terça-feira, 5 de maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Nota do fim-de-semana

Documentos desaparecidos
Faltam documentos na escritura da casa de mãe de Sócrates
Notários fazem queixa ao MP
«O Ministério Público (MP) recebeu esta semana uma participação da Ordem dos Notários, que dá conta do desaparecimento dos documentos que suportavam a escritura notarial e identificavam a empresa offshore que vendeu o apartamento no Heron Castilho, em Lisboa, a Maria Adelaide Carvalho Monteiro, mãe do primeiro-ministro

A queixa criminal foi feita ao DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal), onde decorre o inquérito ao ‘caso Freeport’, e também ao DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal) de Lisboa.

A descoberta foi feita no cartório de Lígia Monteiro, na zona de Santos. A notária, quando se preparava para entregar a escritura da casa de Adelaide Monteiro a um jornalista, pediu a uma funcionária que lhe fosse buscar ao arquivo o maço onde deveriam estar os documentos para os quais a escritura remete. Nomeadamente, os documentos relativos ao imposto de sisa, à identificação da procuradora que, segundo a escritura, representou a empresa vendedora – a Stolberg Investiments Limited, uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas –, bem como o certificado da Incorporação da Sociedade e respectivos documentos.

Mas, no maço para que remetiam todas as escrituras daquele ano, apenas as que se referem à compra do apartamento de Maria Adelaide Monteiro tinham desaparecido. A notária ficou estupefacta e deu ordens para que se procurasse nos maços seguintes. "Nunca me tinha acontecido aquilo. Há regras: os livros têm de estar numerados por folhas e não pode falhar um documento", explicou ao SOL.»
Sol (1/5/09)

Comunicado da APEDE acerca do «Compromisso Educação»


No passado dia 28 de Abril, Mário Machaqueiro e Ricardo Silva, representando a APEDE, e Ilídio Trindade, representando o MUP, reuniram na Assembleia da República com o deputado Pedro Duarte, em representação do Grupo Parlamentar do PSD. Na impossibilidade de se fazer representar, o PROmova delegou a sua representação nos dois movimentos presentes. Importa referir que, no momento em que se estava a dar este encontro, os membros do PROmova se encontravam reunidos com as estruturas locais do PSD de Vila Real, no intuito de lhes fazer chegar a mesma mensagem que transmitimos ao Grupo Parlamentar desse partido.

Este encontro teve como objectivo sensibilizar o Grupo Parlamentar e a própria Direcção do PSD para as seguintes preocupações dos professores:

  • A necessidade de que os partidos da oposição assumam publicamente, de forma clara, um compromisso de ruptura com as políticas que a actual maioria PS tem querido impor à classe docente e às escolas deste país, compromisso que, indo ao encontro das principais reivindicações dos professores, tenha expressão nos programas eleitorais.

  • A concretização do pedido de fiscalização da constitucionalidade dos diplomas relativos ao modelo de avaliação do desempenho.

Em relação ao primeiro ponto, recordámos a importância, para os professores, das declarações públicas da presidente do PSD, proferidas em Novembro de 2008, as quais continham uma resposta positiva às principais preocupações e reinvidicações dos professores, declarações essas que gostaríamos de ver reafirmadas e contempladas no Compromisso Educação que estamos a solicitar aos partidos políticos. A este respeito, tivemos oportunidade de transmitir ao deputado Pedro Duarte o anseio que os professores têm de ver cancelada a divisão iníqua da carreira docente entre titulares e não titulares e de ser avaliados por um modelo que dignifique a sua profissão. Mostrámos também as dificuldades que hoje se colocam aos professores contratados e a necessidade de assegurar todas as condições que os retirem de uma precariedade artificial, a qual está a ser suscitada por um conjunto de disposições legais que os menorizam injustamente face aos outros professores, em particular no que toca à obrigatoriedade da prova de ingresso, aos impedimentos que se levantam ao completamento de horários nas escolas em que são colocados, etc. Manifestámos ainda a preocupação pelo anúncio do fim dos concursos nacionais de colocação de professores, salientando que o carácter nacional dos mesmos é, nas condições actuais do mercado de trabalho, uma condição fundamental para a transparência e para a equidade do processo de colocação dos docentes. Relembrámos os piores aspectos do modelo de administração escolar cuja imposição está em curso, dando o exemplo do Agrupamento de Santo Onofre como um caso exemplar da prepotência do Ministério da Educação que torna letra morta qualquer veleidade de autonomia escolar efectiva. Por fim, salientámos que os professores encaram com grande apreensão e revolta o facto de o Governo se preparar para pôr fim às nomeações definitivas na Função Pública, desse modo acentuando ainda mais o clima de instabilidade e de precarização dos vínculos laborais, clima que terá reflexos profundamente negativos no funcionamento das escolas. Sublinhámos que, para todos estes aspectos, os partidos da oposição deverão apresentar propostas alternativas capazes de gerar consensos e de conquistar um apoio alargado entre os professores.

