Sábado, 4 de Julho de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico

Acerca do Desejo de Poder
«O filósofo alemão do século XIX, Frederich Nietzsche, proclamou arrojadamente que ia mudar drasticamente a ética cristã tradicional. Começou em pequena escala, anunciando a morte de Deus. Deus retaliou anunciando [...] a morte de Nietzsche. O que Nietzsche queria dizer com a morte de Deus era que a cultura ocidental tinha ultrapassado as explicações metafísicas do mundo, bem como a ética cristã que as acompanhava. Definiu o cristianismo como "moral de rebanho" porque ensina uma "ética antinatural" — que é mau ser uma macho alfa que domina o rebanho. Nietzsche substituiu a ética cristã por uma ética de força de afirmação da vida a que chamou o desejo de poder. O indivíduo excepcional, o Übermensch ou super-homem, está acima da moral de rebanho e merece expressar livremente a sua força natural e superioridade relativamente ao rebanho. Friedrich foi claramente um membro da escola de Tony Soprano no que diz respeito à regra de ouro. Consequentemente, Nietzsche foi culpado por tudo desde o militarismo alemão até à sauerkraut:
O problema da comida alemã é que, por muito que se coma, passada uma hora temos fome de poder.
»

Acerca do Emotivismo
«Em meados do século XX, a maioria da filosofia ética era metaética. Em vez de perguntar "Que actos são bons", os filósofos perguntavam "Que significa dizer que um acto é bom"? "X é bom" significa apenas "eu gosto de x"? Em alternativa, "x é bom" expressa uma emoção que sinto quando observo x ou penso em x?" Esta última atitude, conhecida como emotivismo, encontra expressão na seguinte história:
Um homem escreveu uma carta para as finanças onde dizia: "Não consigo dormir sabendo que adulterei a declaração de impostos. Não declarei todo o imposto cobrável e enviei um cheque de 150 dólares. Se as insónias persistirem, enviarei o resto."»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Compromisso Educação

Mais um passo na construção do Compromisso Educação. Ver aqui.

Fragmenti veneris diei

«Se a paixão do meu pai eram as ferramentas, a da minha mãe eram os medicamentos. As lojas de ferragens e as farmácias ficaram associadas na minha imaginação como se fossem instituições complementares. Não há nada comparável ao manuseamento de uns alicates, sobretudo sob a influência de alguns fármacos. Alguns prospectos avisam que não se deve utilizar máquinas sob o efeito de determinados medicamentos. Para mim é ao contrário. Durante anos fui incapaz de usar a caneta, que é o meu alicate, sem ter antes ingerido algum medicamento. Gostava de optalidon, que ainda existe, embora com uma composição diferente daquele tempo. A minha mãe foi dependente dele como o meu pai da chave de parafusos. O seu êxito devia-se a ter na sua composição uma pequena dose de barbitúrico. O barbitúrico, além das suas bondades químicas, gozava do prestígio de ser a substância escolhida pelas actrizes norte-americanas para se suicidarem. O mito. Nós, quando o ingeríamos, só nos suicidávamos um bocadinho, como correspondia a uma condição em que tudo era vivido a meias. A época em que mais os consumi coincide com a minha entrada na companhia Iberia como funcionário administrativo. Chegava aos escritórios às oito da manhã, tomava uma café de máquina, ia para a minha mesa e engolia com o primeiro gole dois optalidons (a sua eficácia era maior se os ingerisse com uma bebida quente). Dez minutos depois, instalava-se entre mim e a realidade uma espécie de nebulosa que facilitava a nossa relação. A realidade parecia menos afiada, perdia arestas, pontas, agressividade... Até o tédio adquiria a brandura de um colchão de penas. Sob os efeitos do optalidon, quando um chefe não olhava para mim, escrevia poemas com uma bic preta de ponta fina. Eis aqui a aliança entre a loja de ferragens e a farmácia, dois universos morais condenados a entender-se.»
Juan José Millás, O Mundo, Planeta Manuscrito, p. 25.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

É este o nível de governantes que temos

É esta a mentalidade que está no poder: tudo é permitido, desde mentir a fazer gestos obscenos.

