quarta-feira, 18 de março de 2009

O que os movimentos/blogues podem propor que se faça e o que os movimentos/blogues podem fazer - 2

O que os movimentos/blogues podem fazer

É consensual que o Governo que temos é um Governo que vive da e para a imagem - assemelha-se a uma realidade virtual, sem substância, reduzido ao marketing que o sustenta. Ontologicamente este Governo equivale a nada. Julgo que não deve ter havido, em Portugal, um Governo semelhante a este: manipulador da opinião pública, despudoradamente demagogo, falsificador e adulterador da realidade através do jogo das estatísticas e da sedução de parte da comunicação social. Sobrevive à custa de um ininterrupto e medonho faz-de-conta.
A encenação, a aparência, a imagem constituem, desta forma, o ponto forte do Governo. O ponto forte e o ponto fraco, porque, se atingido nesse ponto, o Governo fica reduzido a coisa nenhuma e desnuda-se o imenso vazio que o preenche. Ora, no Governo, para além do primeiro-ministro, o paradigma desta enorme encenação, deste incomensurável fingimento é o Ministério da Educação, ao qual acrescenta incompetência técnica e incompetência política.

Defendo, por isso, que, para além das iniciativas que devem propor (Fórum Nacional «Compromisso Educação», Manifestação/Marcha Nacional e Greve prolongada), os movimentos/blogues deveriam empenhar-se seriamente na preparação de uma grande campanha pública de descredibilização da política do Ministério da Educação, em particular, do seu incompetente modelo de avaliação.
Neste momento os movimentos/blogues (ainda) gozam de alguma boa imprensa, isto é, alguma comunicação social (alguns jornais, algumas televisões e algumas rádios) está receptiva às notícias oriundas dos movimentos/blogues que ainda são uma novidade e uma lufada de ar fresco no meio dos rituais gastos do movimento sindical e dos jogos de interesses partidários.
É fácil para os movimentos/blogues conseguir a atenção dessa comunicação social para iniciativas que venha a desenvolver: conferências de imprensa, entrevistas, acções públicas. Deste modo, é possível aos movimentos/blogues elencar e depois divulgar com eficácia mediática a «casa de horrores» que é o Ministério da Educação. É um imperativo profissional fazê-lo, e, ao ponto de degradação a que a política educativa chegou, é também um imperativo ético fazer a denúncia pública do pântano em que as escolas foram transformadas, pelas medidas impostas pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
Durante o 3º período, uma vez em cada semana, de modo planificado, os movimentos/blogues deveriam convocar uma conferência de imprensa para denunciar as múltiplas situações de objectiva/o(s):
- incompetência técnica da ministra da Educação e dos seus secretários de Estado;
- injustiça de que muitos professores foram e estão a ser alvo;
- violação dos mais elementares direitos, como seja o direito ao respeito e à dignidade profissional, operada por um escandaloso concurso para professor titular;
- ilegalidades geradas pela própria legislação produzida pelo ME;
- incompetência avaliativa de muitos dos itens que compõem as fichas de avaliação do desempenho docente;
- incongruência e farsa do simplex;
- faz-de-conta que é o estatuto do aluno;
- incoerência das declarações da ministra da Educação ao longo do último ano;
- incompetência política de Maria de Lurdes Rodrigues que sempre sobrepôs e sobrepõe os interesses pessoais e partidários aos interesses do país e, em particular, aos interesses da Educação.
- etc., etc.

É uma campanha fácil de realizar, porque basta contar a verdade.
Uma campanha destas, planificada e preparada por uma equipa alargada de professores, encontra facilmente dezenas ou centenas de situações reais que de forma evidente revelam a impreparação e a incapacidade da ministra da Educação para o exercício do cargo. Ao contrário do que a propaganda do Governo e do PS quer fazer crer, esta ministra da Educação constitui uma vergonha nacional. E esta realidade tem de ser denunciada até à exaustão e até às eleições legislativas.
Esta campanha possibilita alcançar quatro objectivos fundamentais:
1. Descredibilizar e ridicularizar o Ministério da Educação;
2. Remobilizar os professores para a contestação e para a firme oposição à desastrada e desastrosa política educativa deste Governo;
3. Credibilizar a imagem dos movimentos/blogues pela rigorosa fundamentação técnica do escrutínio que fazem à política educativa;
4. E, finalmente, mostrar que existem alternativas de modelos de avaliação mais competentes e mais justos.