E acrescentámos: se o novo cenário pós-eleitoral não romper decididamente com as actuais políticas para a educação, é certo e garantido que a paz não irá regressar às escolas e que os professores se voltarão a unir para lutar contra as mesmas, sendo esta uma realidade que os partidos da oposição têm de ponderar seriamente.

Quanto ao ponto relativo ao pedido de fiscalização da constitucionalidade das leis supracitadas, o deputado Pedro Duarte garantiu-nos que a iniciativa parlamentar está em andamento e que o PSD se ofereceu para assegurar o número de deputados que fossem necessários para viabilizar esse pedido.

Num futuro próximo, é nossa intenção reunir com representações dos restantes partidos da oposição, encontrando-nos, se possível, com as direcções dos mesmos ou com as suas secções responsáveis pela definição programática das políticas de ensino, a fim de obter junto destas organizações um Compromisso Educação que as vincule numa atitude de clara rejeição dos modelos desenvolvidos pela equipa que, em má hora, tomou conta do Ministério da Educação.

Comunicado do PROmova acerca do «Compromisso Educação»

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Reunião do PROmova com a distrital do PSD de Vila Real: convergência de posições e expectativas positivas para a realização de um Compromisso Educação

No prosseguimento da estratégia "Compromisso Educação", tal como aprovada pelos movimentos independentes de professores, o PROmova (assumindo-se também representante da APEDE e do MUP) reuniu com a distrital do PSD de Vila Real, no dia 28 de Abril, com três objectivos em agenda:

1) dar a conhecer o essencial das razões que suportam as reivindicações dos professores, tendo em conta a impressionante magnitude que a contestação ao modelo de avaliação assumiu no distrito de Vila Real, com cerca de 70% dos professores e educadores a não entregarem os objectivos individuais;
Negrito
2) confirmar se as posições manifestadas, publicamente, pelo PSD contra as políticas educativas deste Governo se mantêm intactas e se a distrital de Vila Real as subscreve;

3) sondar a disponibilidade desta estrutura partidária para estabelecer com os professores um compromisso público, sob a forma de documento escrito ou de uma conferência de imprensa conjunta, que permita aos professores reconhecerem quem está do seu lado e alimentarem a expectativa de que, na próxima legislatura, as medidas legislativas mais inconsistentes e injustas, autocraticamente impostas por este Governo, serão revogadas, no que depender do PSD.

No decurso da reunião, foi possível constatar uma assinalável sintonia de posições entre os movimentos independentes de professores e os representantes do PSD, nomeadamente, quanto ao seguinte:

- denúncia e rejeição veemente da postura de afronta e de hostilização sistemática dos professores adoptada por esta equipa ministerial, fragilizando a autoridade e o reconhecimento público que é devido aos professores;

- admissão da necessidade de substituir este modelo de avaliação, mercê da sua inútil complexidade, da inconsistência e injustiça de muitos dos seus pressupostos, do favorecimento e subjectivação incontrolada que geraria, da farsa em que transformou o processo de avaliação, bem como tendo em conta a conflitualidade e a perturbação que introduziu nas escolas;

- o imperativo de justiça que deve constituir a urgente revogação da "iníqua" divisão administrativa entre titulares ou professores de primeira e professores de segunda;

- concordância relativamente à inaplicabilidade das quotas ao sistema de ensino, mercê das injustiças relativas que daí adviriam.

