quinta-feira, 13 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
O PIB cresceu e o revanchismo também
«Uma boa notícia de Portugal, afinal de contas, ter sido o campeão do crescimento no primeiro trimestre. Surpresa para muitos sobre o que têm dito sobre a economia portuguesa, alguns deles nitidamente a necessitar de mudar de manuais ou fazerem a revisão da matéria dada.»
Invariavelmente, Sócrates revela ser um político medíocre, sem estatura de estadista para exercer o cargo que ocupa. Invariavelmente, tem uma linguagem arruaceira, arrogante e revanchista, que pode ser própria de um membro de uma claque de futebol, mas não é, certamente, própria de um primeiro-ministro. É este género de discurso, que Sócrates monótona e repetidamente utiliza, que faz baixar irreversivelmente o nível do debate político, que o faz resvalar para um linguajar infantilizado, característico de meninos birrentos e mal-educados.
Em lugar de manifestar satisfação pelos resultados económicos agora divulgados, mas uma satisfação sóbria — até porque são resultados que, infelizmente, pouco ou nada asseguram quanto ao futuro —, Sócrates opta por ser fanfarrão e quezilento. Em lugar de ter alguma prudência e até humildade — se, por exemplo, tivesse presente as suas políticas desastrosas no ano anterior e as ameaças que até sexta-feira transacta o nosso país sofreu —, Sócrates revela leviandade e arrogância. Leviandade, porque canta vitória, quando a batalha pela recuperação económica e financeira ainda nem começou, e, arrogância, porque denota que aquilo que verdadeiramente lhe interessa não é que o País melhore, o que verdadeiramente o motiva e satisfaz é tentar denegrir, ainda que ingloriamente, os adversários políticos.
Nos momentos em que é pressionado pela voracidade dos mercados estrangeiros e é confrontado com a sua irresponsabilidade e aventureirismo, Sócrates enche o discurso com apelos à unidade nacional. Todavia, esses apelos valem o que a hipocrisia vale, na primeira oportunidade, por mais incipiente que ela seja (como agora foi a divulgação dos resultados económicos do primeiro trimestre do ano), Sócrates esquece a unidade e deleita-se no acinte.
Lamentavelmente, temos um primeiro-ministro desacreditado e sem autoridade, um primeiro-ministro que apenas acrescenta problemas aos problemas.
Às quartas
Durante um minuto permanecemos desconcertadamente juntos.
Perguntas a ti mesmo em que língua hás-de falar-me,
ofereces, antes, uma cebola avinagrada num palito.
És jovem e talvez esqueças
de que o Império vive
apenas nos sons puros das vogais que te ofereço
acima do ruído.
Eunice de Souza
(Trad.: Cecília Rego Pinheiro)
terça-feira, 11 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Registos do fim-de-semana
Obras públicas abalam Governo
PS deixa Alegre 'pendurado'
Nobre com militares de Abril
[Ricardo Rodrigues] 'é um homem leal, rigoroso e de princípios', diz Francisco Assis
Serviços públicos desafiam feriado
Constâncio admite adiar grandes obras públicas
Signatários de manifestos alteraram a sua posição: Opinião mudou entre os que defendiam as obras públicas
Ministério da Educação não aceita decisão judicial de suspender efeitos da avaliação
Comissão não pediu registos de entradas em São Bento
PGR já nem arrisca data para fim da Operação Furacão
Ministra da Educação recua na avaliação
Portugal e Espanha podem ser os próximos palcos de agitação
«Os líderes sindicais de cá não mobilizam os jovens» ( Marinús Pires de Lima)
BE salva seis parcerias público-privadas
— Bloco vota com PS em nome do investimento e do emprego —
Sócrates admite adiar aeroporto de Alcochete e terceira ponte do Tejo
SPM critica provas de aferição, ministra gaba quem as fez
Bancada do PS não dá tolerância de ponto aos funcionários
Bloco recusa consultar escutas da Face Oculta
José Penedos informava o filho, diz a Relação
Rui Pedro Soares quer que testemunho de Penedos no caso Taguspark seja anulado
Movimento para a criação de um partido regionalista a norte começa a ganhar forma
O PSD quer ser um partido atrevido
domingo, 9 de maio de 2010
Pensamentos de domingo
Virgílio Ferreira
«Sinto que progrido na medida em que começo a não entender nada de nada.»
Charles Ramuz
«O cãozinho rafeiro suspeita de que toda a gente conspira para lhe roubar o lugar.»
Rabindranath Tagore
sábado, 8 de maio de 2010
Ao sábado: momento quase filosófico
A propósito de Rousseau
Rousseau pensava que a história humana não é um processo progressivo, mas degenerativo ("Tudo sai bem das mãos do criador, tudo degenera nas dos homens", escreveu no seu livro Emílio). Esta era uma das muitas coisas que separavam Rousseau dos outros filósofos do Iluminismo (que assumiam uma visão progressista da história) e que provocou as piadas de Voltaire quando, depois de ler um livro de Rousseau, escreveu: "Até nos dá vontade de andar a quatro patas."»
sexta-feira, 7 de maio de 2010
ME retira avaliação do concurso
A incompetência política e técnica do Ministério da Educação continua intacta, ainda que, desta vez e finalmente, tenha sido penalizada. Já não era sem tempo.