terça-feira, 17 de março de 2009

Providência cautelar aceite

Comunicado da Fenprof (adaptado)

TRIBUNAL ADMINISTRATIVO E FISCAL DO NORTE ACEITA PROVIDÊNCIA CAUTELAR REQUERIDA PELA FENPROF

TRIBUNAL ADMINISTRATIVO DE CÍRCULO DE LISBOA ADMITE QUE NÃO PODERÃO RESULTAR PREJUÍZOS PARA OS PROFESSORES

O TAF do Norte aceitou a Providência Cautelar requerida pelo SPN/FENPROF e que assentava no facto de alguns professores terem sido notificados pelas suas escolas, devido à não apresentação de proposta de OI, sendo informados, através da notificação, que estariam impedidos de ser avaliados e/ou que seriam penalizados no seu desenvolvimento de carreira.
[...]
Portanto, também as posições já conhecidas dos tribunais, apesar de a decisão sobre as acções administrativas apresentadas não estar ainda tomada, parecem ir ao encontro da interpretação que a FENPROF faz e que as escolas e os professores têm vindo a fazer.
Mas, convém referir, a luta dos professores, atravessando, agora, esta fase mais jurídica, não vai no sentido de garantir o reconhecimento de que a avaliação pode ter lugar independentemente de terem ou não sido fixados objectivos individuais, mas no de suspender, este ano, o desqualificado modelo de avaliação imposto pelo ME e de o substituir, para o futuro, por um modelo formativo, coerente, adequado à função docente e capaz de ter relevância para o desempenho dos docentes e, dessa forma, para as aprendizagens dos alunos.

Resposta do M.E. sobre a não entrega de objectivos individuais não passa de um conjunto de equívocos
Relativamente às dúvidas suscitadas em relação às consequências da não entrega de Objectivos Individuais pelos docentes, no âmbito da avaliação do desempenho, a resposta do Ministério da Educação ao Gabinete do Ministro dos Assuntos Parlamentares e, por esta via, à Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República não consegue sair da vulgaridade de outras respostas já antes divulgadas pela DGRHE/ME junto das escolas e assenta num conjunto de equívocos, que se lamentam. Resposta, aliás, contrariada pela própria Ministra quando, em entrevista recente, afirmou que eventuais penalizações ou inviabilização de avaliação seria algo a decidir pelas escolas, sacudindo, dessa forma, a água para capote alheio, o que é inaceitável. Se há responsabilidades pela confusão criada elas pertencem inteiramente ao ME, cabendo-lhe assumi-las em vez de as atribuir aos outros.
Na resposta que o ME fez chegar aos Deputados falta ainda, e era bom que não faltasse, um conjunto de esclarecimentos que, a serem referidos, faria ruir todo o castelo de argumentação ministerial.
A saber:
- A apresentação, pelo docente, de uma proposta de objectivos individuais (OI) não é um dever profissional. Estes são apenas os que constam do artigo 10.º do ECD (Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro);
- A apresentação, pelo docente, de uma proposta de objectivos individuais não constitui uma fase do processo de avaliação. Estas são as que constam dos artigos 44.º e 15.º, respectivamente do ECD e do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro;
- A apresentação, pelo docente, de uma proposta de objectivos individuais não é obrigatória. Obrigatória é a auto-avaliação, conforme estabelece o n.º 2 do artigo 16.º do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro. Como, aliás, refere a DGRHE/ME em informação enviada às escolas, a apresentação de proposta de OI é uma “possibilidade”. Ou seja, um direito que, como tal, pode ou não ser exercido;
- Equívoca é, ainda, a utilização da expressão “fixação de objectivos individuais” e, principalmente, a falta de clarificação sobre quem tem competência para os fixar. De facto, tal competência não é do avaliado, mas do avaliador. O avaliado pode apresentar uma proposta de OI, mas compete ao avaliador fixá-los, podendo, para esse efeito, aceitar, ou não, os que são propostos. Foi, aliás, nesse sentido que a DGRHE/ME informou os presidentes dos conselhos executivos de que estes poderiam, se entendessem, fixar os OI de quem não tivesse apresentado qualquer proposta;
- Por fim, a FENPROF entende que o normal desenvolvimento do processo de avaliação não depende da existência de objectivos necessariamente fixados para cada docente, pois o artigo 8.º do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, já estabelece os “elementos de referência da avaliação”.
Equívoca, mal construída e tecnicamente incorrecta, a resposta do ME apenas confirma a confusão em que mergulhou, mais uma vez, o processo de avaliação imposto aos professores, razão que reforça a necessidade da sua suspensão imediata, sob pena de se acentuarem ainda mais os conflitos e a instabilidade que atinge as escolas.
O Secretariado Nacional