Os professores são uns privilegiados

Acabo de ouvir o primeiro-ministro falar na Assembleia da República, no debate sobre o estado da Nação. E reconheço que os professores são uns privilegiados. São uns privilegiados relativamente à avaliação que todos os portugueses vão ter de fazer a este Governo e, em particular, a este primeiro-ministro, no próximo dia 27 de Setembro.
Há cerca de cinco minutos, José Sócrates voltou a repetir isto: a anterior avaliação dos professores era a fingir, a actual avaliação é séria e rigorosa. Isto é mentira, é uma vergonhosa mentira, é uma vergonhosa e repetida mentira. A actual avaliação é um fingimento de alto a baixo. Nós, professores, sabemos que é mentira, o primeiro-ministro sabe que é mentira. E, mesmo assim, repete-a insistentemente. Quem assim procede é facilmente avaliado por quem sabe a verdade. Quem assim procede é inevitavelmente reprovado por quem o avalia. É reprovado pelo que fez e é reprovado pelo que diz que fez e não fez. Isto é, é reprovado pela objectiva incompetência, a nível do fazer, neste caso do malfazer, e é reprovado por que mente. E mente sem pudor.
Deste modo, os professores são uns privilegiados em matéria de avaliação deste Governo e deste primeiro-ministro. Se mente na política educativa, e a política educativa é uma gigantesca mentira em quase tudo, não há nenhuma razão para supor que não faça o mesmo nas outras áreas da governação — e a prova mais recente está na mentira acerca do seu pretenso desconhecimento do negócio da PT com a TVI. Os professores sabem tudo isto. Mas ainda há muitos portugueses que não sabem. Não sabem que este primeiro-ministro mente sempre que, do seu ponto de vista, isso lhe possa trazer proveitos eleitorais.
Um político assim não merece a confiança dos professores, e não pode merecer a confiança dos portugueses.

Quinta da Clássica - Hector Berlioz

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Às quartas

Ciclo

Tudo estava enterrado.
Havia em toda a parte
O silêncio que se segue
Ao desabar das casas,
Depois do céu em chama
Lançar na noite fria

O espanto, a dor, a morte.
Já se extinguira mesmo
O sussurro diluído
Das cinzas moribundas
E o gemido prolongado
Do cão negro, espavorido,
Correndo pelas ruínas.

E como pôde nascer
Na aridez e no vácuo
Um pensamento de luz,
Nítido, preciso,
Que cortou os ares queimados
E deixou nas nuvens sujas
Um sulco fundo de Vida?

