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Imagem de Gustavo Almeida |
O assunto foi despoletado há uma semana e continua a medrar.
Ontem, terça-feira, este acontecimento recebeu a concorrência de um outro acontecimento que passou a rivalizar com o primeiro acontecimento no domínio dos espaços informativos sobre acontecimentos. E mais especialistas, mais comentadores, mais figuras públicas, mais personalidades, mais personagens, mais protagonistas se acotovelaram num interminável frenesim de enfileiramento opinativo. Somos pródigos na produção de acontecimentos extraordinários: ontem, foi a notícia de que há um preso que vai continuar preso. E o mundo informativo desabou sobre nós: jornais, televisões e rádios encheram-se e encheram-nos com mais este acontecimento único. Badalaram-se hinos à dignidade, à coragem e à determinação; poemas e poetas foram chamados para iluminarem a coerência e até Mandela foi referido. (Será com interesse que observarei, no caso de se comprovarem os crimes de que o preso está indiciado, em que sítio os cantores destes hinos irão meter as dignidades, as coragens, as determinações e as coerências).
O treinador e o preso fizeram de tudo o resto insignificância. Comparados com estes dois, que interesse têm os problemas do nosso desemprego, da nossa saúde e da nossa educação? Que interesse tem o massacre que está a ser feito aos gregos? Que interesse têm o nosso presente e o nosso futuro colectivos?