Foi, ainda, possível estabelecer algumas pontes de entendimento em relação à necessidade de reformulação do Estatuto do Aluno, pelo facilitismo que veicula, assim como em relação ao aperfeiçoamento do novo modelo de gestão das escolas.

Por conseguinte, podemos constatar que os representantes da distrital do PSD de Vila Real comungam, no essencial, das razões e das motivações dos professores, reafirmando, sem hesitação, os princípios defendidos pela presidente do PSD na sua intervenção pública de Novembro de 2008, aquando da audiência concedida à Plataforma Sindical.

Como tal, o PROmova saiu da reunião com a convicção de que vai ser possível estabelecer o "Compromisso Educação" com a distrital do PSD de Vila Real e com os candidatos a deputados pelo distrito, a cujas entidades os representantes do PSD presentes ficaram de submeter o desafio da celebração do respectivo compromisso.

Horas antes, tinham reunido os representantes da APEDE (também mandatados para assegurarem a representação do PROmova) e do MUP com um representante do Grupo Parlamentar do PSD, na Assembleia da República, tendo-se obtido, igualmente, um feedback positivo.

O PROmova, a APEDE e o MUP vão, nos próximos dias, prosseguir os contactos com os outros partidos da oposição, tanto a nível distrital, como a nível das estruturas dirigentes nacionais, procurando alargar o espectro das opções de voto dos professores portugueses, em nome de políticas sérias e justas, na prossecução de uma Escola Pública de qualidade.
Os professores, os alunos e os pais e encarregados de educação deste país merecem uma Escola e políticas educativas muito melhores do que aquelas que têm vindo a ser impostas pelo PS de Sócrates.

PROmova
PROFESSORES - Movimento de Valorização

domingo, 3 de maio de 2009

Medina Carreira: «Nós não temos seriedade na política. Isto é um espectáculo, é uma aldrabice pegada.»

Medina Carreira em entrevista ao Rádio Clube Português:

«Cada português está a produzir 100 euros por ano e está a gastar 111 ou 110, quer dizer, estamos a viver de empréstimos.»

«Mexer na escola e ficar tudo na mesma não interessa. Se os alunos estiverem lá e forem tão bons os bons como são bons os maus, quer dizer, andar lá um número grande a atrapalhar o trânsito, passe a expressão, em nome de uma coisa esquisitíssima que eu não aceito, que é a chamada escola inclusiva - a escola só é inclusiva se as pessoas estão lá para aprender...»

«O ensino em Portugal é uma intrujice. Uma intrujice cara. E depois inverte-se isto: vamos avaliar os professores (nem sei por que critério, no estado em que aquilo está parece-me uma tontice), mas não se avaliam os alunos. Isto tem pés e cabeça? Isto é de uma sociedade de gente com juízo?»

«Os partidos hoje não atraem uma pessoa inteligente, livre [...] só se metem lá uns manhosos.»

«O António Guterres era palavreado, a política do António Guterres era saber quantos por cento do PIB é que iam para a Educação, o que a malta fazia com os por cento dos PIB era indiferente.
Este que está agora, o José Sócrates, este é um homem de espectáculo, é um homem de circo, desde a primeira hora.»

«Se nós continuarmos a fazer auto-estradas e terceiras pontes sobre o Tejo, daqui a 10 ou 15 anos temos um problema financeiro gravíssimo.»

«Nós não temos seriedade na política. Isto é um espectáculo, é uma aldrabice pegada.»

«Maioria absoluta com gente deste estilo nunca mais, para mim, nunca mais. Ninguém me leva o voto para uma maioria absoluta deste género. Estas asneiras teimosas, absolutamente fora de senso comum só são possíveis porque há uma maioria absoluta de um partido.»