Maria Amélia Neto

Texto de Mário Machaqueiro sobre a não entrega da auto-avaliação exigida pelo ME

Exmo. Senhor
Director da Escola Secundária de Caneças,

Venho, por este meio, comunicar a minha decisão de não entregar qualquer documento relacionado com a minha auto-avaliação respeitante ao ano lectivo de 2008-2009. Esta decisão vem na sequência da minha tomada de posição anterior, expressa no facto de não ter entregue os objectivos individuais mencionados no Decreto Regulamentar n.º 2/2008 de 10 de Janeiro. Entendo que a não entrega desses objectivos, inscrita numa contestação do modelo de avaliação imposto aos professores pelo Ministério da Educação e na exigência de que o mesmo seja suspenso, tem como corolário lógico a não entrega da auto-avaliação, sinalizando assim a minha objecção de consciência face a um modelo de avaliação do desempenho que padece dos vícios que passo a expor:
• É um modelo inteiramente comandado por uma estreita visão ideológica do que deve ser um professor, visão que, nas últimas décadas, dominou a formação dos docentes em Portugal. A sua influência sobre o sistema educativo tem procurado reduzir toda a riqueza, pluralidade e complexidade do trabalho docente a um formato único, definido por pedagogias pretensamente «novas», e o seu resultado tem-se traduzido, quase sempre, pelo declínio acentuado dos níveis de exigência e de rigor nos procedimentos de ensino. Esse declínio tem, de resto, a sua ilustração no escandaloso facilitismo que marcou os exames nacionais neste ano lectivo como no anterior.
• O citado modelo de avaliação pretende quantificar, de forma absurda e hiperburocratizada, uma série de comportamentos e de actividades cujo carácter eminentemente qualitativo não cabe em fórmulas aritméticas. Só uma mentalidade tecnocrática, infelizmente instalada nos decisores ministeriais e nos ideólogos da educação, imagina que grelhas quantificadoras conseguem captar, com fidelidade, aquilo que um professor investe no processo educativo.
• Pelo que foi dito acima, o modelo de avaliação do desempenho docente concebido pelo Ministério revela-se impróprio para reconhecer a genuína excelência de um professor, a qual se afere, acima de tudo, pela capacidade de, no acto de comunicação dos saberes, marcar e transformar duradouramente os alunos com as perspectivas de desenvolvimento individual que esse acto lhes pode abrir. Esta dimensão fundamental da relação pedagógica prima pela ausência no referido modelo, pois a ideologia que o informa é totalmente incapaz de a apreender.
• Na sua versão original, consubstanciada no Decreto supracitado, o modelo de avaliação está ideologicamente orientado para converter o professor num fabricante de sucesso escolar artificial, mistificação produzida para inflacionar estatísticas que em nada correspondem aos saberes efectivos dos alunos. Desse modo se agrava, ano após ano, a crescente tendência para que os alunos concluam o seu percurso escolar mutilados por ignorâncias e iliteracias várias, as quais só não são maiores porque muitos professores continuam a fazer o seu trabalho à margem das doutrinas congeminadas pelos “especialistas” ministeriais.
• A avaliação dos professores, consagrada neste modelo, releva de uma lógica de poder própria do mundo empresarial, apostada em aumentar o controlo sobre funcionários proletarizados e em punir os comportamentos classificados como desviantes ou improdutivos, mesmo quando estes conduzem a um enriquecimento das práticas sociais com sentido emancipador. Tal lógica, já de si perversa pelo tipo de relações de poder que insinua no espaço laboral, é absolutamente estranha ao cariz cooperativo que deveria pautar o relacionamento entre os diversos agentes do espaço pedagógico.
• Na versão que lhe foi introduzida pelo Decreto Regulamentar n.º 1-A/2009, o modelo transformou-se em pouco mais do que uma farsa, abrindo a porta para que os professores sejam, na sua grande maioria, avaliados pelo cumprimento de funções meramente burocráticas, extrínsecas à sua prática lectiva, numa estratégia de mera sedução daqueles que têm demonstrando a sua revolta e indignação. Essa estratégia não visa mais do que obter vantagens político-eleitorais para o actual governo, sem qualquer intenção de melhorar as práticas educativas ou de premiar o mérito – mérito cuja definição está, de resto, presa da ideologia tecnocrática que denunciei atrás.
• O modelo de avaliação, mesmo na versão dita «simplificada», assenta num sistema profundamente injusto de quotas para as classificações mais elevadas, que sabemos agora ser único em toda a União Europeia e ao qual a própria Ministra da Educação atribuiu, recentemente, um cunho apenas provisório – contrariando, assim, todo o discurso com que, meses antes, quis legitimar esse sistema. Provisória ou não, a imposição de quotas mostra-se desprovida de racionalidade no plano pedagógico, e surge sem outro fim que não seja o obstáculo artificial para a progressão na carreira, com o intuito de preservar a desvalorização salarial dos professores.
• A implementação deste modelo de avaliação pretende reforçar a divisão da carreira docente entre professores titulares e não titulares, uma divisão que também não possui equivalente na maior parte dos países europeus e que só vem inserir assimetrias e desigualdades entre os professores para as quais não existe um fundamento científico-pedagógico plausível. A injustiça que pesa sobre tal divisão é agravada pelo facto de a mesma ter sido inaugurada por um concurso baseado em critérios absurdos, valorizando, acima de tudo, o exercício de cargos de natureza administrativa e não pedagógica, cobrindo apenas sete anos de carreiras profissionais longas e ricas, e penalizando situações de doença obviamente não imputáveis aos candidatos, o que levou a que muitos professores experientes e válidos fossem preteridos, no acesso à titularidade, a favor de colegas com currículos globais francamente inferiores.
• A aplicação do modelo de avaliação em causa fica, por conseguinte, dependente de avaliadores seleccionados da forma referida no ponto anterior, a que acresce o facto de grande parte deles não ter habilitações especiais nem qualquer formação efectiva para avaliar colegas de profissão – um argumento que, no entanto, deve ser relativizado, tendo em conta que tal formação se destina a ser efectuada no âmbito das já referidas ideologias pedagógicas que são, em grande medida, responsáveis pelo desastre a que chegou o sistema de ensino em Portugal.
Tudo isto me leva, pois, a manifestar a minha completa indisponibilidade para colaborar em qualquer fase deste processo de avaliação no que toca ao meu desempenho individual. Faço-o, como já disse, num espírito de objecção de consciência e não porque a auto-avaliação me suscite receio ou relutância. Devo, contudo, sublinhar que, no modelo em vigor bem como no anterior, a figura da auto-avaliação é um convite para o encómio em causa própria, rotineiro e inconsequente, e não para uma reflexão séria sobre o trabalho produzido, acabando por constituir, assim, mais um instrumento inócuo, a somar a todos aqueles que as modas pedagógicas dominantes nos tentam inculcar.
Concluo este texto, sublinhando justamente a seriedade que me leva a assumir esta escolha. A minha ética profissional, feita de rigor e de exigência para comigo mesmo, que sempre acompanhou os meus vinte e três anos de entrega à actividade de professor, permite-me encarar, com serenidade, as consequências que possam advir da tomada de posição aqui enunciada. É, aliás, em nome dessa ética que considero ser um dever de consciência não participar num modelo iníquo que o Ministério da Educação insiste em impor, contra toda a razão, às escolas e aos professores deste país.

