sábado, 13 de junho de 2009

Em definitivo, a crise não é para todos

O jornal i, na edição on line, informa:
«José Sócrates é um dos clientes da mais exclusiva (e cara) loja de Beverly Hills onde só entra um cliente de cada vez, com hora marcada e todo o staff de empregados à sua disposição.»

Fotografia da montra da loja, onde se anuncia a lista de clientes. Na última linha, está o nome de Sócrates.

Não são os políticos portugueses que ganham mal? Não são eles dos mais mal pagos da Europa?
Ora, não tendo José Sócrates outra fonte conhecida de rendimento, que não seja o parco ordenado de primeiro-ministro de Portugal; sabendo nós como ele é viciado na leitura de livros filosóficos, e como lhe deve custar uma fortuna alimentar esse vício; tendo dois filhos a estudar num colégio particular, como foi há algum tempo noticiado nos jornais; como é que ainda consegue a proeza de vestir-se no alfaiate mais caro de Beverly Hills?
Para além da façanha financeira, Sócrates revela ser um exemplo de sobriedade, em particular, num momento de crise.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Comunicado do PROmova

PROmova.jpg
A postura do PROmova relativamente à posição da Fenprof
acerca da entrega da Ficha de Auto-Avaliação

A posição da Fenprof acerca da entrega da Ficha de Auto-Avaliação (FAA), expressa em baixo, merece-nos os quatro seguintes comentários:

1) consideramos que o afã de alguns delegados sindicais, na divulgação da posição da Fenprof, possa ser interpretado como um incentivo à entrega da FAA, quando a decisão deve ser deixada à consciência e ao critério de cada professor;
2) aquando da resistência escola a escola, na não entrega dos objectivos individuais, a consciência dos professores era a de que estavam a desobedecer a uma determinação legal do ME pelo que, só a posteriori, se colocou a questão da obrigatoriedade legal ou não dos objectivos individuais, o que nem sequer, neste caso, está estabelecido se sim ou não existe essa obrigatoriedade;

3) da leitura do texto da Fenprof fica a ideia que não está muito interiorizada a convicção de que este modelo não é para rever em Julho, mas antes para substituir em Outubro, aproveitando a circunstância de todos os partidos da oposição o rejeitarem. Aliás, não se conhece às estruturas sindicais, após as eleições europeias, uma tomada de posição ou uma iniciativa, no sentido de procurarem obter compromissos da parte dos partidos políticos em relação à revogação da divisão da carreira e à substituição do modelo de avaliação;

4) a entrega de uma declaração de protesto apensa à FAA não tem nenhum impacto real, pois, além de não haver possibilidade de contabilizar a dimensão dos que protestam, o efeito que fica é o da participação no processo.

Ademais, a Fenprof admite que a entrega da FAA "levará o ME a concluir, ainda que abusivamente, que os docentes, afinal, já concordam com esta avaliação", correndo-se, exactamente, o risco de se vir a ser confrontado, mais uma vez, com o trio ministerial a dizer que os professores estão "confortáveis" nas escolas e a aplicar o modelo sem problemas, até porque este tipo de aproveitamento propagandístico já ocorreu na entrega dos Objectivos Individuais.

São estas circunstâncias, aliadas à aberração do modelo, ao modo como vem sendo aplicado e às questões de autenticidade pessoal, que levam muitos professores a não estarem disponíveis para se envolverem num processo que quase todos qualificam de "farsa" e "palhaçada".

Assim sendo, o PROmova considera que os professores têm, nas suas mãos, a possibilidade de reafirmarem a rejeição deste modelo de avaliação absurdo e injusto, substituindo a entrega da FAA por um Relatório Crítico que descreva, séria e detalhadamente, a actividade docente e o cumprimento das suas obrigações enquanto professor (proposta de actuação aprovada pelos movimentos independentes de professores, no Encontro de Leiria, realizado a 14 de Março).
Todavia, o PROmova também compreende que muitos professores, no quadro das suas posturas de coerência pessoal, se recusem a participar num processo de avaliação desacreditado, não entregando a FAA ou qualquer outro documento proposto por este modelo (ainda que disponibilizem, para efeito dos seus processos individuais, um documento que avalia e comprova a sua actividade, para o caso de alguém os querer avaliar) e, desta forma, não viabilizando um modelo de que discordam substantivamente. Entre estes docentes, contam-se, além de muitos outros (cujas identidades apenas serão divulgadas com a sua autorização), os colegas Paulo Guinote (blogue A Educação do meu Umbigo), Octávio Gonçalves e José Aníbal Carvalho (Núcleo de Estratégia do PROmova).