Bonecos de palavra

segunda-feira, 16 de março de 2009

O que os movimentos/blogues podem propor que se faça e o que os movimentos/blogues podem fazer - 1

O que os movimentos podem propor que se faça
Como os movimentos não podem marcar greves nem têm a capacidade logística nem financeira para mobilizar um grande número de professores, resta-lhes, a este nível, apresentar, junto dos professores e dos sindicatos, propostas de caminhos a seguir e de acções a desenvolver.
No Encontro de Professores realizado em Leiria, nem sempre a consciência desta limitação esteve presente, como nem sempre se teve presente que não é possível ou não é aconselhável definir, com pormenor, as acções a propor (não é aconselhável porque o desenvolvimento desse tipo de acções não depende dos movimentos, depende dos sindicatos, e a calendarização dos sindicatos é feita em função dos jogos partidários e eleitorais e não em função da resolução efectiva dos problemas profissionais dos professores; e, finalmente, porque a lógica sindical não permite que outros tomem a iniciativa, pelo menos publicamente). Para além de que os resultados das negociações que estão a decorrer entre os ME e os sindicatos sobre o Estatuto da Carreira Docente serão determinantes para se saber, com precisão, qual o rumo que se deve e pode seguir.
Os movimentos podem fazer pressão, mas não têm o poder, neste domínio, de definir as situações e de as realizar.

Neste contexto, é minha opinião que os movimentos devem submeter ao sufrágio dos professores três propostas gerais (sem datas muito definidas e sem prévios pormenores organizacionais, que em momento posterior serão apurados):

A. Realização, no mês de Maio, do Fórum Nacional «Compromisso Educação» para celebração de um compromisso para a Educação que vincule partidos políticos, sindicatos, associações e movimentos de professores (proposta apresentada pelo PROmova);

(E se, como previsivelmente acontecerá, as negociações sobre o ECD forem infrutíferas)
B. Realização, durante o mês de Maio, de uma Manifestação/Marcha Nacional (proposta da APEDE, MEP e MUP);
C. Realização de uma greve prolongada realizada por sectores e/ou níveis de escolaridade ou por outra forma, que possibilite, a baixos custos, o seu desenvolvimento no tempo.