Fragmenti veneris diei
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Não vá o diabo tecê-las...
Mas a realidade é o que é: aos olhos de alguma comunicação social, um deputado, em particular se for do partido do Governo, nunca rouba, apenas «toma posse», apenas «se apropria», apenas «leva consigo», apenas «fez desaparecer».
Não vá o diabo tecê-las e o senhor deputado ainda virar ministro ou secretário de Estado...
Um comportamento padrão
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Às quartas
Na ponte eu estava
Ao moreno anoitecer.
Distante veio um canto:
Douradas gotas corriam
Pela tremente planura.
Gôndolas, luzes, música —
Ébrias vogavam para o crepúsculo...
A minh'alma, uma lira,
Cantava-se, invisivelmente vibrada,
Oculta canção de gondoleiro,
Tremente de irisada beatitude —
Mas alguém ouvia?
Friedrich Nietzsche
(Trad.: Jorge de Sena)
O simulacro da avaliação
Afirmou, na Comissão Parlamentar da Educação, Ciência e Cultura, a propósito da contagem da avaliação no concurso dos professores contratados, que «Seria manifestamente injusto que os Excelente e Muito Bom neste momento vissem não ser considerada a avaliação do seu desempenho», e acrescentou: «A avaliação não é um simulacro que não serve para nada.»
Não há mais que duas possibilidades interpretativas: ou a ministra não faz a mínima ideia do que está a afirmar ou pretende igualar a sua antecessora na irresponsabilidade, no aventureirismo e na hipocrisia política.
A ministra da Educação sabe, ou tinha a obrigação de saber, que a avaliação realizada foi rigorosamente um simulacro. Foi um simulacro que deveria envergonhar quem o criou, quem o defendeu e quem o executou.
A ministra da Educação sabe, ou tinha a obrigação de saber, que uma avaliação só não é um simulacro se o método avaliativo for adequado e credível e se quem avalia estiver capacitado para o fazer. Ora, a ministra da Educação sabe, ou tinha a obrigação de saber, que nem uma coisa nem outra aconteceram.
Recorde-se apenas o que se passou, e ainda hoje continua a passar-se, com quem avalia, isto é, com os avaliadores que fizeram/fazem a avaliação da componente científico-pedagógica, através da observação de duas aulas. Sobre esta situação, a ministra da Educação sabe, ou tinha a a obrigação de saber, que:
1. As competências avaliativas, assim como outras, não são apenas matéria do domínio da forma, são, antes de mais, matéria do domínio da substância. Não é condição suficiente a lei determinar que alguém tem competência para realizar uma determinada função para que esse alguém passe a ter, substantivamente, essa competência. Neste domínio, como em vários outros, aquilo que é determinado pela lei constitui uma condição necessária, mas não constitui, de modo algum, uma condição suficiente;
2. Todos temos o direito a uma avaliação «justa, séria e credível», como é referido no preâmbulo do Decreto Regulamentar n.º 1-A/2009, de 5 de Janeiro. Todavia, para que esse direito se possa concretizar, é necessário que estejam reunidas as condições objectivas que possibilitem a realização efectiva de uma avaliação justa, séria e credível. Nomeadamente:
a) que os professores avaliadores tenham tido uma formação que os capacite para essa função. É sabido que avaliar alunos não é o mesmo que avaliar professores, nem isso confere competência para tal. Toda a literatura científica, nacional e estrangeira, sobre a matéria o confirma e o próprio Conselho Científico para a Avaliação de Professores também já o fez, quando explicitou que os professores avaliadores devem ser objecto de «uma formação especializada de carácter científico, técnico e profissional certificado, de média ou longa duração, realizada em parceria com instituições de ensino superior» (Recomendações N.º 5/CCAP/2009);
b) que o professor avaliador considere possível e se sinta capacitado para realizar uma avaliação justa, séria e credível, através da observação de duas (ou três) aulas, num reduzido espaço de tempo (um mês, como está a acontecer neste momento) e que será tida como avaliação de um ano lectivo.
Estas são as condições substantivas que permitem cumprir o dever de avaliar e satisfazer o direito de ser avaliado, com justiça, seriedade e credibilidade. Não são as condições formais (ser professor titular - a divisão da carreira ainda está plenamente em vigor!!) que, só por si, capacitam para avaliar com justiça, seriedade e credibilidade;
3. O Ministério da Educação ainda não implementou essa formação especializada para professores avaliadores. Não ministrou qualquer formação especializada no domínio da avaliação de professores nem mostrou como é possível proceder a uma avaliação justa, séria e credível observando apenas duas (ou três) aulas, num reduzido espaço de tempo;
4. Se isto se refere e aplica, em geral, à avaliação dos professores, com muito maior relevância se refere e aplica a uma avaliação que visa, predominantemente, apurar níveis de excelência na prática docente, como é o caso da avaliação que visa a atribuição de Muito Bom e de Excelente.
