir nas mãos de alguém …Assim sendo, esta prova não poderá ser uma “fachada” e deverá mesmo avaliar - avaliar com base em modelos nacionais e internacionais devidamente estudados e certificados (dando conhecimento de "quais" , "de quem", e com que "fim"). Vamos, finalmente, entender se este modelo de avaliação proposto pelo MEC estará em total articulação com o que sempre foi exigido às instituições formativas de docentes (ensino superior), ou se Nuno Crato resolverá, ao fim de várias décadas, colocar em causa todos os cursos de formação inicial de professores (assim como profissionalizações em serviço, pós-graduações e mestrados, etc.) devidamente tutelados ou certificados, à data, pelo próprio Ministério da Educação. Terei curiosidade, após o conhecimento dos enunciados das provas, de analisar a reação dos Conselhos Científicos de todas estas universidades e institutos politécnicos, e de todos os teóricos da educação e das mais diversas áreas científicas, de renome, que dirigiram todas estas formações.Acho, sinceramente, que a prova vai cair antes de sua realização (por questões de inconstitucionalidade, outro tipo de legalidades, incongruências, …), mas se tal não acontecer “VENHA ELA”, porque teremos então nas mãos mais um “objeto de culto”, para estudo, e parametrização, que potenciará o próprio conhecimento desta equipa ministerial, e quais os seus verdadeiros objetivos (centrais e colaterais) na aplicação deste ”teste à resistência”. Teremos ainda uma prova que provará que os Professores Contratados portugueses são verdadeiros heróis, dominando, sem preparação atempada, e em 120 minutos, todos os milhares de conteúdos que lecionam, em áreas científicas díspares como as atribuídas aos mais variados grupos disciplinares.É caso para dizer: E será que o feitiço não se vai virar contra o feiticeiro?»César Israel Paulo (Presidente da Associação Nacional de Professores Contratados — ANVPC)
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
26 de Outubro
Apoiantes
Texto de apelo
Que se lixe a troika! Não há becos sem saída! É tempo de agir.
Sabemos que o regime de austeridade no qual nos mergulharam não é, nem será, uma solução. Voltamos a afirmar que não aceitamos inevitabilidades. Em democracia elas não existem.
É tempo de escolhas simples. Educação para todos ou só para alguns? Saúde pública ou flagelo? Transporte público ou gueto? Constituição ou memorando da troika? Cultura ou ignorância? Pensões e salários dignos ou miséria permanente?
Nós ou a troika?
Sectores vitais para a nossa sobrevivência estão a ser entregues a banqueiros e especuladores, que os reduzirão à razão do lucro: água, energia, transportes, florestas, comunicações. Querem forçar-nos a abdicar do que construímos: na Saúde, na Educação, nos direitos mais básicos como habitação, alimentação, trabalho e descanso.
A troika e os governos que a servem pretendem deitar fora o sonho de gerações de uma sociedade mais livre e igualitária.
A quem está farto de ver vidas penhoradas e esvaziadas, fazemos o apelo a que se junte a nós na construção da manifestação de 26 de Outubro.
A manifestação será mais um passo determinante na resistência ao governo e à troika!
Não há becos sem saída.
Subscritores (em actualização) - 1007 (25-10-2013)
Ada Pereira da Silva Adão Cruz Adão José Pinto Contreiras Adriana Lopera Adriano Alfredo Teixeira Parreira Adriano Almeida Adriano Campos Afonso Cruz Afonso Moreira Águeda Quintino Albertina Pena Alberto Cruz Alberto Marques Alberto Ricardo Gonçalves Martinho Alcides Santos Alexandra Fonseca e Silva Alexandra Freire Alexandra Martins Alexandra Silvestre Coimbra Alexandre Abreu Alexandre Alves Barata Alexandre Azinheira Alexandre Costa Alexandre Sousa Carvalho Alice Carreiras Alice Mackay D´ Ávila Alice RedShoes Alípio Cristiano de Freitas Alistair Grant Allan Stoleroff Álvaro Almeida Álvaro Faria Amália Andrade Amarílis Felizes Ambra Formenti Ana Ademar Ana Alexandra Graça Gonçalves Ana Alves Ana Amaral Ana Bárbara Pedrosa Ana Bastos Ana Brandão Ana Cabral Couto Lopes Nóvoa Ana Carla Gonçalves Ana Catarina Coelho Verdier Ana Costa Ana Deus Ana Estêvão Ana Estevens Ana Feijão Ana Filipa Oliveira Ana Gaspar Ana Gerschenfeld Ana Gonçalves Ana Isabel Simões Vaz Sarr