Uma nota sobre a hipótese de uma greve às avaliações.
Como tive oportunidade de afirmar no Encontro, a greve às avaliações no 3º período é uma hipótese que levanta diversos problemas:
1. No 3º período, os Conselhos de Turma de Avaliação não se iniciam todos ao mesmo tempo nem terminam todos ao mesmo tempo, dentro da mesma escola e entre as diferentes escolas (estendem-se do início até final de Junho). O que significa que professores de umas escolas entrariam em greve e professores de outras escolas não. O que significaria que muitos educadores não fariam greve e muitos professores do 1º ciclo só a poderiam fazer, eventualmente, no final do mês de Junho.
2. Isto faria com que, eventualmente, os professores que leccionam os 11.º e 12º anos, que seriam os primeiros a iniciar as greves e sobre os quais toda a pressão seria exercida, se sentissem desacompanhados e se sentissem os alvos isolados de todas as críticas que inevitavelmente surgiriam.
3. Seguramente que várias seriam as vozes que salientariam que os sacrifícios financeiros resultantes daquela greve não seriam distribuídos de modo semelhante por todos os professores.
Ora, nada disto abona a favor da coesão e da eficácia deste tipo de greve. E não estou a introduzir, nestas observações, elementos de outra ordem, como sejam: a fácil manipulação de que esta acção seria alvo por parte de todos os que estão interessados em denegrir a imagem dos professores (este Governo, os Rangéis, os Tavares e os Vitais deste país); os danos que resultariam para alunos e pais e as consequentes e imprevisíveis reacções; o nível de receptividade que esta greve teria junto dos professores; o carácter aparentemente acintoso e direccionado para o elo mais fraco - os alunos - de que esta greve seria acusada.

Acerca daquilo que os movimentos/blogues podem efectivamente fazer, porque não dependem de ninguém para o realizar, escreverei em próximo post. E aquilo que os movimentos/blogues podem fazer é, do meu ponto de vista, tão relevante, para os objectivos que se prosseguem, como o que acima foi referido.

domingo, 15 de março de 2009

Pensamentos de domingo

«Eu amo a humanidade. As pessoas é que eu não suporto.»
Charles M. Schulz

«A poluição da água chegou a tal ponto que a última vez que a maré baixou voltou enjoada.»
Anónimo

«Chamas, já?
(Disse antes de morrer para o padre que esperava para lhe falar quando reparou na lâmpada que flamejava ao lado da cama).»
Voltaire
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

Stan Getz

sábado, 14 de março de 2009

O Encontro Nacional de Professores foi hoje

Promovido por cinco movimentos de professores independentes, APEDE, MEP, MUP, PROmova e CDEP, realizou-se, hoje, em Leiria, o Encontro Nacional de Professores em Luta, que contou com a presença de cerca de cento e vinte professores de escolas de todo país.
As múltiplas propostas apresentadas e o debate realizado traduziram dois aspectos bem patentes durante todo o dia do Encontro: por um lado, o inconformismo e a determinação de não parar o processo de contestação da incompetência política e técnica do Ministério da Educação; por outro lado, a divergência quanto às formas mais eficazes de realizar esse objectivo.
A decisão tomada acabou por ser a de, a partir de um leque alargado de possibilidades (realização de um Fórum Nacional sobre a Educação, contestação jurídica, Manifestação Nacional, greve de 3 dias, greve prolongada, greve por tempo indeterminado, greve às avaliações, entre outras) auscultar nas escolas a opinião dos professores com vista a uma avaliação precisa das suas vontades.
Tentarei, em próximos posts, desenvolver e dar a minha opinião sobre esta matéria.

Ao sábado: momento quase filosófico


Acerca dos Paradoxos de Zenão

«Um paradoxo é um raciocínio aparentemente sólido baseado em hipóteses aparentemente verdadeiras que conduz a uma contradição ou a outra conclusão obviamente falsa. [...] Ter duas ideias mutuamente contraditórias nas nossas cabeças ao mesmo tempo deixa-nos tontos.
Relativamente a ter duas ideias mutuamente exclusivas ao mesmo tempo, Zenão de Eleia foi um verdadeiro mestre.
Conhecem a história sobre a corrida entre Aquiles e a tartaruga? Naturalmente, Aquiles pode correr mais depressa que a tartaruga, por isso esta última parte com grande avanço. Depois de soar o tiro de partida - ou, como diziam no século V a. C., depois de o dardo ser lançado - o primeiro objectivo de Aquiles é chegar ao local em que a Tartaruga começou. Claro que nessa altura a tartaruga já se moveu um pouco. Por isso, agora Aquiles tem de chegar a esse local. Quando chega lá, a tartaruga avançou de novo. Por muitas vezes que Aquiles chegue ao último local em que a tartaruga esteve, mesmo que o faça um número infinito de vezes, nunca apanhará a tartaruga, apesar de estar extremamente próximo. A única coisa de que a tartaruga necessita para vencer a corrida é não parar. [...]
Outro dos seus paradoxos foi o da pista de corridas. Para chegar ao fim da pista de corridas, um corredor tem de completar primeiro um número infinito de viagens. Tem de correr para o ponto intermédio; depois, tem de correr para o ponto intermédio da distância seguinte; depois, para o ponto intermédio da distância restante, etc., etc. Teoricamente falando, como tem de chegar a pontos intermédios um número infinito de vezes, nunca consegue chegar ao fim da pista. [...]
Eis uma velha piada que parece saída directamentee de Zenão:
Vendedor: Minha senhora, este aspirador fará o seu trabalho em metade do tempo.
Cliente: Fantástico! Quero dois.»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