PROmova,

PROFESSORES - Movimento de Valorização


Posicionamento da
Fenprof:

http://1.bp.blogspot.com/_KdtlQSb9TP0/SjDpNsb8RdI/AAAAAAAABZ4/Zma1nDqK8cc/s400/fenprof1.jpg

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Quinta da Clássica - Mozart

Retirado do blogue de Octávio Gonçalves: «Não entregarei a Ficha de Auto-Avaliação»

«Não estou disponível para colaborar na farsa desta avaliação do desempenho, pelo que não entregarei a Ficha de Auto-Avaliação
Em questões de coerência e dignidade prefiro, sempre, olhar para dentro do que para o lado. Como tal, é-me, relativamente, indiferente saber quantos colegas acompanham a minha decisão de não entregar qualquer Ficha de Auto-Avaliação (FAA) imposta por este modelo de avaliação do desempenho.
Neste particular, revejo-me, em absoluto, no poema de Torga: “Não sei quantos seremos, mas que importa?! - Um só que fosse, e já valia a pena - Aqui, no mundo, alguém que se condena - A não ser conivente - Na farsa do presente - Posta em cena!”
Confesso-me inexperiente e sem treino na técnica de adormecer sobre uma consciência pesada, pelo que não me resta outra autenticidade que não seja a de não sancionar este modelo de avaliação, nem ser cúmplice de um processo autocrático, destituído de seriedade, credibilidade, justiça e consistência.
Compreendo que a maioria dos professores, chegados a este momento da contestação, se encolha. Por conseguinte, nem sequer me acho no direito de empreender a pastoral da não entrega da FAA. Cada um deve decidir em consciência o que fazer.
Depois da fase do esfusiante unanimismo dos abaixo-assinados e da fase da resistência escola a escola (como é possível ter-se o desplante de afirmar que a estratégia não resultou, quando cerca de 60 mil professores se recusaram a entregar os seus objectivos individuais, num acto de desobediência cívica sem paralelo na história da democracia portuguesa!), parece-me chegado o momento das decisões individuais: cada um decide, em coerência, se participa ou não participa neste processo de avaliação. EU NÃO PARTICIPO!
Declaro, desde já, que não me atemorizam os argumentos legalistas e até farisaicos de muitos hermeneutas circunstanciais do direito e de inúmeros juristas de viveiro que por aí vão formigando.
Por norma, as interpretações alarmistas, que por aí vão vingando, tendem a confundir os dois planos seguintes:
1) o do direito à contestação cívica de leis reconhecidamente injustas e carecidas de seriedade (vejam-se, a propósito, as recentes declarações do presidente do Conselho Científico para a Avaliação os Professores, as quais assumem a fragilidade experimentalista do modelo de avaliação e reduzem os professores a meras cobaias de processos impreparados), de tal forma que este acto de rejeição nem sequer traduz qualquer tipo de incumprimento em termos de desempenho profissional – a nível pedagógico, científico e de envolvente institucional, antes pelo contrário (é pelo exemplo moral e espírito de exigência de alguns contestatários que grandes autores do direito e das teorias da justiça consideram a desobediência civil como um instrumento de aperfeiçoamento das instituições e da sociedade);
2) o do incumprimento dos deveres profissionais por parte dos funcionários públicos, quer seja por negligência, incompetência ou má vontade. Ora, a luta dos professores não configura nenhuma destas situações, as quais constituem, indiscutivelmente, o alvo e o horizonte das leis em apreço.
A história tem sido pródiga em demonstrações do que é, em determinadas circunstâncias, ser conivente de leis absurdas e injustas, apenas porque foi mais cómodo a muitos terem-se amouchado, acobardado ou eximido de lutar. Frequentemente, a manta da lei é curta para abafar a consciência e a exigência de justiça e de decência que ainda move muitos seres humanos, sobretudo quando se trata de leis que resultam em processos impositivos, impreparados e arbitrários, além de não colherem um reconhecimento social alargado, como é o caso vertente de muitos normativos legais expelidos por este Governo.
Apesar dos adamastores e papões que alguns vão agitando, na procura de escapatórias ou de subterfúgios de consciência, estou convicto que a minha decisão está resguardada e protegida por um conjunto de atenuantes e de circunstâncias favorecedoras, a saber:
1) sou um profissional empenhado e dedicado à escola, com uma folha de serviço irrepreensível de mais de vinte anos, nunca tendo negligenciado ou incumprido nenhum dos meus deveres como docente, pelo que apenas me limito a discordar de pôr em prática um modelo de avaliação que é injusto e não é sério. Tal não significa que me recuse a ver avaliada a minha prática profissional, uma vez que vou ter disponível, para o caso de alguém me querer avaliar, um relatório bem mais exigente, sério e circunstanciado da minha actividade docente;
2) além das práticas curriculares e extra-curriculares, disponho de mais do que a formação contínua exigida para o período sob avaliação, mau grado a maioria dos Centros de Formação não terem disponibilizado, por inépcia do Ministério da Educação, qualquer formação aos professores;
3) nenhum director, inspector ou juiz sacrificará a justiça e a decência a uma legalidade torpe, caprichosa e que a generalidade das sensibilidades políticas e sociais não reconhece, caso contrário são os fundamentos de uma sociedade justa que entrarão em erosão (haverá muita literatura e muitos exemplos para arrolar em conformidade);
4) tenho, do meu lado, todos os partidos políticos da oposição, bem como inúmeras autoridades de reconhecido mérito nacional e internacional, nas áreas da ciência, da pedagogia e do saber em geral. Acho que não estarei só.
Definitivamente, não estou disponível para colaborar na legitimação de um modelo de avaliação de que discordo, quer em termos dos fundamentos que o suportam e das debilidades e arbitrariedades em que se operacionaliza, quer tendo em conta a farsa em que se converteu.»
Octávio Gonçalves

