domingo, 14 de outubro de 2012
13 de Outubro: arte e resistência
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Ontem, na Praça de Espanha, em Lisboa, como em várias outras cidades dos país, ouviram-se muitas canções, músicas e palavras cantadas, escritas e ditas durante a ditadura. Muitos de nós pensávamos que não seria necessário voltar a viver o sentido original com que muitas delas foram criadas. Estranhamente, trinta e oito anos depois de Abril, todos sentimos a brutal actualidade daquelas cantigas e daqueles poemas. E sentimos a força que a palavra «Resistência» trás consigo. E sentimos que vamos ter pela frente uma luta dura que terá de ser levada até ao fim, porque há limites que nenhum conceito de dignidade admite que sejam ultrapassados.
sábado, 13 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Exames nacionais - apontamentos (17)
Nos textos anteriores, procurei apresentar as principais razões pelas quais divirjo da ideia que preconiza que os exames nacionais devem ter um peso determinante na aprovação do aluno e que devem ser generalizados a todas as disciplinas, no final de cada ciclo de estudos. Tendo presente as finalidades que actualmente são atribuídas aos exames nacionais, e outras que no futuro próximo se prevêem vir a ser atribuídas, torna-se claro que estas provas não conseguem/não podem cumprir essas finalidades de modo credível e fiável. Seria certamente útil assumir esta realidade e não fazer dos exames nacionais superlativos instrumentos de avaliação, porque na realidade não o são. Têm demasiadas limitações e deficiências para poderem ser assim considerados. Vender a ilusão de rigor avaliativo, a pais e a alunos, apenas para satisfação ideológica de alguns políticos, de alguns opinadores e de alguns professores não é aceitável.
A ideia oposta à da proliferação dos exames é a ideia que preconiza a abolição completa dos exames.
Todavia, a abolição dos exames necessita de um contexto que permita e aconselhe essa abolição. É condição de possibilidade dessa abolição a existência de uma cultura de trabalho, de disciplina e de exigência assimilada por todos os intervenientes no processo educativos: pais, alunos e professores. Esta cultura não se decreta, não se impõe, tem de ser desenvolvida ao longo de décadas. Há países onde esta cultura existe e onde os exames foram suprimidos ou apenas são realizados em número reduzido. Não tenho nenhuma dúvida de que este é o caminho a seguir.
É estranho, contudo, que muitos dos que defendem a abolição dos exames não enfatizem aquilo que é primordial enfatizar, para que o fim dos exames seja possível, e que é, justamente, os valores do trabalho, do rigor, da disciplina e da exigência. O discurso que defende estes valores tem sido inexplicavelmente monopólio dos que apresentam os exames como instrumento fundamental de concretização desses valores. Esta associação (entre exames e exigência) é aceite por muitos como natural e a própria sociedade interiorizou-a. Porém, como as objectivas limitações e deficiências dos exames revelam abundantemente, estas provas podem ser tudo, mas nunca um instrumento de rigor e de exigência.
A abolição dos exames implica, portanto, um política educativa que releve a relação biunívoca entre direitos e deveres, que valorize o trabalho e que combata o facilitismo, presente na mente de muitos alunos. Que seja exigente com os professores, mas que primeiramente lhes dê condições de trabalho, de dignidade e de autoridade. Mas tem de ser um política educativa que desde logo não tenha receio de ser exigente com os pais. Estes são os primeiros e os principais responsáveis pela educação dos filhos e essa responsabilidade não pode ser passada a ninguém nem a nenhuma instituição. Evidentemente que um Estado exigente com os pais tem de ter uma política social compatível com essa exigência e tem ele próprio de ser um exemplo de exigência consigo mesmo.
Desgraçadamente, o nosso país tem vivido de políticas educativas contraditórias, onde se amontoam conceitos incongruentes e práticas inconsequentes. Alternamos entre facilitismos provincianos e exigências só de aparência, entre concepções burocráticas de ensino e o «deixar andar», entre aventureirismo e arrogâncias e senso comum pouco ilustrado. Balançamos entre o desejo de equiparar o aluno ao professor e a vontade de implementar o autoritarismo. Não temos rumo, apesar de nos anunciarem sempre que ele existe. Em matéria educativa (como, lamentavelmente, em várias outras matérias) somos vítimas objectivas do diletantismo político.