Mário Artur Borda dos Santos Machaqueiro
(Professor de Filosofia no Quadro de Nomeação Definitiva
da Escola Secundária de Caneças)

Subscrevo quase tudo o que Mário Machaqueiro afirma neste texto. Defendo, todavia, pelas razões que já expus neste blogue, a entrega de um relatório de reflexão crítica, em que se assume, objectiva e formalmente, a recusa ser avaliado pelo actual modelo. Mas, como já disse num comentário que fiz no blogue do Octávio Gonçalves, fossem estes os dilemas de todos os professores (não entregar nada ou entregar um relatório de ruptura com o modelo) e estaríamos nós bem.
Aproveito para endereçar ao Mário Machaqueiro as minhas felicitações por esta pública tomada de posição e um sincero abraço solidário.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Bonecos de palavra

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Mais professores que recusam entregar a ficha de auto-avaliação e optam por documento com texto colectivo

Recebemos por e-mail esta informação, que trancrevemos. Se a informação é fidedigna, significa que mais colegas optaram pelo caminho que, para muitos de nós, é o mais correcto.
ESCOLA SECUNDÁRIA DO MONTE DE CAPARICA
ACTA
da Reunião Geral de Professores de dia 22 de Junho de 2009

Aos vinte e dois dias do mês de Junho de dois mil e nove, pelas doze horas, na Escola Secundária do Monte de Caparica, realizou-se uma Assembleia Geral de Professores convocada ao abrigo da lei sindical, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1-Informações;
2-Avaliação do Desempenho: auto-avaliação;
3-Outros assuntos.