Há uns dias que Octávio Gonçalves publicou o texto acima transcrito, que eu subscrevo, na íntegra. Por falta de tempo, ainda não pude comentar nem dedicar atenção, aqui, no blogue, a este importante assunto. Espero dar, na próxima semana, um contributo a este debate. Até lá, deixo o meu abraço ao Octávio Gonçalves.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Às quartas

Anósia

Que marinais sob tão pora luva
de esbranforida pela retinada
não dão volpúcia de imajar anteada
a que moltínea se adamenta ocuva?

Bocam dedetos calcurando a fuva
que arfala e dúpia de antegor tutada,
e que tessalta de nigrors nevada.
Vitrai, vitrai, que estamineta cuva!

Labiliperta-se infanal a esvebe,
agluta, acedirasma, sucamina,
e maniter suavira o termidodo...

Que marinais, dulcífima contebe,
ejacicasto, ejacicasto, arina!...
Que marinais, tão pora luva, todo...

Jorge de Sena

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O doce sabor da derrota

Há um sabor estranhamente doce na DERROTA da prepotência, da arrogância, da incompetência, da mediocridade, da mentira, da injustiça ... e de muito mais.
Há uma esperança, que deixa de ser secreta, de que este ar que pesa como chumbo se tornará respirável.
Há uma vontade redobrada em varrer o lixo.
Há um sentimento de alívio, de começo do fim do pesadelo.
Há que fazer com que esta Primavera renasça no Outono com a mais saborosa das derrotas ... para que no futuro a "derrota" volte a ser o que era.

