terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Faltam 4 dias



2 de Março

10:00 Praça da República | Horta 

14:00 Praça 5 de Outubro | Torres Novas 

14:30 Praça 25 de Abril | Caldas da Rainha 

15:00 Avenida Central | Braga. Praça da República | Coimbra. Praça do Município| Covilhã. Embaixada Portuguesa | Londres. Parque da Cerca | Marinha Grande. Consulado Geral de Portugal | Paris. Largo 2 de Março | Ponta Delgada. Praceta Alves Redol | Santarém. Jardim em frente ao Colégio | Tomar. Praça da República | Viana do Castelo.

16:00 Estação CP | Aveiro. Largo do Museu | Beja. Praça do Município | Castelo Branco. Largo das Freiras | Chaves. Estação da CP | Entroncamento. Praça do Giraldo | Évora. Largo do Carmo | FaroPraça do Município | Funchal. Praça Velha | Guarda. Fonte Luminosa | Leiria. Praça Marquês de Pombal | Lisboa. Praça da República (Mercado) | Loulé. Praça Manuel Teixeira Gomes | Portimão. Praça da Batalha | Porto. Frente à Câmara Municipal | Vila Real. Jardim de Santa Cristina | Viseu

16:30 Praça da República | Portalegre.

17.00 Consulado Geral de Portugal | Barcelona.

18:00 Boston Public Library | Boston.

Nacos

«Mas como o meu pai quase lhe chamou louca ao saber dos livros que ela pretendia dar-me, voltara pessoalmente a Jouy-le-Vicomte, à livraria, para que eu não corresse o risco de não ter o meu presente (era um dia quentíssimo, e regressara tão indisposta que o médico avisara a minha mãe para não a deixar fatigar-se daquele modo) e mudara para os quatro romances campestres de George Sand. "Minha filha", dizia ela à minha mãe, "eu não era capaz de me decidir a dar a esta criança qualquer coisa mal escrita."
A verdade é que ela nunca se resignava a comprar fosse o que fosse de que não se pudesse retirar algum proveito intelectual, e sobretudo aquele que nos é proporcionado pelas coisas belas ao ensinar-nos a procurar o nosso prazer fora das satisfações do bem-estar e da vaidade. Mesmo quando tinha que dar um presente chamado útil, quando tinha que dar um cadeirão, talheres, uma bengala, procurava que fossem "antigos", como se, apagado pelo seu longo desuso o carácter de utilidade, parecessem mais preparados para nos contarem a vida dos homens de antigamente que para servirem as necessidades da nossa.»
                                   Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido - Do Lado de Swann, Relógio D'Água.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Faltam 5 dias


A elite dos comentantes

Às nossas elites política, financeira e patronal, que são responsáveis pelo estado em que nos encontramos, junta-se uma quarta elite, igualmente responsável e igualmente medíocre, a elite dos nossos comentadores profissionais. 
Bem pagos e bem instalados na vida, muitos destes comentadores têm a sua existência justificada pela circunstância de serem produto visual do sistema dominante. Conscientes dessa circunstância, assumem, nos órgãos de comunicação social, o papel de replicantes das ideias e dos valores do sistema que os gerou. Replicam ideias e valores e replicam interesses. Os do sistema e os seus. Alguns desses comentadores, os mais zelosos e zelotas, não resistem à tentação de expor o que julgam ser pensamento próprio. Quando isto sucede, o embuço que lhes oculta as intenções, o carácter e a inteligência, de pouco serve. Hoje de manhã, na televisão pública, um destes comentantes perguntou, em português macarrónico, que eu transcrevo fielmente: «Se eu tiver um licenciado de pessoas em história ou pessoas para serem professores, qual é a utilidade para a economia, então se nós não precisamos deles?»
Seria uma jactura de tempo responder a esta burlesca pergunta, mas certamente que já não será uma jactura, nem de tempo nem de sentido, interrogar se há alguma utilidade para a economia, ou para o que for, termos comentantes desta natureza e género? Alguém precisa deles?

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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Faltam 6 dias


Momento quase filosófico

O culto do eu, tão difundido, começa muitas vezes pelo denegrimento do próprio. Assim o mostra esta história judia contemporânea que se conta actualmente em Israel.

Três rabinos sentaram-se no banco de trás de um táxi. O primeiro suspira e diz:
— Quando pendo em Deus, vejo que não sou grande coisa.
O segundo rabino diz ao primeiro:
— Se tu não és grande coisa, então eu, que sou? Nada.
O terceiro rabino diz ao segundo:
— Se tu não és nada, então eu o que sou? Menos que nada! Estou abaixo de tudo!
O taxista volta-se nesse momento e diz:
— Mas se os senhores falam dessa maneira, se dizem que não são nada, então eu o que sou? Nem há palavras para me descrever! Não existo!
Os três rabinos olharam para ele e disseram:
— Mas o que é que ele tem a ver com isto?
Jean-Claude Carrière, Tertúlia de Mentirosos, Teorema (adaptado).