sexta-feira, 13 de março de 2009

A importância do Encontro de Leiria

O Encontro Nacional de Professores em Luta que, amanhã, vai realizar-se em Leiria reveste-se de particular interesse. Entre outras razões, porque o Encontro poderá ser um espaço e um momento de:

1. Reafirmação da independência dos movimentos de professores relativamente ao movimento sindical docente. Penso que esta independência é essencial e deverá ser sempre preservada, caso contrário, os movimentos independentes perdem a razão da sua existência.

2. Afirmação e aprofundamento da qualidade da contestação e da oposição que os movimentos independentes realizam. Quer na forma quer no conteúdo quer na dinâmica existe uma diferença substantiva entre a contestação levada a cabo pelos movimentos e a contestação rotineira e ritualizada das organizações sindicais.

3. Afirmação da acção movida por critérios profissionais e de política educativa. Distinta da acção movida por interesses partidários e por jogos eleitorais.

4. Exercício de um debate sério acerca da definição dos objectivos e das estratégias do processo de oposição às politicas e às medidas do Governo na área da Educação.

5. Aperfeiçoamento dos mecanismos de coordenação da acção dos diferentes movimentos.

Como será de esperar, a quantidade de participantes não deverá ser muito elevada, mas que isso possa ser revertido no sentido de ser a qualidade da participação a beneficiária dessa circunstância.

Até amanhã, em Leiria.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sempre a mesma incompetência deste Ministério da Educação

Clicar na imagem para aumentar
Do blogue do PROmova

Às quartas

A Recusa das Imagens Evidentes

Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.

Há noites que levamos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
À mais longínqua onda do seu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exactidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.

Natália Correia

terça-feira, 10 de março de 2009

Igualmente, parabéns ao MEP (ainda que atrasados)

Ainda que atrasados, aqui ficam também os merecidos parabéns ao MEP e as desculpas pela desatenção. Sei que hoje é realizada a festa do primeiro aniversário, ainda que o dia do nascimento tenha sido a 19 de Fevereiro.
O que abaixo escrevi, a propósito do MUP, aplica-se também ao MEP e, por isso, o post abrange ambos.
Espero que o repasto tenha sido agradável e retemperador de energias para a luta que não pode parar.
Um abraço.

Faz hoje 1 ano que o MUP foi constituído. Parabéns!

Ao Ilídio Trindade e ao MUP as minhas felicitações pelo valoroso contributo prestado no combate à política educativa do actual Governo - combate particularmente difícil e desigual.
O MUP e os demais movimentos independentes tiveram, e espero que continuem a ter, uma importância decisiva no desenvolvimento da actual luta dos professores. A eles se deve, em grande medida, o facto histórico da classe profissional dos professores estar a manter, já lá vai mais de um ano, uma contestação firme e sustentada a uma política governamental específica.
A acção do MUP e dos demais movimentos independentes tem tido consequências da maior relevância a vários níveis. Destaco três:
1. A nível da intensidade das acções de oposição à desastrosa política educativa do actual Governo;
2. A nível da pressão que exerce sobre os sindicatos de professores, para os quais, há muito tempo, a luta já teria sido dada por encerrada, ou, então, estaria adormecida, se não fossem os movimentos independentes;
3. A nível da qualidade da contestação técnica, para além da contestação política, da incompetente legislação produzida pelo Ministério da Educação.