Reacções - retirado do blogue ProfAvaliação

No blogue A Educação do Meu Umbigo: Absolutamente lamentável (sobre as sondagens da SICN)
No blogue Anovis Anophelis: Este país não é para mentirosos
No blogue O Estado da Educação e do Resto: Um alento para a batalha que vai prosseguir
No blogue Fliscorno: Eleições: Os resultados
No blogue Sinistra Ministra: Votozinhos contados
No blogue Pérola de Cultura: A quem os professores devem agradecer
No blogue Pé-Ante-Pé: Falta agora apurar um deputado
No blogue OutròÒlhar: Derrota técnica
No blogue Correntes: Primeira nota
O PSD ganhou ao PS por 181074 votos. Querem ver que os 150 mil professores em luta fizeram a diferença? Isso, Sócrates, mantém o rumo e conserva a ministra! Continua a cavar a tua sepultura. É necessário esperar por uma análise sociológica da distribuição dos votos dos professores. Arrisco afirmar que os 150 mil votos dos professores se distribuíram pelo BE (em maior número), pelo PSD e pelo CDS. Muito poucos professores votaram no PS. Agora, é preciso insistir e manter a luta. Voltar a realizar uma grande manifestação na véspera das legislativas. E continuar na via do Compromisso Educação com todos os partidos da oposição em torno das reivindicações dos professores. Isolar ainda mais o PS e derrotá-lo de novo em Outubro.»

Um alento para a batalha que vai prosseguir

Temos razões para estarmos contentes.

A manifesta derrota do Partido Socialista, nas eleições europeias, constitui uma objectiva derrota de tudo aquilo que muitos de nós temos combatido: a arrogância, a incompetência, a mentira, a grosseria, a insensibilidade política e social.

É também uma derrota de todos aqueles que, nos locais de trabalho, escudados nos exemplos de prepotência e de pesporrência que vinham de cima, julgavam ter como certa e segura a concretização das suas ambições a pequenos tiranetes.

É igualmente a derrota da onda de mediocridade e de manipulação que já há muito mina o país e que ameaçava tomar conta dele por inteiro.

Todavia, todos sabemos que não se trata ainda de uma derrota irreversível. É um vigoroso alento que todos recebemos após tantos meses de tanta luta, é um alento para nós e é um travão, ainda que não definitivo, para os inimigos da Liberdade, mas todos sabemos que não é mais do que isso.

Que este alento nos reforce a vontade e a determinação de levarmos a nossa luta até ao fim.
A luta a que a nossa consciência profissional e ética nos obriga.

Agradecimento

Agradeço ao blogue Pérola de Cultura, ou melhor, à Helena Feliciano, o ter atribuído a O estado da educação e do resto o prémio «LEMNISCATA». Troféu cujo objectivo é premiar os blogues «que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.»
Aproveito para, mais uma vez, felicitar a Helena pelo seu blogue e pelo meritório trabalho que nele desenvolve.

domingo, 7 de junho de 2009

Pensamentos de domingo

«Certas pessoas são capazes de dizer qualquer coisa para produzir efeito, até mesmo a verdade.»
Carl Hammaren

«Quando Sócrates inventou a máxima "Conhece-te a ti mesmo" podia bem ter acrescentado "Mas não contes a ninguém".»
H. F. Heinrich

«É natural que a vida seja impossível nos outros planetas, pois se ela aqui já é tão difícil.»
Anónimo
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

Bobby Hutcherson

sábado, 6 de junho de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico

Acerca do Estoicismo
«A questão ética que preocupou os estóicos, no século IV a. C., foi como reagir ao sentimento prevalecente de fatalismo provocado pela vida num império rigidamente controlado. Não podiam alterar praticamente nada nas suas vidas diárias, por isso decidiram mudar a sua atitude relativamente à própria vida. Era o único controlo pessoal que lhes restava. O que os estóicos adoptaram foi uma estratégia de distanciamento emocional da vida. Chamaram à sua atitude apathia (apatia) e para os estóicos a apatia era uma virtude, que os transformou em motivo da chacota na taberna local. Os estóicos estavam dispostos a sacrificar alguns tipos de felicidade (sexo, drogas e hip-hop dionisiano) para evitar a infelicidade provocada pelas suas paixões (DST, ressacas e rimas más). Agiam apenas de acordo com a razão, nunca motivados pela paixão e, por conseguinte, consideravam-se as únicas pessoas verdadeiramente felizes — que é o mesmo que dizer que eram não-felizes.
Na história que se segue, o senhor Cooper demonstra uma forma moderna de estoicismo: estoicismo por procuração.