Yusef Lateef

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Faltam 7 dias

2 de Março

10:00 Praça da República | Horta 

14:00 Praça 5 de Outubro | Tomar 

14:30 Praça 25 de Abril | Caldas da Rainha 

15:00 Avenida Central | Braga. Praça da República | Coimbra Praça do Município| Covilhã Embaixada Portuguesa | Londres Parque da Cerca | Marinha Grande Largo 2 de Março | Ponta Delgada Jardim em frente ao Colégio | Tomar Praça da República | Viana do Castelo 

16:00 Estação CP | Aveiro. Largo do Museu | Beja. Praça do Município | Castelo Branco. Largo das Freiras | Chaves. Largo do Carmo | Faro. Praça do Município | Funchal. Fonte Luminosa | Leiria. Praça Marquês de Pombal | Lisboa. Praça da República (Mercado) | Loulé. Praça Manuel Teixeira Gomes | Portimão. Praça da Batalha | Porto. Frente à Câmara Municipal | Vila Real. Jardim de Santa Cristina | Viseu

18:00 Boston Public Library | Boston

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Faltam 8 dias


É extraordinária a diferença entre o que se passa com os responsáveis directos pela situação em que o país está e o que se passa com todos os outros, isto é, com todos os portugueses que não tiveram nem têm responsabilidades na crise que vivemos.

Os responsáveis directos são, em primeiro lugar, os responsáveis políticos: o chefe e os membros dos dois últimos governos do PS e os deputados parlamentares que os sustentaram; o chefe e os membros do actual governo PSD-CDS e os deputados parlamentares que o sustentam. No primeiro conjunto, o dos ex-governantes e correligionários parlamentares, impressiona a arrogância com que publicamente opinam, impressiona a cada vez maior presença e o tempo que ocupam nos meios de comunicação social e impressiona o estatuto de inimputabilidade com que se auto-consideram. O desgraçado estado do país parece nada ter que ver com eles...

No segundo conjunto, o dos actuais governantes e correligionários parlamentares, impressiona a escandalosa falta de seriedade política, impressiona a inimaginável incompetência de que enfermam e impressiona a absoluta ausência de vergonha que revelam. O desgraçado estado do país também parece nada ter que ver com eles...

Um outro grupo de responsáveis directos por aquilo que estamos agora a passar é formado pelos líderes e por toda a nossa elite financeira. BCP, BPI e BES, financiaram e incentivaram até ao limite do inconcebível a dívida pública e financiaram e incentivaram descaradamente a dívida privada, que agora dizem ser excessiva. A isto acresce a monstruosa vigarice financeira que parte dessa elite promoveu no BPN (e no BPP), e que todos estamos a pagar. 
Contudo, os ex-presidentes e actuais presidentes dos conselhos de administração do BCP, do BPI, do BES falam publicamente como se nada do que se passou e passa no país tivesse que ver com eles. Têm até o atrevimento de, com insolência, fazer exigências quanto à capacidade de sofrimento dos portugueses. Ou de, sem sombra de envergonhamento, tentarem fugas ao fisco de milhões de euros.

Da vigarice financeira realizada no BPN, sabemos apenas que o seu ex-presidente está confortavelmente sob prisão domiciliária e conseguimos recordar-nos de como se sentiu divertido no momento em foi inquirido no parlamento. Dos restantes acusados sabemos que pouco ou nada lhes sucedeu. Todavia, soubemos há semanas pelo Expresso que alguns dos responsáveis do BPN (já condenados pelo Banco de Portugal) foram premiados com cargos de direcção na empresa pública Parvalorem, precisamente a empresa criado pelo Estado para procurar recuperar os muitos milhões de euros em dívida ao banco nacionalizado. Três exemplos:
— Armando Pinto, ex-director do departamento jurídico e ex-administrador do BPN, foi condenado pelo Banco de Portugal a uma multa de 200 mil euros e ficou proibido de trabalhar em instituições financeiras durante cinco anos, é agora director da Parvalorem; 
— Gabriel Rothes, ex-administrador do BPN, foi condenado pelo Banco de Portugal a uma multa de 175 mil euros e ficou proibido de trabalhar em instituições financeiras durante três anos, é agora director da Parvalorem; 
— Jorge Rodrigues, ex-director do BPN, foi condenado pelo Banco de Portugal a uma multa de 350 mil euros e ficou proibido de trabalhar em instituições financeiras durante cinco anos, é agora director da Parvalorem.

Todos estes, dos políticos aos financeiros, são responsáveis directos pela situação em que vivemos, todavia, para além da impunidade de que gozam, alguns são ainda objecto de premiação. 
Em contrapartida, os portugueses que não dirigiram o país, nem política nem financeiramente, que não tiveram nem têm responsabilidades na crise em que nos encontramos, são despedidos e atirados para o empobrecimento irreversível ou são objecto de brutais penalizações nas pensões, nos vencimentos e nos impostos. E são acusados de terem vivido acima das suas possibilidades.

Esta diferença de tratamento é insuportável e tem de lhe ser colocado um fim. A realidade tem de ser virado ao contrário. O próximo dia 2 de Março poderá marcar o princípio dessa viragem.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Faltam 9 dias


Poemas

PALMEIRAS

As árvores a copa orvalhada de sol
Rectas. Dou ao meu sol a seiva evaporada.
O sol repousa sobre o mármore das folhas
Como a água do mar no fundo adormecido.