Ana Júlia Filipe Ana Lúcia Brigeiro Ana Margarida Carvalho Ana Maria da Conceição Gonçalves Ana Maria Pereirinha Ana Maria Reis Picoto Ana Maria Silva Soares Ana Martins Ana Matos Ana Mota Ana Nave Ana Nicolau Ana Paula Amaral Ana Paula Barros Ana Paula da Silva Coelho Ana Paula Miranda Ana Paula Simões de Oliveira Ana Pinto Ana Rajado Ana Rita Conde Dias Ana Rita Subtil Ana Roque Arcângelo Ana Valentim Dias Anabela Coelho Anabela Delgado Anabela Resina Almeida Anabela Silveira Anabela Valagão Valentim André Albuquerque André Albuquerque Matos André Amador André Carmo André Couto André Freire André Lara André Levy André Lourenço e Silva André Pereira André Pestana André von Hafe Leite Andrea Inocêncio Andreia Páscoa Ângela Cerveira Ângela Fernandes Antónia Estrela Antónia Lima Antónia Lisboa António Abreu António Alfredo Poeiras António Avelãs António Baptista Chinita António Borralho Vieira António Capelo António Chora António Costa Santos António Faro António Garcia Pereira António Gil António Gonçalves António Grosso António José da Graça Ferrão António Júlio Ribeiro Fernandes António Louçã António Luís Lopes Antonio Maria de Sousa António Mariano António Marques Revez António Monteiro Cardoso António Olaio António Oliveira Castro António Pavão Nunes António Pedro Vasconcelos António Pinho Vargas Antonio Rodrigues António Subtil António Vidal Armando Herculano Armando Nascimento Rosa Armando Sá Augusta Clara Soares de Matos Augusto de Jesus Rodrigues Áurea Dantas Avelino Mendes Bárbara Marques dos Santos Bárbara Paixão Poeiras Bárbara Rocha Bárbara Veiga Beatriz Ramos de Almeida Belandina Vaz Belén Álvarez Boaventura Sousa Santos Brian J. O'Neill Brigite Bazenga Gonçalves Britta Baumgarten Bruna Natacha Parro Bruno Béu Bruno Brandão da Silva Bruno Braz Bruno Cabral Bruno Carvalho Bruno da Ponte Bruno Diogo Bruno Góis Bruno Gonçalves Bruno J. N. Guerreiro Bruno Mendes Bruno Sacramento Camilo Azevedo Candida Matos Carla Dias Carla M. Cardoso Carla Prino Carla Romualdo Carla Sancho Carla Sousa Carlos A. M. Gouveia Carlos Alberto dos Santos Rosa Carlos Alberto Ribeiro da Silva Carlos Antunes Carlos Barretto Carlos Branco Carlos Camelo Carlos Carujo Carlos Couto Carlos Ermida Santos Carlos Ferreira Carlos Galvão Carlos Guedes Carlos José Teixeira Carlos Luis Figueira Carlos Mendes Carlos Morganho Carlos Pinto Carlos Pratas Carlos Tê Carlos Valentim Ribeiro Carmo Roby Amorim Catarina Aidos Catarina Alves Catarina Amaral Lourenço Catarina Carmelo Catarina Carvalheiro Catarina Correia Catarina de Gouveia Homem Catarina de Sousa Catarina Faustino Leitão Martins Catarina Gorgulho Catarina Peniche Catarina Ramos Cátia Marques Cecília Honório Cecília Sousa Celina Adriano Celme Tavares Cesaltina Eliseu Chiara Pussetti Chullage Clara Cuéllar Clara Joana Vitorino Clara Pinto Clara Queiroz Clarinda Moutinho Cláudia Afonso Cláudia Caetano Cláudia Campos Cláudia Elias Cláudia Figueiredo Cláudia Gomes Batista Cláudia Gouveia Lêdo Cláudia Marques Cláudio Cláudia Silva Conceição Alpiarça Constantino Duarte Gomes de Matos Cristiana Bastos Cristiana Pimenta Cristina Andrade Cristina Braga Cristina Campos Cristina Cavalinhos Cristina Chafirovitch Cristina Coelho Cristina Marinho Mendes Cristina Mendes Cristina Moreno Cristina Paixão Cristina Salvado Cristina Santinho Cristina Semblano Cristina V. Pires Cristina Vilhena Dalila Teixeira Daniel Godinho Daniel Nobre Mendes Daniel Oliveira Daniel Reis Daniel Tavares Daniela Serralha Dario Fonseca David Crisóstomo David Pires Barreira David Tavares Davide José Costa Davide Pinheiro Davide Santos Diana Andringa Diana Costa e Silva Diana Neves Diogo Ferreira Diogo Parreira Diogo Ribeiro de Campos Diogo Varela Silva Dolores de Matos Dora Fonseca Duarte Rodrigues Edite Queiroz Eduarda Ferreira Eduarda Maria Ramos Horta Eduardo Bento Eduardo Marques Eduardo Neves Eduardo Pereira Bártolo Eduardo Velosa Egídio Sousa Perestrelo Eliana Sales Elisa da Silva Alves Elisa Scarpa Elisabete Figueiredo Elísio Estanque Elsa Martins Elsa Sertório Ema Gomes Emília de Jesus Novo Emiliana Silva Érica Postiço Ernestina Carrilho Eugénia Santa Bárbara Eugénia Vasques Eva Machado Evandro Miguel Martins Saraiva Fábio Salgado Fátima Homem Cristo Fátima