Pensamentos de domingo

«Será que no fundo uma inteligência elevada torna-se num "handicap" para um político no poder?»
Allan Fagerström

«Alguns oradores que não sabem o que fazer com as mãos deviam tentar fechar a boca com elas».
G. Norman Colle

«A Natureza não comete erros. Quando cria um palerma é mesmo essa a sua intenção.»
Josh Billing
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

Penguin Cafe Orchestra

sábado, 2 de maio de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico

Acerca do Idealismo Alemão
«Oh, vá lá! Um objecto tem de ser mais do que apenas dados dos sentidos. Mesmo que algures atrás dele.
O filósofo alemão do século XVIII, Immanuel Kant, pensava que sim. Leu os empiristas britânicos e, como ele próprio disse, eles despertaram-no do seu sono dogmático. Kant tinha presumido que as nossas mentes podem dar-nos a certeza de como o mundo é na realidade. Mas os empiristas demonstraram que, como o nosso conhecimento do mundo exterior nos chega através dos sentidos, de certa forma é sempre incerto. Um morango só é vermelho ou doce quando é observado através de um determinado equipamento - os nossos olhos e as nossas pupilas gustativas. Sabemos que algumas pessoas com papilas gustativas diferentes poderão achar qua não são nada doces. Assim, perguntou Kant, o que é um morango "em si mesmo" que o faz parecer vermelho e doce - ou não - quando passa pelo nosso equipamento sensorial?
Kant concluiu que não podemos saber nada sobre as coisas como elas são em si mesmas. Disse que a ding an sich, a coisa-em-si-mesma, é "igual a x". Só podemos conhecer o mundo fenomenal, o mundo das aparências; não podemos saber nada sobre o mundo numenal, atrás das aparências.
Ao dizer isto, Kant estabeleceu o desafio para uma mudança de paradigma na filosofia. A razão não pode falar-nos sobre o mundo para lá dos nossos sentidos. Nem o Deus-como-responsável-pela-introdução-de-dados de Berkeley nem qualquer explicação metafísica do mundo pode ser alcançada através da razão pura. A filosofia nunca mais foi a mesma.
Secretária: Doutor, está um homem invisível na sala de espera.
Médico: Diga-lhe que não posso vê-lo.»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

1 de Maio

A crise não é para todos

Enviado por Ana Joaquim:

O desemprego aumenta, a pobreza alastra e quem nos governa, quem deveria dar o exemplo de contenção de custos que se pede a todos os portugueses, onde gasta o nosso dinheiro?
Isto merece ser visto...
Para ver o vídeo da notícia, clique aqui

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Ministério da Educação incentiva alunos à delação

Vários meses depois de Maria de Lurdes Rodrigues ter sido alvo de uma chuva de ovos, um inspector da Inspecção Geral de Educação foi à Escola Secundária de Fafe e levou uma aluna, de 16 anos, para uma sala, que não conhecia, para ser interrogada sobre esse acontecimento durante cerca de uma hora, segundo notícia o Público, na sua edição de ontem. O pai da aluna, e presidente da associação de pais, afirma que a sua filha «foi incitada a acusar e denunciar pessoas, nomeadamente os seus professores, pelos quais se espera que tenha respeito como figuras de autoridade.»
A ser verdade, este é mais um exemplo da medíocre e perigosa mentalidade que governa o nosso país. É a mentalidade inquisitorial, é a mentalidade da ameaça mais ou menos velada, é a mentalidade da intimidação. Este Ministério da Educação, pelo exemplo da sua acção, deseduca, malforma. Estimular um aluno a ser delator é grave, é gravíssimo. E não é apenas ser delator, é ser delator de alguém com quem se tem uma relação especial, de proximidade, de afecto e, simultaneamente, de autoridade, como salienta, e bem, o pai da aluna.
O denunciante é, deste modo, apresentado aos jovens como o paradigma ético, como a referência moral. É isto que o Ministério da Educação ensina: acusar o amigo, acusar o professor é correcto, como será correcto acusar o pai ou a mãe. O Ministério da Educação não olha a meios para atingir os seus fins, e isto é, exactamente, outra coisa que ele ensina: os fins justificam os meios.
Já tinha, enquanto professor, a pior opinião possível acerca da qualidade técnica e política deste Ministério da Educação. Agora, enquanto pai, tenho o Ministério da Educação, pelos valores que emana e pelos comportamentos que induz, como uma instituição perniciosa para a educação do meu filho. Agora, enquanto pai, vejo-me na obrigação de alertar permanentemente o meu filho para não seguir os maus exemplos comportamentais do Ministério - do Ministério que, precisamente, deveria ter a incumbência de o co-ensinar, entre outras coisas, a ser um cidadão responsável com elevados padrões éticos. Enquanto pai, tenho, neste momento, o Ministério da Educação como uma má companhia, como uma nefasta influência para o meu filho.
É muito grave chegar-se a este ponto.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Às quartas