Os Cooper foram conduzidos ao consultório do dentista, onde o senhor Cooper deixou claro que estava com muita pressa.
— Nada de paninhos quentes, Doutor — ordenou. — Não quero anestesia nem agulhas nem nada disso. Arranque o dente e despache o assunto.
— Quem me dera ter mais pacientes tão estóicos como o senhor — declarou o dentista com a admiração. Muito bem, qual é o dente?
O senhor Cooper voltou-se para a mulher:
— Abre a boca, querida.»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Imperativamente

Enquanto professor, vivo um conflito grave com a política educativa da ministra da Educação do Partido Socialista. A acintosa e incompetente política educativa do Partido Socialista atingiu um nível insuportável de mediocridade.
O Partido Socialista ficará na história da Educação pelas piores razões: tentou destruir a classe profissional docente, denegriu a sua imagem, conseguiu que milhares de professores antecipassem a reforma, com gravíssimos prejuízos financeiros, e que outros, não podendo reformar-se, recusem manter um comportamento de entrega incondicional à escola, como até aqui sempre tinham feito.
No futuro, o Partido Socialista envergonhar-se-á destes quatro anos, envergonhar-se-á não só do que de inqualificável fez aos professores, mas igualmente do que fez em prol do facilitismo e da generalização da política do faz-de-conta: desde as faltas dos alunos que já não servem para reprovar, passando pelos exames que nada examinam e pela fantasia estatística que tudo deturpa, até à gratuita e maciça distribuição de diplomas e de certificados.
Para este Partido Socialista vale tudo, desde que se vislumbre a possibilidade de haver dividendos eleitorais.
Este é o meu conflito com a política educativa do Partido Socialista, enquanto professor.
Enquanto cidadão, vivo igualmente um confito grave com a política geral do Governo do Partido Socialista. Desde logo, porque o Partido Socialista, pela voz do seu chefe, José Sócrates, me diz, a mim, cidadão português, que avalie a sua política tendo por referência as ditas reformas realizadas na Educação. Como acumulo o estatuto de cidadão com o de professor, tenho de repetir o que já aqui escrevi: se a reforma da Educação é a reforma mais bem conseguida deste Governo, nós, professores, que sabemos, melhor do que ninguém, em que realmente consistiu esta reforma, e que a classificamos como o pântano da incompetência, da injustiça e da arbitrariedade, podemos imaginar a qualidade das reformas levadas a cabo nas outras áreas da governação. Se o desastre da Educação foi a reforma mais bem conseguida, que adjectivação será apropriado utilizar para qualificar as outras reformas?
Mas o meu conflito com política geral do Partido Socialista reforça-se com a avaliação profundamente negativa que faço das diversas áreas da governação, nestes quatro anos. Exemplos:
— Ambiente — cujo ministro parece ter sido, em múltiplas situações, mais o representante dos interesses de empreiteiros e de empresários do que dos interesses da ecologia (e, hoje mesmo, considerou o preço da água demasiado barato, defendendo que ele deve subir 15 vezes!);
— Justiça — domínio em que as trapalhadas se sucedem quase diariamente;
— Obras Públicas — onde já se fizeram e desfizeram aeroportos, pontes e TGV, com a mesma facilidade com que se fazem e desfazem camisas;
— Negócios Estrangeiros — área onde se deu o maior desinvestimento, de que há memória, na defesa da língua e da cultura portuguesa no estrangeiro, e cujo ministro desapareceu de cena há já muito tempo;
— Agricultura — onde existe um divórcio total entre o ministro e os agricultores, entre o ministro e os pescadores, entre o ministro e tudo o que tenha que ver com agricultura ou com pesca;
— e, finalmente, para não ser exaustivo, a Presidência do Governo — cujo protagonista, o primeiro-ministro, é o expoente máximo da arrogância, da demagogia e do mais primário senso-comum. Não conheço deste homem uma ideia. Não conheço deste homem um projecto para Portugal. Tenho dúvidas, sérias dúvidas, de que ele conheça, minimamente, a história do seu país, que saiba fundamentar, por exemplo, porque somos uma nação. Deste homem, que diz ser viciado em filosofia, não conheço uma proposição filosófica, um argumento por ele defendido, uma teoria que ele subscreva.
Deste homem, conheço apenas três palavras de ordem. A primeira, logo após ter tomado posse: «a minha primeira prioridade é Espanha, a minha segunda prioridade é Espanha, a minha terceira prioridade é Espanha». A segunda palavra de ordem: «reduzir o défice, reduzir o défice, reduzir o défice». A terceira: «plano tecnológico, plano tecnológico, plano tecnológico».
Deste homem, não conheço mais nada, tirando, é claro, os permanentes «recordes» que ele bate e os «nunca tinha sido visto» e outras do género.
Estas são algumas das razões porque, no domingo, não votarei no Partido Socialista. Dir-me-ão: mas nenhuma dessas razões tem que ver com a Europa. Não é verdade que não tenha que ver com a Europa. Tem, e tem muito: eu não quero enviar para o Parlamento Europeu gente que pensa e age assim, eu não quero ajudar a construir uma Europa seguindo o paradigma da medíocre e incompetente política do Partido Socialista do meu país.
Por isso, domingo, não votarei no Partido Socialista. Imperativamente.