Lopes Fátima Rolo Duarte Fátima Sá Fernanda Lapa Fernanda Marques Fernanda Policarpo Fernanda Pratas Fernanda Queirós Fernanda Queiroz Fernanda Silva Fernando Andrade Fernando André Rosa Fernando Felizes Fernando Jorge Lopes Fernando Mano Fernando Nobre Cação Filipa Alvim Filipa Gonçalves Filipa Morais Pereira Filipa Roque Filipa Vala Filipe Caetano Filipe Côrte-Real Sousa Teles Filipe Rosas Filipe Tourais Filomena Canteiro Filomena Carocinho Francesca Rayner Francesco Vacchiano Francisco A. Fortunato Francisco d'Oliveira Raposo Francisco Fanhais Francisco Frazão Francisco Freire Francisco Louçã Francisco Magalhães Francisco Manuel Miguel Colaço Francisco Santos Frederico Aleixo Frederico Pinheiro Gabriel Carvalho Gabriela Vitorino Gilda Paço Gisela Cañamero Gonçalo Fonseca Gonçalo Romeiro Graça Cordeiro Graça Horta Graça Pacheco Guadalupe Simões Gui Castro Felga Guilherme Cartaxo Guilherme Oliveira Hélder Costa Hélder Gomes Hélder Menor Helena Brandão Helena Briga Nogueira Helena Casqueiro Helena Dias Helena Figueiredo Helena Pato Helena Pinto Helena Romão Helena Roseta Helena Santos Heléne Veiga Gomes Helga Manuel Hélia Jacinto Heloisa Paulo Henrique Bulcão Henrique Daniel Silva Henrique de Sousa Henrique Gil Henrique Manuel Bento Fialho Henriqueta Maia Hernâni Matos Hugo Cristóvão Hugo Evangelista Hugo Everard Tavares Hugo Ferreira Ilídia Maria Costa Pinheiro Inês Barbosa Inês Beleza Barreiros Inês Carvalhosa Inês Fernandes Inês Gonçalves Inês Lopes Inês Meneses Inês Metelo Inês Simões Inês Subtil Inês Tavares Inocência Mata Iolanda Évora Irene Porto Irina Castro Irina Monteiro Morais Irina Pampim Isabel Atalaia Isabel Barahona Isabel Bezelga Isabel Branco Pires Isabel Cabeçadas Isabel D. Alves Isabel Duarte Isabel Falcão Isabel Gentil Isabel Gomes Isabel Louçã Isabel Malheiro Isabel Mões Isabel Moreira Isabel Moura Isabel P. Santos Isabel Tadeu Isabel Ventura J. León Acosta Jaime Mendes Jaime Pinho Jakilson Pereira (Hezbollah) JC Duarte Jerónimo Gil Joana Ademar Joana Alcântara Joana Amaral Dias Joana Azevedo Viana Joana Brandão Joana Campos Joana Filipa Amaral Grilo Joana Filipa Freitas Joana Gomes Saraiva Joana Lopes Joana Manuel Joana Pereira Joana Pupo Joana Russo Joana S. Queiroz Joana Saraiva Joana Sofia Barros do Casal Bom Joana Urban Vitorino Joana Véstia Russo João A. Grazina João Afonso João Almeida João André Duarte João Bacelo João Balão João Barrento João Camargo João Carreiras João Catarino João Correia João Curvêlo João Eduardo Martins João Falcão-Machado João José Martins Santana Vital João Lampreia João Lopes João Louçã João Magalhães Moreira João Manso Pinheiro João Marques Laranjo João Medeiros João Melro João Miguel Pereira Louro João Miguel Pereira Monteiro de Sousa João Monge João Pascoal João Paulo João Paulo Caio João Paulo Cotrim João Paulo Rocha João Pinto João Pires João Rafael Abreu Fortes João Ribas João Romão João San Payo João Saramago João Tordo João Torgal João Vasco Gama João Vasconcelos João Vasconcelos Costa João Veloso João Vilela Joaquim Calado Joaquim Monteiro Matias Joaquim Paulo Nogueira Joaquim Pina Jonas Van Vossole Jorge Bateira Jorge Costa Jorge Cunha Santos Jorge Elias Jorge Falcato Simões Jorge Luís Franco Rocha Jorge Maurício Machado Alves Jorge Mendes Jorge Palinhos Jorge Palma Jorge Ramalho Jorge Sampaio Jorge Silva Melo José Alberto Ferreira José António Melo Nunes Guerra José Boavida José Braz José Carlos Gomes José Carlos Tavares José Duarte Coelho Albino José Filipe Costa José G. Matias José Gema José Guerra José Gusmão José Júlio Sardinheiro José Lopes José Luís Garcia José Luís Peixoto José Manuel Ruivo Palmeiro José Manuel Teixeira José Mapril José Maria Moura José Maria Rodrigues José Miguel Marques Subtil José Moutinho dos Santos José Nuno Matos José Oliveira Dias José Paulo Coelho Albino José Pedro Palmeira Franco Ferreira José Peixoto Henriques José Pinto Cardoso José Ribeiro José Salgueiro José Soeiro José Vítor Malheiros José Zaluar Josina Almeida JP Simões Júlia Correia Júlia Coutinho Juliana Madruga Inácio Júlio de Oliveira Gago Karina Guergous Karina Matias Lara Afonso Laura Alves Diogo LBC Leonardo Silva Leonel Gonçalves Licínio Nunes Lídia Fernandes Lídia Ribeiro Lídia Simões Lígia