Deixo aqui um abraço, um agradecimento e uns merecidos parabéns.

Bonecos de palavra - Tecnologia amiga...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Encontro Nacional


©ProtestoGráfico
As inscrições e a apresentação de propostas devem ser feitas até às 12:00 horas da próxima 5ª feira, dia 12 de Março para: APEDE, MEP, MUP, PROmova ou CDEP

As contas continuam a ser feitas - 9

ESCOLAS/AGRUPAMENTOS A NÍVEL NACIONAL
Escolas/Agrupamentos contabilizados: 158
Professores que entregaram os OI's: 9343 (46%)
Professores que não entregaram os OI's:
10963 (54%)
(dados de 08.Março.09)

Fontes: MUP e PROmova

domingo, 8 de março de 2009

Pensamentos de domingo

Atendendo à data, os Pensamentos de domingo são, hoje, dedicados apenas à mulher e em duplicado:

«As mulheres inspiram-nos a fazer obras de arte, mas impedem-nos de as realizar.»
Oscar Wilde

«Tem de se escolher entre amar as mulheres ou conhecê-las.»
Nicolas Chamfort

«A mulher é uma criatura que ao ouvir o telefone tocar puxa de uma cadeira.»
Anónimo

«A mulher foi o segundo erro de Deus.»
Nietzsche [duvido que ele tenha dito isto, mas está bem...]

«Uma mulher deve seguir o seu marido - aonde quer que ela queira ir.»
Provérbio francês.

«A mulher necessita tanto do homem como o peixe necessita da bicicleta.»
Slogan do Movimento Feminista EUA
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

ÚLTEMA ÓRA!!!!!

Purtuguês subestituido pleo Mangalhanês

Conciderando o matrial enformatico amandado pras iscolas a pratir, doje o pertugués daxa: de vigurar e passasse-se a incinar - a variante da sinco de Otubro, conhcida plo Mangalhanês.

Inzenplos tirados do “Manganhães”:

* "Carrega nos elementos até pensares que encontras-te a boa resposta. (...) Nos níveis mais baixos, o Tux indica-te onde encontras-te uma boa cor marcando o elemento com um ponto preto.
* "Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm."
* " Se os jogadores se acordam no facto que o jogo está num ciclo sem fim, cada jogador captura as sementes do seu lado."
* "Ao princípio do jogo 4 sementes são metidas em cada casa. O jogadores movem as sementes por vês. A cada torno, um jogador escolhe uma das 6 casas que controla. (...) Se a última semente também fês um total de 2 ou 3 numa casa do adversário, as sementes também são capturadas, e assim de seguida."
* "Pega as imagens na esquerda e mete-las nos pontos vermelhos."
* "Saber contar básicamente."
* "Move os elementos da esquerda para o bom sitio na tabela de entrada dupla."
* "Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm."
* "Primeiro, organiza bem os elementos para poder contar-los (...)."
* "Treina a subtracção com um jogo giro. Saber mover o rato, ler números e subtrair-los até 10 para o primeiro nível."
* "Quando acabas-te, carrega no botão OK ou na tecla Entrada."
* "Conta quantos elementos estão debaixo do chapéu mágico depois que alguns tenham saído."
* "Tens a certeza que queres saír?"
* "Aprende a escrever texto num processador. Este processador é especial em que obriga o uso de estilos (...)"
* "Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde. Podes estilizar o teu texto utilizando os botões à esquerda. Os quatro primeiros permitem a escolha do estilo da linha em que está o cursor. Os 2 outros com múltiplas escolhas permitem de escolher tipos de documentos e temas coloridos pré-definidos."
* "É preciso saber manipular e carregar nos botões do rato fácilmente."
* "Mexe as peças puxando-las. Carrega o botão direito nelas para as virar. Selecciona uma peça e roda à volta dela para a rodar. Quando a peça pedida estiver feita, o computador vai reconhecer-la (...)."