Último Soneto

Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes - e vieste...
- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste -
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço -
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...

Mário de Sá-Carneiro

terça-feira, 28 de abril de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Notas do fim-de-semana


TPC para Sócrates
«Na RTP, Judite de Sousa e José Alberto Carvalho foram vítimas de bullying socrático. Sócrates abusou de uma atitude autoritária, revelando o seu pouco à-vontade para lidar com perguntas. Alé disso, Sócrates deveria ler "Areopagítica - Discurso sobre a Liberdade de Expressão" (Almedina). Este clássico de John Milton tem ainda muito a ensinar a políticos que procuram proteger a sua actividade pública com um suposto 'bom nome' provado. Quem é que Sócrates julga que engana quando diz que não está a processar "jornalistas", mas sim "pessoas" que o difamaram?»
Henrique Raposo, Expresso (25/4/09)

Jovens têm de estudar até aos 18 anos
mas podem trabalhar com 16 anos

O Governo quer alargar a escolaridade obrigatória em mais três anos, mas, de acordo com economistas e especialistas em Direito do Trabalho, pode tornar "obsoletas" várias disposições da legislação laboral e poderá mesmo deixar sem fundamento a idade mínima de admissão ao trabalho (16 anos).
Público (25/04/09)

Pode haver uma deriva totalitária em Portugal?
«A substituição do debate pelo marketing, a cedência à espectacularização da vida política, a substituição do conteúdo pela forma, é caldo de cultura para uma despolitização anómica da democracia, que propicia o adormecimento cívico.»
José Pacheco Pereira, Público (25/04/09)

Sol e Sombra
«João Tiago Silveira, secretário de Estado da Justiça, veio pressurosa e tolamente, condenar a Ordem dos Notários e considerar "uma situação muito grave" esta facilitar o acesso a jornalistas de documentos notariais relativos a Sócrates e a outros envolvidos no caso 'Freeport'. Documentos públicos e de livre acesso público, sublinhe-se. A censura e a intimidação socratistas já chegaram a este ponto e com tal desfaçatez?! É o Estado de Direito antidemocrático em todo o seu esplendor...»
José António Lima, Sol (24/04/09)

O ovo da serpente-01

Os bons e os maus
«Já há mais jornalistas a contas com a justiça por causa do Freeport do que houve acusados por causa da queda da ponte de Entre-os-Rios. Isto diz muito sobre a escala de valores de quem nos governa.
Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal. O Primeiro-ministro chegou ao absurdo de tentar processar um operador de câmara mostrando que, mais do que tudo, o objectivo deste frenesim litigante é intimidar todos os que trabalham na comunicação social independentemente das suas funções, para que não toquem na matéria proibida. Mas pode haver indícios ainda piores. Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção. Se isso acontecer é a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais. Não havendo legislação censória está a tentar estabelecer-se uma clara distinção entre "bons" e "maus" órgãos de informação com advertências de que os "maus" serão punidos com inclemência. O Primeiro-ministro, nas declarações que transmitiu na TV do Estado, fez isso clara e repetidamente. Pródigo em elogios ad hominem a quem não o critica, crucifica quem transmite notícias que lhe são adversas. Estabeleceu, por exemplo, a diferença entre "bons jornalistas", os que ignoram o Freeport, e os "maus jornalistas" ou mesmo apenas só "os maus", os que o têm noticiado. Porque esses "maus" não são sequer jornalistas disse, quando num exercício de absurdo negou ter processado jornalistas e estar a litigar apenas contra os obreiros dos produtos informativos "travestidos" que o estavam a difamar. E foi num crescendo ameaçador que, na TV do Estado, o Chefe do Governo admoestou urbi et orbi que, por mais gritantes que sejam as dúvidas que persistem, colocar-lhe questões sobre o Freeport é "insultuoso", rematando com um ameaçador "Não é assim que me vencem". Portanto, não estamos face a um processo de apuramento de verdade. Estamos face a um combate entre noticiadores e noticiado, com o noticiado arvorando as armas e o poder que julga ter, a vaticinar uma derrota humilhante e sofrida aos noticiadores. Há um elemento que equivale a uma admissão de culpa do Primeiro-Ministro nas tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública: a saída extemporânea de Fernanda Câncio de um painel fixo de debate na TVI sobre a actualidade nacional onde o Freeport tem sido discutido com saudável desassombro, apregoa a intolerância ao contraditório.
Assim, com uma intensa e pouco frequente combinação de arrogância, inabilidade e impreparação, com uma chuva de processos, o Primeiro-Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril.»
Mário Crespo - Jornal de Notícias