Veiga Liliana Marcelina Camacho da Gama Linda Miriam Cerdeira Lorenzo Bordonaro Luanda Cozetti Lúcia Correia Lúcia Gomes Lúcia Moniz Lúcia Vilhena Ludovico Lourenço Luís Aleluia Luís Bernardo Luís Bragança Gil Luís Carlos Boavida Amaro Luís Carlos Magalhães Martins Luís Filipe Pires Luís Gottschalk Luís Graça Luís Júdice Luis M S Oliveira Luís Manuel Pereira Felisberto Luís Martins Pote Luís Miguel da Silva Gomes Luis Miguel Figueiredo Luis Miguel Gonçalves Marques Luís Miguel Santos Luís Miguel Silva Moreira Luís Moleiro Santos Luis Nascimento Luís Paulo Baptista Luís Pimentel Luís Rainha Luís Ribeiro Luís Santos Luís Torgal Brás Luís Varatojo Luís Vasconcelos Luísa Costa Gomes Luísa Emanuela Ferreira Carvalho Luísa Medeiros Luísa Ortigoso Luísa Potlatch Luna Rebelo Luz Câmara Luzia Maria Batista Braz Luzia Paramés Mª Ángeles Fernández Madalena Ávila Madalena Pestana Madelyn Ventura Mafalda Melo Sousa Mafalda Merino Mafalda Mota Dias Mafalda Sofia Carreira Dantas Balsemão Barbosa Magda Alves Magda Maria Brito Madeira Maja Hadian Mamadou Ba Manuel Araújo Manuel Costa Alves Manuel Duarte Saraiva Manuel Gusmao Manuel Neves Bancaleiro Manuel Salgueiro Aparício Manuela Góis Manuela Ralha Manuela Ribeiro Sanches Manuela Vasconcelos Mar Velez Márcio Guerra Marco Aurélio Lopes Francisco Marco Ferreira Marco Marques Margarida Cardoso Margarida Dias Coelho Margarida Garrido Margarida Paredes Margarida Pelica Margarida Salema Margarida Santos Margarida Vale de Gato Margarita Correia Maria Alice Rodrigues Subtil Maria Antónia Castilho Maria Benito Maria Bispo Maria Canelhas Maria Cardeira da Silva Maria Clara Lino Maria Cristina Paiva Duarte Ferreira Maria da Cruz Quitério Correia Maria da Paz Campos Lima Maria da Paz Carvalho Maria das Neves Amaro Maria de Fátima Luís Maria de Fátima Quaresma Maria de Lourdes Costa Maria de Lourdes Delgado Maria do Céu G. Silva Maria do Mar Maria Duce Martins Maria Eduarda Castro Maria Elisa Matos Maria Emília de Jesus Silva Novo Maria Emília Gomes Maria Fernanda Bacelar do Nascimento Maria Fernanda Pires Sousa Maria Filipa Gottschalk Maria Francisca Carvalhas da Motta Ferreira Maria Gomes Maria Gusmão Maria Helena Corado Maria Idália Gomes Correia Maria Inês Rodrigues Maria Isabel Pargana Maria João Abranches Pinto Maria João Baptista da Silva Maria João Berhan da Costa Maria João Caldeira Maria João Costa Pebre Paulo Maria João D. L. C. Fortunato Maria João Esteves Maria João Luís Maria João Maia Maria João Santos Maria João Teixeira Maria José Almeida Maria José Freitas Maria José Lobo Antunes Maria Luísa Loup Maria Manuel Everard Maria Manuel Rola Maria Morgado Maria Rosa de Jesus Alves Maria Teresa Horta Maria Tomé Guedes Maria Zamora Mariana Cabrera Zanatti Mariana Carneiro Mariana Christ Lemos Mariana Falcato Simões Mariana Maia Nogueira Mariana Mortágua Mário Carneiro Mário de Carvalho Mário Fernando Carvalho Jesus Mário José Balreira da Silva Mário Semião Marisa Matias Marta Lalande Prista Marta Manuel Marta Morais Marta Penilo Marzia Grassi Micol Brazzabeni Miguel Alexandre Miguel Barrantes Miguel Cardina Miguel Carvalho Miguel Castro Caldas Miguel Cipriano Miguel Estudante Miguel Heleno Miguel Mimoso Correia Miguel Monteiro Miguel Pires Ramos Miguel Reis Miguel Sampaio Miguel Silva Graça Miguel Tiago Miguel Vale de Almeida Miguel Videira Cardoso Dias Mila Belo Mónica Garcez Mónica Mesquita Mónica Nascimento Myriam Zaluar Natália Vilarinho Nathalie Rodrigues Nelson Arraiolos Nélson José Nunes Araújo Nélson Peralta Nídia Zózimo Noémia Pinto Noémio Ramos Nuno Alexandre Morais Felisberto Nuno Alexandre Rodrigues Tavares Nuno André Patrício Nuno Artur Silva Nuno Atalaia Rodrigues Nuno Bio Nuno Correia Nuno Costa Nuno Duarte Nuno Duarte (Jel) Nuno Fonseca Nuno Gomes dos Santos Nuno Marcolino Nuno Miguel Carona Rodrigues de Carvalho Nuno Miguens de Sousa Machado Nuno Moniz Nuno Patrício Nuno Ramos de Almeida Nuno Rodrigues Nuno Serra Nuno Silva Nuno Silva Costa Nuno Teles Nuno Viana Oceana Basílio Octávio Teixeira Odete Cruz Olga Moutinho Olívia Maria Pereira Soares Olívia Soares Orlando Baptista Orlando Manuel Pereira Neves de Carvalho Patrícia Alves de Matos Patrícia Delgado Patrícia Freire Patrícia Pedrosa Patrícia Pereira