Neste contexto de caos conceptual e orgânico, e de inexistência de uma cultura de responsabilidade e de responsabilização, não é possível falar em abolição de exames. Ainda que por péssimas razões, os exames nacionais trazem associados a si a ideia de que é necessário trabalhar mais e de modo mais organizado — é lamentável que assim seja, é lamentável que se tenha chegado a um ponto tal de degradação educativa que os exames sejam utilizados como «motivação» para que se trabalhe mais e melhor...
Não sendo possível, neste momento, proceder à abolição dos exames, são, na minha opinião, necessárias quatro prerrogativas para que eles sejam minimamente aceitáveis:
Primeira, usar de muita parcimónia no discurso sobre os exames. Ter humildade e reconhecer que estamos perante um instrumento de avaliação de fraca fidelidade/fiabilidade e com vastíssimos inconvenientes. Acabar, por conseguinte, com as palavras inflamadas e irresponsáveis acerca de uma alegada superlativa importância dos exames. Assumir que os exames são um «mal menor» e que, a prazo, devemos caminhar para a sua abolição ou para uma situação em que se tornem residuais no sistema educativo;
Segunda, realizar exames de modo selectivo — não de forma generalizada a todas as disciplinas e em todos os ciclos de ensino e nunca com peso determinante na aprovação do aluno.
Terceira, realizar provas centradas exclusivamente no tipo de aprendizagens que podem ser avaliadas com maior fidelidade, e não a todo o tipo de aprendizagens, como agora incompreensivelmente é feito.
Quarta, os exames podem/devem ser realizados a diferentes disciplinas alternada e aleatoriamente.
Concluo aqui alguns apontamentos que fui coligindo sobre a realização de exames nacionais.
Todavia, a abolição dos exames necessita de um contexto que permita e aconselhe essa abolição. É condição de possibilidade dessa abolição a existência de uma cultura de trabalho, de disciplina e de exigência assimilada por todos os intervenientes no processo educativos: pais, alunos e professores. Esta cultura não se decreta, não se impõe, tem de ser desenvolvida ao longo de décadas. Há países onde esta cultura existe e onde os exames foram suprimidos ou apenas são realizados em número reduzido. Não tenho nenhuma dúvida de que este é o caminho a seguir.
É estranho, contudo, que muitos dos que defendem a abolição dos exames não enfatizem aquilo que é primordial enfatizar, para que o fim dos exames seja possível, e que é, justamente, os valores do trabalho, do rigor, da disciplina e da exigência. O discurso que defende estes valores tem sido inexplicavelmente monopólio dos que apresentam os exames como instrumento fundamental de concretização desses valores. Esta associação (entre exames e exigência) é aceite por muitos como natural e a própria sociedade interiorizou-a. Porém, como as objectivas limitações e deficiências dos exames revelam abundantemente, estas provas podem ser tudo, mas nunca um instrumento de rigor e de exigência.
A abolição dos exames implica, portanto, um política educativa que releve a relação biunívoca entre direitos e deveres, que valorize o trabalho e que combata o facilitismo, presente na mente de muitos alunos. Que seja exigente com os professores, mas que primeiramente lhes dê condições de trabalho, de dignidade e de autoridade. Mas tem de ser um política educativa que desde logo não tenha receio de ser exigente com os pais. Estes são os primeiros e os principais responsáveis pela educação dos filhos e essa responsabilidade não pode ser passada a ninguém nem a nenhuma instituição. Evidentemente que um Estado exigente com os pais tem de ter uma política social compatível com essa exigência e tem ele próprio de ser um exemplo de exigência consigo mesmo.
Desgraçadamente, o nosso país tem vivido de políticas educativas contraditórias, onde se amontoam conceitos incongruentes e práticas inconsequentes. Alternamos entre facilitismos provincianos e exigências só de aparência, entre concepções burocráticas de ensino e o «deixar andar», entre aventureirismo e arrogâncias e senso comum pouco ilustrado. Balançamos entre o desejo de equiparar o aluno ao professor e a vontade de implementar o autoritarismo. Não temos rumo, apesar de nos anunciarem sempre que ele existe. Em matéria educativa (como, lamentavelmente, em várias outras matérias) somos vítimas objectivas do diletantismo político.
Neste contexto de caos conceptual e orgânico, e de inexistência de uma cultura de responsabilidade e de responsabilização, não é possível falar em abolição de exames. Ainda que por péssimas razões, os exames nacionais trazem associados a si a ideia de que é necessário trabalhar mais e de modo mais organizado — é lamentável que assim seja, é lamentável que se tenha chegado a um ponto tal de degradação educativa que os exames sejam utilizados como «motivação» para que se trabalhe mais e melhor...