domingo, 26 de abril de 2009

Afinal, era tudo mentira: os Xutos gostam de Sócrates

Fiquei ontem a saber que, afinal, era tudo mentira: uma tal banda de nome Xutos & Pontapés, autora de uma música que, segundo me disseram, está muito em voga, de nome Sem Eira Nem Beira, e onde se fala constantemente num tal «senhor engenheiro» e em «enganar o povo que acreditou» e que «esta merda vai mudar» e expressões um pouco mais hard (fui ouvir a música e é verdade que diz isso e muito mais), nunca teve em mente criticar o engenheiro José Sócrates. Nunca. Declaram-no com todas as letras e com toda a falta de vergonha, na edição desta semana do Sol. Um dos membros dessa banda, de sua graça Zé Pedro, diz mesmo: «Não queremos ser embrulhados em coisas políticas» e «eu gosto muito do Sócrates».
Portanto, aquela coisa, na letra da canção, de «senhor engenheiro» para a frente e «senhor engenheiro» para trás foi coincidência, não tem nada que ver com o engenheiro José Sócrates, primeiro-ministro do Governo de Portugal. A outra coisa que por lá se ouve de «enganar o povo que acreditou» não só não se relaciona minimamente com o engenheiro Sócrates como não tem nada que possa ser ligado com o embrulho da política. Finalmente, a parte que diz «esta merda vai mudar» também não tem qualquer relação com a tal política nem com o tal engenheiro, é mesmo tão só e apenas uma coisa escatológica.
Quanto ao declarado gosto que manifestam por Sócrates, devemos ter presente que é, obviamente, uma apreciação pessoal ou estética ou afectiva ou de outra índole qualquer, mas não política.
Isto levanta um problema, porque a única utilidade que aquela música poderia ter era mesmo ser uma crítica política, mas como, pelos vistos, não é, então, não tem serventia nenhuma. A música é péssima e a letra, ficamos agora a saber, é ininteligível. Serve então para quê? Para ouvir não é, certamente.
Veio-me agora à memória um antigo programa da rádio. Esse programa tinha uma rubrica de crítica diária a toda a música xunga que fosse editada. O locutor, depois de passar à lupa a mediocridade da letra e da música da canção, encerrava a crítica sempre com a mesma frase: «Este disco é intocável, mas de certeza que não é inquebrável», e depois partia-o.
Claro que foi uma mera coincidência ter-me lembrado disto, não tem nada que ver com o tal disco do grupo dos pontapés...

Pensamentos de domingo

«Quem votou num político pró-aborto como Barack Obama deve abster-se de receber a comunhão até que se reconcilie com Deus.»
Jay-Scorr Newman, padre na Carolina do Sul, Sol.

«A melhor coisa para um jogador de futebol é arranjar uma boa mulher.»
Luiz Filipe Scolari, The Mail on Sunday.

«Eu sou a prova viva de que as loiras não são burras»
Paris Hilton, actriz, Contigo!

Kenny Garrett