Paixão Patrícia Vieira Paula Baltazar Martins Paula Brito Paula Cabeçadas Paula Cristina Marques Paula Gil Paula Godinho Paula Nunes Paula Regina Ferreira Paula Santos Paula Sequeiros Paula Sofia Luz Paula Sofia Moreira Paula Togni Paula Varanda Paulete Matos Paulo Alexandre Santos Vieira Paulo Almeida Paulo Alves Machado Paulo Coimbra Paulo Fidalgo Paulo Granjo Paulo J.P. Raposo Paulo Jacinto Paulo Jorge Borges Miguel Paulo Manuel Correia Paulo Raposo Paulo Seara Pedro Alegre Pedro Almeida Ferreira Pedro Almeida Ribeiro Pedro Alves Nave Pedro Amaral Pedro Azevedo Pedro Botelho Pedro Cunha Pedro Faria Bravo Pedro Freitas Pedro Godinho Pedro Lima Pedro Manuel Almeida Pedro Manuel Domingos Pedro Miguel Cunhal Rodrigues Pedro Miguel Henriques Marques Pedro Nuno Lopes dos Reis Pedro Patrício Pedro Penilo Pedro Pinto Pedro Posser Brandão Pedro Ramos Pedro Rocha Pedro Santos Costa Pedro Teixeira Pedro Vieira Peter De Cuyper Rafael Moraes Raimundo Narciso Raïssa Gillier Raky Wane Raquel Amaro Raquel Varela Raúl Atalaia Regina Calheiros Renata Freitas Renata Hardy Renato Carmo Renato Guedes Renato Teixeira Ricardo A. Freitas Ricardo António Alves Ricardo Castelo Branco Ricardo Castro Ricardo Delgado Ricardo Ferreira de Almeida Ricardo Gomes Ricardo Jorge Saraiva Roberto Ricardo Machaqueiro Ricardo Matos Ricardo Meireles Santos Ricardo Morte Ricardo Sá Ferreira Ricardo Santos Ricardo Vicente Ricardo Vieira Rita Amaro Rita Areosa Rita Ávila Cachado Rita Caetano Rita Ferreira Rita Gonçalves Rita Gorgulho Rita Morais Rita Mota Pereira Rita Nascimento Rita Pereira Rita Rato Rita Tomé Rita Tormenta Rita Veloso Roberto Robles Rodrigo Cabrita Rodrigo Henriques Rodrigo Rivera Rogério Correia de Castro Rogério Miranda Rosarinho Calaça Rui Amaral Mendes Rui Bebiano Rui Borges Rui Coelho Rui Dinis Rui Duarte Rui Estrela Rui Eugénio Rui Fragoso Malato Rui Franco Rui Lopo Rui Madruga Rui Maia Rui Manuel Silva Soares Rui Matoso Rui Moreira Rui Mourão Rui Pato Rui Tendinha Rui Tojal Rui Vieira Monteiro Rui Vieira Nery Rui Zink Rute Carmo Mendes Ruy Llera Blanes Sandra Antunes Sandra Bernardo Sandra Marise Martins de Barros Sandra Moço Sandra Monteiro Sandra Paiva Sandra Paula Raimundo Sandra Pereira Sandrina Espiridião São José Lapa Sara Costa Sara de Castro Sara Ferreira Sara Figueiredo Costa Sara Gamito Sara Gonçalves Sara Goulart Sara Magalhães Sara Nunes Lança de Carvalho Sara Simões Sara Trigo Sebastião Sousa Pernes Sérgio Dias Branco Sérgio Godinho Sérgio Manso Pinheiro Sérgio Vitorino Sílvia Pereira Sílvia Regina de Sousa Vaz Sílvio Mendes Simão Lobo Simone de Oliveira Sofia Chinita Sofia Gonçalves Sofia Lorena Sofia Meneses Sofia Neuparth Sofia Rajado Sofia Roque Sónia Calado Louro Sónia Esteves Sónia Mendes da Silva Sónia Tchissole Pires da Silva Soraia Chaves Soraia Simões Susana Boletas Susana Cecílio Susana Constante Pereira Susana Correia Susana Faria Susana Gaudêncio Susana M. D. Correia Susana Matos Viegas Susana Maurício Susana Santa Clara Susana Sobrado Tânia Bessa Tânia Franco Tatiana Moutinho Tatiana Neto Teresa Almeida Teresa Barros Pinto Teresa Dias Coelho Teresa Ferreira Teresa Fradique Teresa Guerreiro Teresa Henriques Teresa Maria Matoso Teresa Silva Teresa Soares Teresa Verdier Tiago Carmo Vaz Tiago Castelhano Tiago Figueiredo Tiago Fonte Tiago Gillot Tiago Gomes Tiago Lemos Peixoto Tiago Mota Saraiva Tiago R. Santos Tiago Rodrigues Timóteo Macedo Valerio Simoni Valete Vanessa de Almeida Vasco Ávila Rego da Silva Vasco da Rocha Vasco Duarte (Falâncio) Vasco Santos Vera Alves Vera Cristina Sampaio Lopes Vera Silva Vera Soares Verónica Ganhão de Oliveira Russo Vicente Alves do Ó Victor Manuel Soares Medina Viriato Soromenho-Marques Viriato Teles Vitor Dias Vitor Hugo Carmo Vitor Monteiro Vítor Sarmento Youri Paiva
Nota: Quem quiser subscrever o texto de apelo pode fazê-lo enviando um e-mail com o nome para plenario22set@gmail.com
Percurso em Lisboa
Nas outras cidades
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Acerca da crise e da corrupção (10)