Isto, só por si, sem ser necessário analisar a metodologia, revela de modo evidente que a avaliação realizada e a que neste momento se está a realizar é um simulacro. Não passa objectivamente de um simulacro.
Isabel Alçada está a mostrar ser uma digna sucessora de Lurdes Rodrigues, ao contrário do que muitos tentaram fazer crer.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Petição: primeiro objectivo já foi atingido
Pela redução do número máximo de alunos e alunas por turma e por professor/a
A uma média superior a mil assinaturas por dia, a petição pela redução do número de alunos por turma promovida pelo Movimento Escola Pública já alcançou o primeiro objectivo: ultrapassar o número necessário (4 mil) para que venha a ser discutida na Assembleia da República. A este ritmo, contamos poder apresentar muitos mais milhares de assinaturas, o que dará a esta causa um apoio público formidável. Com toda esta força, acreditamos que é possível vencer.
Porquê esta petição?
Portugal apresenta níveis elevados de insucesso escolar e para isso contribuem muitos factores, alguns dos quais alheios à própria escola. Os níveis culturais da população portuguesa são no geral baixos, a massificação da escola não foi acompanhada de todos os instrumentos necessários à garantia da sua qualidade, a diversidade de públicos escolares resiste a receitas padronizadoras. É também inegável que faltam meios às escolas para enfrentar o insucesso, seja devido à ausências de equipas multiprofissionais, à falta de apoio social aos alunos mais desfavorecidos, ou às condições precárias em que o trabalho de alunos e professores se desenvolve. Isto sem esquecer as questões relativas à dimensão e conteúdos do próprio currículo.
Se combater este atraso exige medidas concretas a vários níveis, seria obviamente absurdo ignorar todas as causas que se prendem com o contexto de sala de aula, que é onde a relação de ensino-aprendizagem começa por ser testada na definição do sucesso de cada aluno/a. Uma relação pedagógica interessada, consequente, viva e profícua tem naturalmente melhores condições para se desenvolver em turmas de dimensões mais reduzidas. Aproxima o professor dos alunos e os alunos entre si e ajuda e diluir o anonimato. Facilita a participação de todos/as e o acompanhamento directo e contínuo de cada aluno/a, bem como o estabelecimento de relações de confiança, responsabilidade e empenho, necessárias ao sucesso escolar e pessoal.
É principalmente nas zonas periféricas dos grandes centros urbanos que as turmas atingem perto de 30 alunos, enfraquecendo a relação pedagógica, e abrindo caminho à naturalização do insucesso e à sensação de impotência profissional. Para agravar a situação, são muitos os professores que têm a seu cargo mais de 150 alunos, tornando muito difícil o acompanhamento, a dedicação e o investimento desejáveis.
Assim, é urgente que esta Petição, que conseguiu juntar tantas vontades muitas vezes desavindas, faça o seu caminho com muita força
Subscreva aqui
http://www.peticaopublica.com/
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Registos do fim-de-semana
Pagamento a Inês de Medeiros pode voltar para trás
Jardim muda Chão da Lagoa
— Passos não será convidado nem haverá ataques a Sócrates e ao Governo da República —
Alegre lança candidatura nos Açores em concertação com Sócrates
Corte do Governo em obras públicas só sacrifica investimento em meia auto-estrada
Mais de metade dos hospitais não cobre obesidade
Tribunal da Relação arquiva queixa de Sócrates contra colunista do DN
Parlamento ainda pode parar TGV
Lurdes Rodrigues aprende inglês
Secretariado PS é contra Alegre mas vai apoiá-lo
Oposição já tem conclusão: 'Magalhães' fugiu às regras
Parque Escolar entrega projectos a colegas de administradora
Crédito à habitação vai começar a aumentar
Obras públicas: Cavaco pede reavaliação, mas Sócrates resiste
Sócrates desconhece impacto orçamental da redução do subsídio de desemprego
Desemprego não pára de subir e chega aos 10,5 por cento
Granadeiro não esclarece quem indicou Rui Pedro Soares para a Comissão Executiva da PT
Direcção da Universidade Independente será julgada por associação criminosa
Visita do Papa a Portugal fecha escolas de todo o país no dia 13 de Maio
Cavaco ao lado de Teixeira dos Santos contra as grandes obras
«Se Sócrates ficar na história de Portugal terá de ser pelas más razões» (Rui Ramos)
Gestores das 20 maiores empresas da bolsa ganharam 22,6 milhões (em 2009)
«Perante a catástrofe, [pode-se] arranjar "nervos de aço" e prosseguir na asneira como o nosso inefável Sócrates [...]» (Vasco Pulido Valente)