O céu é de um só bloco a terra é vertical
E as sombras das árvores continuam as árvores.

Paul Éluard
(Trad.: Manuel Bandeira)

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Faltam 10 dias


Aliança PS-PSD

Li, no Negócios online, que Francisco Assis defende uma coligação do PS com o PSD, se, nas próximas eleições legislativas, os socialistas vencerem sem maioria absoluta. Na mesma entrevista, Assis insurge-se contra quem tem protagonizado apupos a Passos Coelho e a outros membros do governo e contra a linguagem extremista que tem sido utilizada no parlamento.
Nenhuma destas posições suscita admiração.
No passado do comportamento político de Francisco Assis, recordo três episódios que o definem — um positivo, mas já muito longínquo no tempo, e dois muito negativos, do passado recente:
— o primeiro refere-se à coragem política e pessoal que revelou aquando dos inenarráveis acontecimentos de Felgueiras; 
— o segundo refere-se à manifesta ausência de verticalidade e à não menos manifesta ostentação de cinismo político, aquando da permissão dada pelo parlamento à escandalosa fuga de impostos promovida pela administração da PT, concretizada através da antecipação, para 2010, da distribuição de dividendos aos accionistas, que deveriam ser pagos apenas em 2011 com mais pesados impostos. Nessa altura, Assis veio à televisão justificar a recusa do PS em tomar uma iniciativa legislativa que impedisse tal fuga, porque isso, cito: «defraudaria uma justificada expectativa dos accionistas da PT em pagarem menos impostos do que aqueles que, a partir de 2011, teriam de passar a pagar» (foi pena que, na altura, Assis só tivesse levado em consideração as «legítimas expectativas» dos accionistas da PT e não tivesse levado em conta as (ilegítimas?) expectativas dos pensionistas e dos funcionários públicos, a quem o PS decidiu cortar entre 5 e 10% das respectivas pensões e vencimentos, nesse mesmo ano);
— o terceiro refere-se à falta de pudor político que revelou na defesa e na idolatria que promoveu à figura de Sócrates, cujo ponto alto foi o célebre congresso/comício-panegírico, realizado em Matosinhos, em 2011.
Na realidade, Assis continua a ser um representante do socratismo, cujas políticas — nas finanças, na economia, na educação, na justiça e nas obras públicas — conduziram o país a um nível de degradação nunca atingido anteriormente. Assis foi co-responsável por essas políticas e, hoje, ao vir defender uma possível aliança com o PSD, Assis confirma o que já se sabia: não deve ser alimentada nenhuma esperança de construção de uma nova política para o país, se essa esperança depender da ala do PS ligada a Sócrates.
As ideias e a prática política destes dirigentes socialistas não podem ter lugar em nenhum cenário alternativo ao actual governo. Na verdade, as suas ideias e as suas práticas não foram nem nunca serão alternativas às políticas do PSD, as suas ideias e as suas práticas foram e continuarão a ser coadjuvantes das políticas do PSD. Assis é um exemplo objectivo dessa coadjuvação.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Faltam 11 dias



Nacos

«Quando estas voltas da minha avó pelo jardim tinham lugar depois do jantar, havia uma coisa com o poder de a fazer regressar: era, num dos momentos em que o giro do seu passeio a fazia passar periodicamente, como um insecto, diante das luzes da saleta onde eram servidos os licores na mesa de jogo, quando a minha tia-avó lhe gritava: "Bathilde! Vê lá se vens impedir o teu marido de beber conhaque!" Com efeito, para a arreliar (ela trouxera para a família do meu pai um espírito tão diferente que toda a gente brincava com ela e a apoquentava), como os licores estavam proibidos a meu avô, a minha tia-avó dava-lhe a beber algumas gotas. A minha pobre avó entrava e rogava ardentemente ao marido que não tocasse no conhaque; ele zangava-se, bebia mesmo assim a sua golada, e a avó ia-se embora triste, desanimada, mas apesar de tudo sorridente, porque era tão humilde de coração, e tão doce, que a sua ternura pelos outros e o pouco caso que fazia da sua própria pessoa e dos seus sofrimentos se lhe conciliavam no olhar, num sorriso onde, ao contrário do que se vê no rosto de muitos humanos, só para ela própria havia ironia, enquanto para nós todos havia como que um beijo de olhos, que não podiam ver aqueles que amava sem os afagar apaixonadamente com o olhar.»
Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido - Do Lado de Swann, Relógio D'Água.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Faltam 12 dias




2 de Março de 2013

10:00
Praça da República | Horta

14:30
Praça 25 de Abril | Caldas da Rainha

15:00
Avenida Central | Braga
Embaixada Portuguesa | Londres
Parque da Cerca I Marinha Grande
Praça da República | Viana do Castelo

16:00
Praça do Município | Castelo Branco
Largo das Freiras | Chaves
Praça do Município | Funchal
Fonte Luminosa | Leiria
Praça Marquês de Pombal | Lisboa
Praça da Batalha | Porto

18:00
Boston Public Library | Boston


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