«O paradigma mais vergonhoso da promiscuidade entre os grupos económicos e o poder político é constituído pelas tristemente célebres parcerias público-privadas (PPP). São disso exemplos alguns hospitais, redes de águas e saneamento, as então auto-estradas sem custo para o utilizador (SCUT), a renovação de escolas através da empresa Parque Escolar ou até o Campus de Justiça em Lisboa. Neste modelo de negócio, os riscos correm sempre por conta do Estado, mas os lucros são garantidos aos privados através de rendas pagas ao longo de décadas. Desta forma, as PPP hipotecam de forma criminosa os impostos de várias gerações.Este processo de atribuição de rendas a privados através de mecanismos públicos, esta apropriação de recursos públicos por grupos económicos privados, iniciou-se já nos governos de Cavaco Silva. A primeira de todas as PPP foi a ponte Vasco da Gama. Começou aqui uma sequência de negócios infernais, em que invariavelmente os riscos são socializados e os lucros privatizados.A construção da ponte Vasco da Gama foi, já então, um negócio ruinoso para o Estado português. A participação privada na nova travessia do Tejo nasceu de um embuste: a tese de que o Estado não teria dinheiro para construir a infra-estrutura. Assim, recorreria ao apoio dos privados, a quem mais tarde pagaria determinadas rendas. Um logro gigantesco. Os privados entraram, à cabeça, com apenas um quarto dos cerca de 900 milhões de euros em que orçava o investimento da travessia sobre o Tejo. O restante foi garantido pelo Estado português, através do Fundo de Coesão da União Europeia (36%), da cedência da receita das portagens da ponte 25 de Abril (6%) e por um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos (33%) avalizado pelo Estado português. O verdadeiro investidor foi, de facto, o Estado português, que assim garantiu a privados um rendimento milionário ao longo de anos. E, em 2010, as receitas das portagens eram quase 75 milhões de euros. Ao mesmo tempo que garantiram estas elevadas rendas, os privados eliminavam a concorrência, pois garantiam, nos termos do contrato, um monopólio. Ninguém poderá, nos próximos anos, construir uma nova travessia rodoviária no estuário do Tejo sem lhes pagar o respectivo dízimo.Para piorar a situação, o Estado negociou ao longo de anos sucessivos acordos para a "reposição de reequilíbrio financeiro" da empresa concessionária, através dos quais se foram concedendo mais vantagens aos privados. Ainda antes da assinatura do contrato de concessão, já o Estado atribuía uma verba de 42 milhões de euros à Lusoponte para a compensar por um aumento de taxas de juro. Mas os benefícios de taxas mais baratas, que se seguiram imediatamente, esses reverteram sempre e apenas para a Lusoponte.Ainda sem razão aparente, o Estado prolongou a concessão por sete anos, provocando perdas que foram superiores a mil milhões. Só há agora uma solução justa: a expropriação da ponte Vasco da Gama, devolvendo aos privados o que lá investiram. As portagens chegam e sobram para tal. Não se pode é continuar a permitir que, por pouco mais de duzentos milhões de euros, uns tantos senhores sejam donos de uma ponte que não pagaram, recebam as portagens de duas pontes, a Vasco da Gama e a 25 de Abril, e dominem o estuário do Tejo por toda uma geração. Se algum outro grupo quiser construir uma nova travessia rodoviária, terá de indemnizar a Lusoponte. Ou adquiri-la!»Paulo Morais, Da Corrupção à Crise — Que fazer?, Gradiva.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
domingo, 20 de outubro de 2013
Serviçais do princípio ao fim
É impressionante como quase diariamente Passos Coelho e o seu governo envergonham o país. Desde 1974 que não há memória de existir em Portugal um governo servil e bajulador como o actual. Independentemente do acordo ou desacordo em relação às políticas seguidas nos últimos dois anos e meio, há certamente um sentimento comum à generalidade dos portugueses: o sentimento de vergonha por sermos representados por políticos sem carácter que permanentemente assumem o comportamento do vassalo aduloso que verga a coluna, o discurso e o olhar perante o suserano. Tem sido assim com Merkel, com Schäuble (são tristemente inesquecíveis as imagens televisivas da figura serventuária de Vítor Gaspar perante este ministro alemão), com Juncker, com o trio que periodicamente nos visita, com todos os designados «duros», sejam da UE ou de qualquer outra latitude.