Ponto um: Informações
No âmbito deste primeiro ponto, foram os presentes confrontados com o ponto de situação do processo de Avaliação do Desempenho Docente (versão simplex), quer no contexto Nacional quer no contexto das posições defendidas na Escola desde que o processo se iniciou.

Ponto dois: Avaliação do Desempenho: auto-avaliação
No que a este ponto respeita, foi pedida a participação à assembleia e solicitadas propostas no sentido de os docentes se posicionarem face à entrega da Ficha de Auto-Avaliação.
Da contribuição dos presentes, foi possível sintetizar um conjunto de três propostas:
P1- Entrega de ficha de Auto-Avaliação;
P2- Não entrega de ficha de Auto-Avaliação;
P3- Não entrega de ficha de Auto-Avaliação, mas a elaboração, e consequente entrega, de um documento colectivo que fundamentasse, mais uma vez, a nossa recusa ao modelo de Avaliação de Desempenho Docente e que registasse o cumprimento, por parte dos signatários, de todo o serviço distribuído no biénio dois mil e oito – dois mil e nove.

Depois de as três propostas terem sido colocadas à votação, venceu, por maioria, a proposta três.
Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a sessão e lavrada a presente acta que, depois de lida e aprovada, vai, nos termos da lei, ser assinada por mim, que a secretariei e pelo Delegado Sindical.

O Delegado Sindical:
O/a Secretário/a:

Registos do fim-de-semana

Novas provas contra Isaltino
Contas de campanha indicam sobras de apenas 15 mil euros e autarca depositou 1 milhão nas suas contas

Lino esconde fundação para gerir milhões sem controlo

Passivo financeiro da CP sobe 30% em seis anos
Sol (26/06/09)

GNR sem meios para ler registos digitais de velocidade de camiões

Palavras do Presidente foram decisivas para forçar Sócrates a vetar compra da TVI

Quotas para classificações de mérito afinal são transitórias

Caso Freeport: Ex-autarca de Alcochete é o sexto arguido

Pepinos curvos e cenouras nodosas de novo à venda

Uma das respostas certificadas em Geografia não estará correcta
Público (27/06/09)

Offshores do BCP foram criadas por ordens verbais dos ex-administradores
Arguidos receberam prémios indevidos de 19,47 milhões
i (27/06/09)

Governo já conhecia negócio PT/TVI desde o início do ano

Novas Oportunidades aceleram e vão formar mil por dia

Exames: trop facile, muy fácil, very easy

Abusadores sexuais podem dar aulas

Tamanho dos pêros deixa de contar
Expresso (27/06/09)

Assembleia da Madeira pagou pareceres para iniciativas do PSD

O Governo em plano inclinado
O que a última semana do Governo deixou a nu é o clima de dissolvência, de final de festa, que começa a instalar-se na cúpula do poder socialista
Público (28/06/09)

BCP ainda paga jacto a Jardim Gonçalves

Carrapatoso recusa apoio ao programa de Sócrates

Aumenta número de ordenações

Quartel tem celas melhores do que camaratas

Abandono do Estádio Nacional preocupa Verdes
Diário de Notícias (28/06/09)

Domingo, 28 de Junho de 2009

Pensamentos de domingo

«As pessoas dividem-se em duas categorias: os pios e os ímpios. A classificação é feita pelos pios.»
Anónimo

«Um pessimista é uma pessoa que foi obrigada a viver com um optimista.»
E. Hubbard

«Qualquer pessoa que veja e pinte um céu verde e pastagens azuis devia ser esterilizada.»
Hitler
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