Ninguém votou em Vital Moreira

Vital com zero votos para o Conselho Científico
da Faculdade de Direito
O cabeça-de-lista do Partido Socialista ao Parlamento Europeu foi o docente menos votado nas eleições para o Conselho Científico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Vital Moreira não recebeu nenhum voto no escrutínio de terça-feira
Segundo a actada Comissão Eleitoral para as Eleições do Conselho Científico da FDUC, Vital Martins Moreira não colheu qualquer voto e ficou em último lugar nas preferências dos docentes da faculdade.
A votação realizou-se terça-feira, 2 de Junho. Entre os candidatos contavam-se todos os docentes doutorados que não tivessem declarado indisponibilidade para concorrer a um lugar no conselho científico.
Vital Moreira não manifestou indisponibilidade para continuar naquele órgão para o qual foi eleito em 2006, apesar não ter comparecido a qualquer reunião do conselho durante dois anos.
Nesse período, o constitucionalista também acumulou faltas injustificadas às aulas e não apresentou sumários da lições, como a lei exige. No entanto, Vital não foi alvo de qualquer processo disciplinar.
Sítio do Sol

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quinta da Clássica - Antonin Dvorak

Uma proposta de câmbio

Grafito na Graça, Lisboa.
Enviado por Albertina Pereira.

Mais um caso de «normalidade»

A ser verdade tudo o que aqui é descrito sobre o que está a acontecer no Agrupamento de Pinhal de Frades, não são necessários comentários. A narrativa fala por si.
Retirado do blogue A Educação do Meu Umbigo:

«A novela mexicana deste agrupamento começou com um pedido da presidente do conselho executivo a solicitar ao CGT a rápida eleição do director do agrupamento, também por motivos de gestão e não apenas monetários. Apesar de uma parte do CGT não estar de acordo, porque queria apenas centrar-se no Regulamento Interno, a maioria resolveu atender ao pedido da senhora presidente do CE.
A primeira surpresa surgiu aquando da entrega das candidaturas: além da presidente do CE, apareceu uma outra candidata. Tínhamos, então, a experiência versus a sapiência: a candidata com 14 anos de executivo e a candidata com mestrado e em fase de tese de doutoramento.
A segunda surpresa: a sapiência vence 12 a 6, com a abstenção da autarquia, claro. Foi o renascer de um agrupamento: respirava-se novamente.
Mas eis que tudo o que é bom, ou excepcional!, acaba: a candidata vencida interpõe um recurso, alegando falta de habilitações da sua adversária. Apesar do Director Regional já ter homologado esta candidata, vem uma revogação por falta de 1 número de acreditação da parte curricular do doutoramento!
Sai a directora, entra a presidente do CE. Todos os professores e funcionários do CGT são convocados para uma reunião com o Director Regional. Neste encontro o Director refere que homologou a directora porque o documento ficou uma semana preso nos serviços, sendo depois indevidamente enviado para a escola (?!). Assim, dever-se-ia continuar com o mesmo concurso, mas apenas com 1 candidata: a vencida. Interpelado sobre a legalidade do acto, referiu ter “resmas” de advogados e que ele é que iria tomar a decisão final. Apresentou de seguida várias hipóteses para solucionar este caso:
* a candidata vencida demitia-se;
* o CGT demitia-se ou faltava às reuniões;
* elegia-se a candidata vencida, uma vez que uma CAP poderia ser terrível;
* o CGT aprovar 1 documento expressando que não estavam reunidas as condições para a eleição do director, documento este que teria que ser aprovado por uma maioria de dois terços dos votos.
No entanto, ter-se-ia que garantir a calma do agrupamento e a tranquilidade de toda a comunidade.
A presidente do CGT apresentou 1 abaixo-assinado que lhe fora dirigido pela comunidade (o qual já era do conhecimento do sr. Director – “por via oficial e outras”sic) a solicitar a reposição da democraticidade na eleição do director do agrupamento. Este documento que revelava a instabilidade vivida nas escolas do agrupamento, não teve efeitos porque, segundo o senhor director, “muitos gostam de se manter longe destas situações” (porque será?!).
Indignados com tais propostas, e com a atitude de quem quer governar a todo o custo, todos os professores, efectivos e suplentes, demitiram-se, juntamente com 1 elemento cooptado e 2 representantes dos EE. Esta difícil decisão foi tomada com o intuito de “matar” 1 eleição viciada e repor a democraticidade no agrupamento.
Resultado: o sr. Daniel Rodrigues telefona ao elemento mais velho do CGT remanescente, a chefe dos serviços administrativos, dizendo-lhe que deve assumir a presidência (uma vez que a presidente era professora) e prosseguir com a eleição.
Mal vimos a convocatória, ligámos a este senhor que, também oralmente, nos disse ser legal existir 1 CGT sem a representação de professores e com outros elementos demitidos. E era assim, porque ele dizia, sem apresentar uma justificação legal. Enviámos-lhe um e-mail a solicitar 1 esclarecimento por escrito… até agora nada. E a reunião está marcada para sexta-feira, às 18:30 para, numa eleição viciada, se eleger uma candidata vencida.
Como é óbvio, não existe nem calma, nem tranquilidade neste agrupamento. Mas parece que, afinal, isso não era importante!»

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Às quartas

Divina Comédia

Erguendo os braços para o Céu distante
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: - «Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,

Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inextinguíveis,
Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
Num turbilhão cruel e delirante...

Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda existe,
Ter ficado a dormir eternamente?

Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: - «Homens! porque é que nos criastes?»

Antero de Quental

Compromisso Educação

http://2.bp.blogspot.com/_KdtlQSb9TP0/SiWQExR3fwI/AAAAAAAABWs/8b945IaET4k/s400/movimentos.jpg

COMPROMISSO EDUCAÇÃO (I)

Os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, constatam que, em consequência da prolongada e tenaz resistência dos professores contra as políticas educativas deste Governo, foi emergindo um consenso natural entre todas as forças políticas da oposição acerca da rejeição das políticas em causa, tal é a inconsistência e a injustiça das mesmas.
Assim, atendendo a que:
1) é desejável que as reformas educativas, pela sua dimensão estruturante e pelo alcance temporal dos seus efeitos, sejam geradoras do maior consenso político e social possível, para aí se poderem ancorar de forma duradoura, de molde a evitarem-se mudanças ao sabor de maiorias e de umbigos de circunstância, que apenas servem para destabilizar as escolas e perturbar o sistema de ensino;

2) este Governo embarcou, de forma impreparada e casuística, em aventureirismos reformistas que procurou implementar nas escolas através de uma estratégia de arrogância, a qual subalternizou qualquer respaldo político-partidário fora da maioria socialista (e nem todos), assim como ignorou os saberes, as experiências e as dinâmicas dos actores no terreno;