Não sendo possível, neste momento, proceder à abolição dos exames, são, na minha opinião, necessárias quatro prerrogativas para que eles sejam minimamente aceitáveis:
Primeira, usar de muita parcimónia no discurso sobre os exames. Ter humildade e reconhecer que estamos perante um instrumento de avaliação de fraca fidelidade/fiabilidade e com vastíssimos inconvenientes. Acabar, por conseguinte, com as palavras inflamadas e irresponsáveis acerca de uma alegada superlativa importância dos exames. Assumir que os exames são um «mal menor» e que, a prazo, devemos caminhar para a sua abolição ou para uma situação em que se tornem residuais no sistema educativo;
Segunda, realizar exames de modo selectivo — não de forma generalizada a todas as disciplinas e em todos os ciclos de ensino e nunca com peso determinante na aprovação do aluno.
Terceira, realizar provas centradas exclusivamente no tipo de aprendizagens que podem ser avaliadas com maior fidelidade, e não a todo o tipo de aprendizagens, como agora incompreensivelmente é feito.
Quarta, os exames podem/devem ser realizados a diferentes disciplinas alternada e aleatoriamente.
Concluo aqui alguns apontamentos que fui coligindo sobre a realização de exames nacionais.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Nacos
Canto VII
71
O mundo que nasce é de imediato atacável, e assim está bem.
Bloom, contou Anish a Shankra, não gosta que os factos
de uma semana rimem entre si. Agrada-lhe a surpresa,
tanto mais quando ela surge no último instante.
Às 23 horas e cinquenta minutos
o dia ainda tem 10 minutos para explodir
indiscretamente. Nada é firme antes de terminar.
E depois de terminar, tudo morreu. A firmeza
e a imortalidade não existem porque são o mesmo
e nenhuma existe.
72
E Bloom é homem de bom ouvido, disse ainda Anish
a Shankra. Com facilidade distingue a música obesa
da outra, da simples, da que aparece num ponto
e vai directamente para o destino, sem adjectivos
sonoros. Quem ouve boa música merece
— diria um optimista —
nascer noutra vida como flor — mas Bloom nunca falaria assim.
No azul deveremos enterrar a nossa estaca.
É assim que ele pensa. Não é ingénuo:
sabe que as belas cores querem dos nossos
olhos a estúpida e parada admiração.
Prefere a sujidade que ainda pode ser limpa.
71
O mundo que nasce é de imediato atacável, e assim está bem.
Bloom, contou Anish a Shankra, não gosta que os factos
de uma semana rimem entre si. Agrada-lhe a surpresa,
tanto mais quando ela surge no último instante.
Às 23 horas e cinquenta minutos
o dia ainda tem 10 minutos para explodir
indiscretamente. Nada é firme antes de terminar.
E depois de terminar, tudo morreu. A firmeza
e a imortalidade não existem porque são o mesmo
e nenhuma existe.
72
E Bloom é homem de bom ouvido, disse ainda Anish
a Shankra. Com facilidade distingue a música obesa
da outra, da simples, da que aparece num ponto
e vai directamente para o destino, sem adjectivos
sonoros. Quem ouve boa música merece
— diria um optimista —
nascer noutra vida como flor — mas Bloom nunca falaria assim.
No azul deveremos enterrar a nossa estaca.
É assim que ele pensa. Não é ingénuo:
sabe que as belas cores querem dos nossos
olhos a estúpida e parada admiração.
Prefere a sujidade que ainda pode ser limpa.
Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia, Caminho.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Um imenso Portugal dos Pequeninos
Sem ir muito lá atrás: primeiro foi o corte na TSU — uma medida repleta de virtualidades e de promissores resultados, em que alegremente se esvaziava o bolso dos assalariados e se enchia o bolso dos proprietários das empresas; depois foi o anunciado «enorme» aumento de impostos — uma medida inevitável para garantirmos o cumprimento dos compromissos assumidos com a troika; a seguir foi o anunciado brutal aumento do IMI — uma receita essencial para ajudar a baixar o défice; ontem foi o anunciado despedimento de cerca de 40 mil contratados ao serviço do Estado — porque é preciso reduzir despesas.