Têm sido incontáveis os discursos mendicantes de Passos Coelho como tem sido insuportável observar a subserviência canina que revela perante os designados credores — como se a existência de credores fosse uma anormalidade e a existência de dívidas uma imoralidade, quando o sistema capitalista vive precisamente deste (viciado) jogo de créditos e dívidas, cuja moralidade, essa sim, é particularmente duvidosa...
A este vergonhoso comportamento adiciona-se agora a atitude serviçal perante Angola — atitude que já é objecto de troça por parte da imprensa estrangeira.
Para além da colossal incompetência que evidenciam para resolver os problemas financeiros e económicos, estes governantes estropiam a dignidade nacional. O conjunto de almocreves que tomou conta do país não vai ser só julgado pela história, terá de ser julgado também pelos tribunais.
sábado, 19 de outubro de 2013
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Nacos
«— Bem, vamos, são horas de te ires embora — disse-me o meu tio.Levantei-me com uma vontade irresistível de beijar a mão da dama de cor-de-rosa, mas parecia-me que seria um tanto audacioso, como um rapto. O coração batia-me enquanto dizia de mim para mim: "Devo, não devo", e depois deixei de me perguntar o que devia fazer para poder fazer qualquer coisa. E, num gesto cego e insensato, despojado de todas as razões que momentos antes achava em meu favor, levei aos lábios a mão que ela me estendia.— Como ele é amável! Já é muito galante, tem olho para as mulheres: sai ao tio. Vai ser um perfeito gentleman — acrescentou, apertando os dentes para dar à frase uma entoação ligeiramente britânica. — Não poderá ele vir uma vez tomar a cup of tea, como dizem os nossos vizinhos ingleses? Bastava que me mandasse um "azul" pela manhã.Eu não sabia o que era um "azul". Não compreendia metade das palavras que a dama dizia, mas o receio de que ocultassem alguma pergunta a que fosse indelicado não responder impedia-me de deixar de as ouvir com atenção, e isso cansava-me muito.— Não, é impossível — disse o meu tio, encolhendo os ombros —, ele está muito ocupado, trabalha muito. Tem todos os prémios do seu curso — acrescentou em voz baixa para eu não ouvir esta mentira e não a contradizer. — Quem sabe? Talvez seja um pequeno Vitor Hugo, sabe, uma espécie de Vaulabelle.— Eu adoro os artistas — respondeu a dama de cor-de-rosa —, só eles é que compreendem as mulheres... Só eles e os seres de escol como você. Desculpe a minha ignorância, meu amigo. Quem é Vaulabelle? Serão os volumes dourados que estão na pequena estante envidraçada do seu toucador? Sabe que prometeu emprestar-mos, e hei-de ter todo o cuidado com eles.»Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido — Do Lado de Swann, Relógio D'Água.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Selvajaria
Olhamos e vemos a selva instalada à nossa volta. Os actos de selvajaria multiplicam-se a uma cadência inaudita.
Falo da selvajaria política que nos envolve e que ultrapassa em muitos casos a selvajaria social e criminal. Na realidade, o larápio do esticão, o burlão dos incaustos e o carteirista dos ajuntamentos são figuras angelinas, se comparadas com Passos Coelho, Paulo Portas, Maria Luís Albuquerque e as demais personagens do governo.
Falo da selvajaria política que nos envolve e que ultrapassa em muitos casos a selvajaria social e criminal. Na realidade, o larápio do esticão, o burlão dos incaustos e o carteirista dos ajuntamentos são figuras angelinas, se comparadas com Passos Coelho, Paulo Portas, Maria Luís Albuquerque e as demais personagens do governo.