3) as pretensas reformas vieram a ser impostas de modo hostil e autocrático, muitas delas escoradas na inaceitável injustiça que consumou a divisão da carreira, pelo que apenas contribuíram para a degradação do ambiente nas escolas e para desencadear a indignação e a resistência dos professores;

4) se verificou uma convergência de posições entre os professores e os partidos políticos da oposição à volta de um núcleo de reivindicações fundamentais, especificamente a propósito da não aceitação da divisão da carreira e da rejeição do modelo de avaliação proposto, o que vem reforçar a adequação e a justeza da contestação encetada pelos professores;

Os movimentos independentes de professores consideram estarem reunidas as condições para a efectivação de um contrato público, em matéria de educação, com os partidos da oposição, as suas estruturas dirigentes e os seus membros mais destacados, a nível nacional e distrital, que se possa traduzir num compromisso de, no que venha a depender de cada um e no quadro da próxima da legislatura, tudo procurarem fazer para:
1) colaborarem na valorização do prestígio e da autoridade dos professores e na implementação de um ensino público de qualidade;

2) abrirem um processo negocial com as estruturas representativas dos professores que incida sobre a imprescindível e urgente revisão do ECD (Estatuto da Carreira Docente), no sentido de ser revogada a divisão arbitrária e injusta da carreira, enquanto condição indispensável à pacificação das escolas, de ser substituído o actual e desacreditado modelo de avaliação, bem como de se pôr fim à aplicação das quotas ao sistema de ensino;

3) manifestarem abertura para negociar com as estruturas representativas dos professores dossiers candentes, como: a revisão do modelo de gestão, que seja susceptível de garantir uma maior democraticidade e participação dos professores nos processos de gestão e tomadas de decisão nas escolas; a questão da estabilidade profissional dos docentes; a manutenção do carácter nacional dos concursos de professores;

4) reconhecerem a necessidade de uma revisão do Estatuto do Aluno, de molde a promover uma cultura de responsabilidade.
Desta forma, os professores portugueses e as suas famílias terão uma percepção clara de quais as forças políticas e os dirigentes políticos que serão merecedores da sua confiança e do seu voto, nos próximos actos eleitorais.

Os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, submetem este documento às estruturas e aos elementos destacados dos partidos políticos da oposição, ficando na expectativa de poderem contar, da parte dos mesmos, com uma intervenção pública e/ou com um documento escrito que subscreva este Compromisso Educação.

Vila Real e Lisboa, 1 de Junho de 2009
Os movimentos independentes de professores,
APEDE, MUP e PROmova

COMPROMISSO EDUCAÇÃO (II
)

No final da tarde do dia 1 de Junho, em Vila Real, eu próprio [Octávio Gonçalves], apresentei e entreguei ao cabeça de lista do PSD às eleições europeias, Dr. Paulo Rangel, em nome dos movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, o documento que consubstancia o COMPROMISSO EDUCAÇÃO.
O Dr. Paulo Rangel manifestou uma extraordinária receptividade ao teor do documento, elogiando-o publicamente e considerando a apresentação do mesmo como "o momento mais alto" do dia de campanha.

Foi pena que a manipulação jornalística e a formatação "rocambolesca" da cobertura mediática da campanha eleitoral tivessem sonegado aos portugueses e, especificamente aos professores (que também pagam impostos e são cidadãos de corpo inteiro, mas pelos vistos não têm espaço na comunicação social), a iniciativa dos movimentos independentes de professores e a centralidade que o próprio candidato lhe reconheceu.

No final do encontro com os Conselhos Executivos de Vila Real e com o PROmova, o Dr. Paulo Rangel, teve oportunidade de se dirigir aos jornalistas e ao país, valorizando os professores e denunciando a diabolização que este ME e este Governo fizeram da classe docente.

Ainda esta semana, o documento COMPROMISSO EDUCAÇÃO será proposto ao BE, ao PCP e ao PP.

Nos próximos actos eleitorais, os professores e as suas famílias saberão escolher os candidatos e os partidos que valorizam os professores e acolhem as suas justas reivindicações, ignorando aqueles que, sistematicamente, os afrontam e desprestigiam.
Octávio V Gonçalves

(Núcleo de Estratégia do PROmova)