Jackie McLean Quintet

Sábado, 27 de Junho de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico

Acerca do Imperativo Categórico e da Regra de Ouro
«O princípio abrangente de Kant, o critério para todas as outras máximas éticas, é o que ele chama o "imperativo categórico supremo". À primeira vista, este imperativo parece meramente uma versão pomposa da velha regra de ouro.
Regra de ouro: "Faz aos outros aquilo que queres que te façam a ti".
Imperativo categórico supremo: "Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal."
Claro que a interpretação de Kant tem um tom claramente mais frio. O próprio termo "imperativo categórico supremo" parece bem germânico. Mas, afinal, Kant não pôde evitar — ele era alemão.
No entanto, o imperativo categórico e a regra de ouro partilham muito território filosófico:
. Nenhum deles é uma regra sobre uma acção específica, como "Honra pai e mãe" ou "Come os teus espinafres!"
. Em vez disso, ambos proporcionam um princípio abstracto para determinar que acções específicas estão certas e erradas.
. Em ambos, este princípio abstracto evoca a ideia de qque todas as pessoas são tão importantes como o leitor e eu, por isso deveriam ser tratadas moralmente da mesma forma que o leitor e eu... especialmente eu.
Mas existe uma diferença fundamental entre o imperativo categórico e a regra de ouro, e esta piada curta acerta em cheio:
Um sádico é um masoquista que segue a regra de ouro.
Ao infligir dor a terceiros, o masoquista está apenas a fazer o que a regra de ouro pede: a fazer o que gostaria que lhe fizessem a si, de preferência com um chicote. Mas Kant diria que o masoquista nunca poderia afirmar honestamente que o imperativo moral "infligir dor a terceiros" poderia ser uma lei universal para um mundo habitável. Até um masoquita consideraria isso descabido.
Considerações similares levaram o dramaturgo inglês George Bernard Shaw a rescrever ironicamente a regra de ouro:
Não faças aos outros o que gostarias que eles te fizessem a ti; eles podem ter um gosto diferente.»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

Um regabofe

Noticia o Expresso que as Novas Oportunidades aceleram e passam a formar mil alunos por dia. É um regabofe. Regabofe, folguedo, patuscada, festim, farra, o que se quiser, ou tudo isto junto, e uma enorme falta de vergonha. O país resvala para o pântano.

Um abaixo-assinado

Em apenas 48 horas, este Governo desnuda-se, sem pudor, e mostra as úlceras, os eczemas e as suturas abertas, que os acetinados fatos Armani tentam esconder. As trapalhadas, as mentiras e os actos de hipocrisia sucedem-se a um ritmo difícil de acompanhar. É um exercício insuportável assistir a este desfilar degradado e degradante de comportamentos.
Em apenas 48 horas, ficámos a saber da existência de uma fundação fantasma tutelada pelo ministro Mário Lino; ficámos a saber, a propósito do negócio PT-TVI, que já não vai ser negócio, porque o Governo decidiu proibir um negócio de que não tinha conhecimento, que o primeiro-ministro mente com o mesmo à-vontade com que endivida o país; e ficámos a saber que a ministra da Educação, agora, já diz que as quotas não são fundamentais, depois de se saber que somos o único país — dos cinco estudados pela Deloitte — que possui um sistema de quotas na avaliação dos professores.
Este Governo é uma ferida exposta, que diariamente alastra e se decompõe.
Santana Lopes foi despedido por incomparavelmente menos. Durão Barroso e Guterres fugiram também por muito menos. Se Sócrates não tem, sequer, a coragem de fugir, tem de ser despedido, mas tem de o ser rapidamente.
Já não se trata de saber se o Governo consegue sobreviver até Outubro, trata-se de saber se nós conseguiremos sobreviver a este Governo, até Outubro.
Vou fazer um abaixo-assinado a exigir eleições em Julho.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Fragmenti veneris diei