O que há de comum a todas estas notícias é a sua origem: o governo de Portugal. O que igualmente há de comum a todas estas notícias é que, depois de formalmente anunciadas, são, dias depois, anuladas ou alteradas ou... «mitigadas».
Governar o país transformou-se numa brincadeira de diz e desdiz, de faz e não faz. O país transformou-se num imenso Portugal dos Pequeninos, onde tudo é possível, onde ninguém é responsável por coisa alguma, onde todos se permitem adiantar palpites, onde todos podem fazer a sua traquinice.
É uma medonha e assustadora irresponsabilidade que neste momento nos governa. Santana Lopes foi demitido por muitíssimo menos.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Um e-mail esclarecedor
A propósito do post «Da falta de competência e de respeito», recebi um elucidativo e-mail do qual transcrevo um excerto:
«Desde que entrou em vigor a reorganização curricular, que transformou as aulas de 50' em 45', cada escola passou a distribuir o conjunto de horas atribuídas às áreas disciplinares (incluíam e incluem várias disciplinas em cada área) de forma diferente, com a agravante de não ter havido alteração dos respetivos programas.No caso, por exemplo, de Inglês do 2º ciclo, continua a ter de se "encaixar" um programa feito para 200' semanais (desde 1996) em cargas horárias de 135'. Aliás, penso que tal acontece(u) em quase todas as disciplinas dos 2º e 3º ciclos do ensino básico.[...] Em disciplinas que implicam sequências de conteúdos em espiral, caso das línguas estrangeiras, a impossibilidade de se contemplar nas planificações anuais os conteúdos obrigatórios estipulados nos programas (ainda em vigor) origina uma bol(s)a de conteúdos a serem dados no/s ano/s de escolaridade seguinte/s que vai aumentando de forma assustadora! Presentemente, com a junção dos agrupamentos em mega-agrupamentos, esta constatação chega, factual e finalmente, ao conhecimento do ensino secundário que, só agora, "percebe" a/s razão/ões pela/s qual/is os conteúdos dos anos anteriores não são lecionados na sua totalidade.Com a atual reorganização curricular, o problema mantém-se e, em algumas escolas, está agora a surgir, pois foi-lhes reduzida a carga horária semanal a língua estrangeira! Se forem implementados exames a mais disciplinas sem se alterarem os programas, vai ser interessante ver o que vai acontecer!Claro que há sempre a quem atribuir as culpas: ao corpo docente, como não podia deixar de ser!»AC
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Um caso de estudo
Como é humanamente possível reunir tanta incapacidade para governar um país como o nosso, que tem uma área geográfica pequena, que é pouco populoso e cuja gente tem uma evidente tendência para a pacatez?
Como é humanamente possível governar tão mal um país que não tem conflitos internos, que se dá bem com tudo o que é estrangeiro, que tem um clima invejado por muitos, que se situa no centro do mundo ocidental, que está a um pé de África, que tem uma língua falada em todos os cantos do planeta e que já há muitos anos não se mete em guerras com ninguém?
Como é humanamente possível termos elites tão incompetentes, cujo resultado da sua acção é a contínua degradação do país, desde há décadas?
A história da humanidade, um dia, há-de estudar o nosso caso...
domingo, 7 de outubro de 2012
Debate das políticas educativas
Decorreu ontem, no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, o Encontro denominado «A Blogosfera e a Discussão das Políticas Educativas em Portugal». Esta iniciativa foi organizada pelos blogues Ad Duo, A Educação do Meu Umbigo, Blog de Arlindo, Correntes, Educar a Educação, Professores Lusos.
Foi um dia marcado por intervenções de elevada qualidade de vários dos convidados, moderadores e participantes. A quantidade da informação fornecida e a qualidade das análises, das propostas e das reflexões apresentadas ultrapassaram as melhores expectativas. Os temas tratados foram: modelos de gestão; vinculação dos professores contratados; gestão das expectativas dos docentes; burocracia e desinformação; autonomia/centralismo.
Seria bom que muitos daqueles que têm obrigação institucional de conhecer e de resolver os problemas da Educação no nosso país estivessem tão bem preparados para o fazer como vários dos professores presentes neste encontro.
1.º Painel - Modelos de Gestão
Mário Carneiro, Paulo Prudêncio (moderador), Ricardo Silva.
2.º Painel - Vinculação: Ordinária ou Extraordinária?