O termo selvajaria remete-nos para a generalização e para a banalização da crueldade e da barbárie, que é justamente aquilo em que este governo se distingue. Cruel e bárbaro, age como um animal raivoso que obsessivamente se atira à mesma vítima. Praticando sistematicamente o roubo em massa, concentrando-se fanaticamente nos pensionistas, reformados e funcionários públicos, os regentes do país procuram trivializar o exercício da sevícia de forma a que ela se institucionalize e se torne na referência comportamental de qualquer governo.
O Orçamento de Estado para 2014 é o mais recente acto da selvajaria política que nos domina. Não só comete o crime social de querer levar à indigência os mais idosos e os que exercem funções no Estado, como tem o arrojo de aliviar a carga fiscal dos mais ricos: as taxas adicionais de IRS de 2,5% e 5%, respectivamente para os rendimentos anuais superiores a 80 mil e 250 mil euros, deixam de vigorar, a partir do próximo ano.
O derrube deste governo é uma emergência nacional. A extorsão institucionalizada não pode prosseguir. Governação não é sinónimo de pilhagem, muito menos de pilhagem contínua, e menos ainda de pilhagem contínua sobre os mesmos. Quem pratica essa pilhagem e a quer transformar em lei tem de ser punido com denodo. É um imperativo ético expulsar gente assim do poder.
Adenda (às 16,30h): como é sua prática corrente, o governo, após a divulgação (acima referida), por alguns de órgãos da comunicação social, do fim da taxa adicional do IRS para os rendimentos mais elevados, veio agora atabalhoadamente corrigir-se, dizendo que irá reintroduzir essa norma no Orçamento rectificativo de 2013, com efeitos para o futuro...
O Orçamento de Estado para 2014 é o mais recente acto da selvajaria política que nos domina. Não só comete o crime social de querer levar à indigência os mais idosos e os que exercem funções no Estado, como tem o arrojo de aliviar a carga fiscal dos mais ricos: as taxas adicionais de IRS de 2,5% e 5%, respectivamente para os rendimentos anuais superiores a 80 mil e 250 mil euros, deixam de vigorar, a partir do próximo ano.
O derrube deste governo é uma emergência nacional. A extorsão institucionalizada não pode prosseguir. Governação não é sinónimo de pilhagem, muito menos de pilhagem contínua, e menos ainda de pilhagem contínua sobre os mesmos. Quem pratica essa pilhagem e a quer transformar em lei tem de ser punido com denodo. É um imperativo ético expulsar gente assim do poder.
Adenda (às 16,30h): como é sua prática corrente, o governo, após a divulgação (acima referida), por alguns de órgãos da comunicação social, do fim da taxa adicional do IRS para os rendimentos mais elevados, veio agora atabalhoadamente corrigir-se, dizendo que irá reintroduzir essa norma no Orçamento rectificativo de 2013, com efeitos para o futuro...
terça-feira, 15 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
Pensamentos
«Nada é mais perigoso do que uma ideia quando se tem apenas uma.»Alain
«A conformidade é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento.»John KennedyIn Paulo Neves da Silva, Dicionário de Citações, Âncora Editora.
sábado, 12 de outubro de 2013
Acerca da crise e da corrupção (9)
«O orçamento do Estado, aprovado anualmente no Parlamento, constitui o maior instrumento de corrupção de toda a política nacional. Todos os anos, uma percentagem bem significativa é transferida para alguns dos mais poderosos grupos económicos de Portugal. Muitos dos actores políticos têm exactamente como incumbência encontrar os mecanismos para canalizar verbas para os grupos económicos de que são assalariados ou consultores. [...]A este descontrolo nas contas e na gestão pública juntam-se as enormes suspeitas que sempre houve relativamente ao financiamento das campanhas eleitorais. E que a última legislação aprovada nesta matéria, no ano de 2011, torna ainda pior. [...]Em primeiro lugar, permite que candidatos sejam financiadores das campanhas dos seus próprios partidos. Daqui para a frente, poderemos assistir a autênticos leilões de lugares nas listas para o Parlamento, ganhando quem oferece mais. Com esta hipótese, e como o próprio Presidente da República veio reconhecer "é potenciado o risco de, por via indirecta, um candidato fornecer a um partido contribuições financeiras que haja obtido junto de terceiros, sem que exista possibilidade de controlo formal desta realidade". Os critérios de escolha dos candidatos a parlamentares que integram as listas eram já enigmáticas, mas esta nova modalidade ultrapassa a mais bizarra imaginação.E há pior! A pretexto de reduzir as despesas, a legislação agora em vigor autoriza ainda que haja donativos indirectos ou em espécie. Ou seja, um qualquer amigo do partido poderá fornecer uns cartazes ou pagar umas jantaradas e até emprestar umas sedes — não sem compensações, é claro. E os partidos, não dispondo de recursos próprios, só podem garantir essas contrapartidas à custa do domínio sobre os recursos públicos. O financiamento partidário tornou-se assim num investimento certo, de retorno rápido e colossal, e confortável. Os políticos e dirigentes da administração estão na posição de exercer o poder público para beneficiar quem lhes financia as campanhas.»Paulo Morais, Da Corrupção à Crise — Que fazer?, Gradiva.
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