«No princípio foi o frio. Quem tem frio em pequeno, terá frio para o resto da vida, porque o frio da infância nunca desaparece. No mínimo, fica entranhado nas partes mais recônditas do corpo, a partir de onde se expande por todo o organismo quando as condições exteriores são favoráveis. Calculo que deve ser duríssimo provir de um embrião congelado.
[...]
Uma vez por semana tinha lugar uma limpeza geral do corpo. A casa de banho era um local todo escalavrado e frio, frio, frio. Tínhamos uma banheira com pernas, mas lavávamo-nos num alguidar que a mamã colocava no meio do chão. Comecei aa chamar-lhe "mamã", agora, que estou mais velho, mas sempre a tratei por "mãe". A mamã, então, colocava um alguidar de água a ferver no meio da casa de banho. Como era impossível que uma pessoa se despisse ali sem perecer, pegava fogo a um prato cheio de álcool cuja chama, quase invisível, proporcionava um calor tão intenso como fugaz. Aprendi naquela época que o ar quente tem a propriedade de ascender para as camadas altas da atmosfera. O ar temperado pelo álcool subia, portanto, até ao tecto alto e o frio que vinha do chão envolvia-nos logo a seguir, como se fosse um sudário. Mas durante aqueles segundos de calor o corpo era feliz.»
Juan José Millás, O Mundo, Planeta Manuscrito, pp. 14-16.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Compromisso Educação - Bloco de Esquerda subscreve

[MUPAPEDEPROMOVABE.jpg]
Dirigentes dos PROmova, MUP e APEDE com as deputadas do BE, Ana Drago e Alda Macedo

Para ler o comunicado conjunto, clicar aqui: APEDE; ou aqui: MUP; ou aqui: PROmova.

Quinta da Clássica - Isaac Albeniz

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Sócrates disse: «a avaliação dos professores em curso vai distinguir os melhores»

O primeiro-ministro acaba de dizer, no parlamento, que a «avaliação dos professores em curso vai distinguir os melhores».
Esta afirmação é uma mentira e confirma o que há muito se sabe: temos um chefe de Governo medíocre.
É uma mentira, porque a avaliação do desempenho dos professores que, neste momento, está a ser feita nas escolas é uma vergonha nacional. Envergonha qualquer profissional sério, e envergonha o país. Já o escrevi e reafirmo: a ministra da Educação e o primeiro-ministro conseguiram criar uma avaliação tecnicamente tão má que, comparativamente, consegue fazer do modelo anterior um exemplo de rigor e de exigência. Ser possível formular objectivos individuais em Fevereiro, ou em Março, ou em Abril, ou em Maio ou, até, em Junho, com efeitos retroactivos a todos o ano lectivo, é um exemplo da incompetência desta avaliação. Ser possível atribuir a classificação de excelente através da observação de apenas duas aulas, em três meses, é outro exemplo da incompetência desta avaliação.
Nestas circunstâncias, dizer que «avaliação dos professores em curso vai distinguir os melhores» revela a objectiva mediocridade política de quem o afirma. Ou o primeiro-ministro não sabe do que está a falar, ou sabe, e está, deliberadamente, a querer enganar quem o ouve. Qualquer uma das hipótese mostra como ele é politicamente medíocre.

Às quartas

Madrugada

Rápidas mãos frias
retiram uma a uma
as vendas da sombra
Abro os olhos
Ainda
estou vivo

No centro

de uma ferida ainda fresca.


Octavio Paz

(Trad.: José Bento)

Provas de aferição pagas?

De Vera Oliveira, recebemos o seguinte e-mail:
«Bom dia!
[...]
A minha dúvida é a seguinte: se o estado exigiu as provas de aferição porque é que os pais têm de pagar por cada prova que os seus filhos façam?!?!?!?
Não acho que tenha lá muita lógica se é o estado que exige também deveria ser ele a pagar.
Ou é mais uma forma do estado meter dinheiro ao bolso?!?!?!
[...]
Tenho uma colega em que o filho teve de fazer as provas do 4º, em que ela teve de 3,60€ mais ou menos por cada prova.
Não acho muito justo visto ser uma exigência do governo.
Isto está realmente a ficar caricato, bem já só faltava os professores terem de pagar também pela avaliação deles próprios.»