Helena Mendes, Arlindo Ferreira (moderador), César Paulo, Jorge Costa.
3.º Painel - Gestão de expectativas e Da burocracia à desinformação na Educação
Ricardo Montes (moderador), Nuno Coelho, Luís Braga, Nuno Rolo (moderador).
4.º Painel - Autonomia/Centralismo
Rui Correia, Paulo Guinote (moderador), José Alberto Rodrigues.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Resultados fantásticos seguidos de um aumento de impostos fantástico
Ouvir o ministro das Finanças é um exercício pouco agradável. A forma e o conteúdo dos discursos que profere são quase sempre rebarbativos. Todavia, o que é mesmo grave é que já ninguém acredita em Vítor Gaspar. Pausadamente, este governante foi perdendo a credibilidade que lhe foi atribuída. Todas as certezas que afirmava, pausadamente, acabaram por não se confirmar. Todas as evidências que revelava, pausadamente, tornaram-se obscuridades ou falsidades. Pausadamente, o ministro das Finanças tem-se conduzido e tem-nos conduzido para o desastre.
Do que hoje pude ouvir da conferência de imprensa dada por Vítor Gaspar, retive o seguinte: os primeiros vinte minutos foram consumidos a informar-nos de que, com a política seguida pelo governo, temos alcançado resultados fantásticos — alguns deles atingidos muito antes do tempo previsto; os segundos vinte minutos foram consumidos a informar-nos de que, em 2013, vamos ter um fantástico aumento de impostos!
O que agora me preocupa, para além do brutal aumento de impostos, é que um homem verdadeiramente inteligente sente-se impedido de fazer dos outros insuficientes mentais...
terça-feira, 2 de outubro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Sobreviver a Rodrigues, Alçada e Crato
Sobreviver a Rodrigues, Alçada e Crato é uma tarefa quase impossível. A Educação, nos últimos oito anos, foi, e continua a ser, objecto da conjugação do pior que seria possível conjugar.
Ainda hoje é um mistério a razão que conduziu Rodrigues à pasta da Educação. Sem experiência política, sem currículo na área, sem perfil pessoal, o que esteve na base do convite que lhe foi dirigido? A razão não é conhecida, mas as consequências do seu exercício no cargo são desgraçadamente bem conhecidas.
Rodrigues conjugou incompetência, aventureirismo e irresponsabilidade. O rancor, de origem oculta, que sentia pelos professores, mais a profunda ignorância sobre a realidade educativa, mais a desequilibrada personalidade, mais o amontoado de pressupostos ideológicos primários que lhe preenchiam a mente resultaram em quatro anos de destruição do que ainda de positivo restava nas nossas escolas. Rodrigues foi quem pior tratou a Educação, desde o 25 de Abril.
Alçada partilhou com Rodrigues a impreparação para as funções e trouxe como novidade o patusco de querer substituir as ideias políticas por sorrisos. Politicamente foi um epifenómeno que infelizmente a nossa história não poderá esquecer, porque ela quis ser a continuidade de um desastre educativo.
Crato, antes de assumir as funções de ministro, vivia do brilho mediático. E como é costume nestas situações, quando as luzes do estrelato se apagam e nos confrontamos com a realidade que a luz do dia nos revela, normalmente não gostamos do que se vê. A impressionante desorientação que actualmente reina no ministério da Educação não surpreende, é o resultado normal de um pensamento educativo composto por meia dúzia de ideias de um senso comum não muito ilustrado.
O mais recente exemplo da anarquia que se vive neste ministério faz com que, neste momento, nas escolas com ensino nocturno haja professores a ter de abandonar as turmas que leccionavam à noite para irem leccionar os horários do ensino diurno pertencentes a professores que se encontram de atestado médico. Isto sucede porque Nuno Crato, apesar de ter dado indicações, por escrito, para serem abertas novas turmas dos cursos EFA, (desde que não fosse necessário contratar recursos humanos exteriores à escola) agora mandou encerrá-las. E de um dia para o outro a barafunda instalou-se nestas escolas. Mais uma vez, Crato revela não saber o que faz, e revela mais uma vez também que não tem respeito algum pelos alunos, que já haviam pago as suas matrículas, e pelos professores que já leccionavam as suas turmas. Mas isto é somente mais um exemplo.
O que na realidade importa é mesmo saber como é que, no nosso país, a Educação vai conseguir sobreviver a Rodrigues, a Alçada e a Crato.
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