Nota 1 – Se não axastes nenhu errro, quer deser que vaix ter “xelente” (ò xulente?) (ò é eis-xelente?)

Nota 2 – Ficazasaber que nu Concelho de Menixtros já se izcreve assim.

Pat Metheny e Charlie Haden

Mais um exemplo de faz-de-conta e de falta de seriedade deste modelo de avaliação

Do blogue do PROmova:

«A situação a seguir descrita merece ser divulgada publicamente e deve constituir uma peça de reflexão para aqueles que, por desconhecimento ou amarrados à fidelização política, defendem este modelo de avaliação dos professores à outrance, como é o caso, entre outros, de Vital Moreira. Os que consideram a necessidade de os professores serem avaliados com base num processo exigente e credível, não podem continuar a branquear as injustiças e as inconsistências que suportam este modelo de avaliação, pois quando o mesmo é implementado tende a gerar situações que o desacreditam por completo.Em contexto escolar, a avaliação é um processo que requer uma grande tecnicidade e garantias de imparcialidade, não podendo, como tal, ser deixada à discricionariedade pessoal e à precariedade de soluções esvaziadas de qualquer autoridade reconhecida.

Ao contrário de outros, os professores levam a avaliação, qualquer que ela seja, muito a sério e, como tal, não estão disponíveis para brincadeiras.

http://3.bp.blogspot.com/_KdtlQSb9TP0/SbMjV5ESWkI/AAAAAAAAA6U/zRL3itc6HUQ/s400/socrates2.jpg“Falemos da minha escola (...).
Dois docentes de EF (um do 2º ciclo outro do 3º) entregaram os OIs e pediram avaliação na componente científico-pedagógica. Ora, não havendo na escola nenhum docente titular nem sequer docente do quadro de escola do grupo de recrutamento destes dois, foram NOMEADOS avaliadores dos colegas dois docentes dos respectivos grupos de recrutamento, do 5º e 6º escalões (da antiga estrutura)!
Em resumo: dois professores do quadro de zona pedagógica do 5º e 6º escalões vão ser equiparados a titular durante o período de avaliação, vão auferir vencimentos como se de titulares se tratasse, ficam libertos da avaliação e ainda se podem candidatar às menções Muito Bom e Excelente!
Ora diz lá se não vale a pena haver nas escolas professores a entregarem OIs e a exigirem aulas assistidas???
Viva o oportunismo!”

PROmova dixit:
Este relato (professor e escola devidamente identificados) é, absolutamente, escandaloso e deve ser objecto da mais ampla divulgação pública, pois exprime uma situação que tem, tanto de caricato, como de absurdo e de indigno.
O que está a acontecer nesta escola é bem a prova da acusação que temos vindo a fazer, de acordo com a qual este modelo de avaliação, além de inconsistente e injusto nos seus fundamentos, não goza de credibilidade e de seriedade.
É uma completa leviandade e irresponsabilidade desta equipa ministerial e deste Governo entregar a avaliação do desempenho dos professores (com repercussões nas suas colocações e nas suas carreiras) à casuística e à arbitrariedade de pessoas, cuja preparação e adequação para avaliar não foram objecto de rigoroso escrutínio, nem de formação, além de que nem a experiência da docência se verifica.
Nesta situação, nem sequer a farsa do concurso de acesso a professor titular pode ser invocada, pois trata-se de algo ainda mais grave, isto é, avaliadores pertencentes aos 5º e 6º escalões antigos (pasme-se!!!).
Os professores e as escolas não estão dispostos a brincar às avaliações, nem se deixarão envolver em processos de "faz de conta" que está implementada uma avaliação do desempenho.
À semelhança do que ocorreu com a lotaria dos titulares, cujos desempenhos de cargos não foram avaliados, da avaliação que as estruturas do ME (não) fizeram do software educativo que distribuíram às crianças, também nesta situação prevalece a falta de exigência e seriedade.
São estes os exemplos de avaliação que constituem o desígnio deste Governo?
Em matéria de rigor e credibilidade estamos entendidos!»