Confesso a minha admiração e o meu desconhecimento sobre esta exigência de pagamento. A ser assim, é inaceitável.

Compromisso Educação - reunião no Parlamento

Comunicado do PROmova

Caros colegas,

Dia 24 de Junho de 2009, pelas 10.30h, terá lugar, na Assembleia da República, uma importante reunião entre os movimentos independentes de professores (APEDE, MUP e PROmova) e o Bloco de Esquerda [BE], visando o estabelecimento de um COMPROMISSO EDUCAÇÃO que, entre outras convergências possíveis, permita obter do BE um compromisso público de que, no quadro da próxima legislatura e no que depender de si próprio, revogará a divisão da carreira e suspenderá o actual modelo de avaliação.

A circunstância de todos os partidos da oposição se terem posicionado contra a divisão arbitrária da carreira e contra o actual modelo de avaliação, confere a estas iniciativas uma relevância decisiva para, a partir de Outubro de 2009 e tendo em conta os vários cenários pós-eleitorais que começam a delinear-se, poder depender dos votos dos professores e das suas famílias o fim destas medidas, as quais constituíram, tanto uma expressão da postura de afronta aos professores adoptada por este Governo , como um sinal da mediocridade técnica e política desta equipa ministerial. A essência do COMPROMISSO EDUCAÇÃO é, pela via do voto, pôr fim à política educativa deste Governo e deste PS de Sócrates.

Vamos todos estar atentos aos resultados desta reunião.

Aquele abraço,

PROmova,

PROFESSORES – Movimento de Valorização

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Bonecos de palavra

Para ampliar, clicar na imagem.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Registos do fim-de-semana

«Políticos têm culpa nas falhas da regulação»
(Abel Mateus)
i (19/06/09)
Boas notas nas provas de aferição
voltam a não convencer professores

— Regressa a crítica às facilidades em Língua portuguesa e Matemática. «Só falta escreverem os textos» pelos alunos, dizem os docentes de Português

Deputados do PS pedem para ser mais ouvidos

Valentim pode ser ouvido por novo juiz de instrução

Ministério Público pede condenação de Fernando Ruas
Público (19/06/09)

Vinte e oito economistas apelam a Sócrates para reavaliar investimentos públicos

Donos da TVI queriam Moniz no Benfica

Loureiro denunciado por espanhóis

Sócrates não felicita Manuela

Ministros atrás dos biombos

Uma Justiça sem defesa
— Atrasos, injustiças, más decisões.
Notáveis e anónimos juntos nas críticas.


PCP impede acordo do Bloco e da UGT para a Autoeuropa
Expresso (20/06/09)

Ministra admite manter avaliação simplificada

Portugal tem das maiores quebras nos impostos

Parem. E estudem
— «Na última década a economia portuguesa teve o pior desempenho relativo dos últimos 80 anos»

«Há uma grande cultura de subserviência
face a quem está no poder»
(José Eduardo Moniz)

Carlos Guerra é o quarto arguido do processo Freeport

Associações de Professores de Português e de Matemática preocupados com resultados das provas de aferição
dos 4.º e 6.º anos

Público (20/06/09)

«Pacheco Pereira é a loira do PSD»
(Luís Filipe Menezes)
i (20/06/09)

Domingo, 21 de Junho de 2009

O Compromisso Educação vai sendo construído

O importantíssimo trabalho que está a ser desenvolvido pela APEDE, MUP e PROmova, no sentido de ser possível elaborar um Compromisso Educação com todos os partidos da oposição, deu mais um passo. Este Compromisso Educação assume uma enorme relevância na definição do futuro da profissão docente, após a desejada derrrota do PS nas próximas eleições legislativas. Ver notícia aqui.

Pensamentos de domingo

«Hipocrisia: palavra que soa mal, por isso lhe chamam tacto.»
Carl Spitteler

«Levou-me quinze anos a descobrir que não tinha talento para escrever, mas já era tarde de mais para acabar pois já era famoso.»
Robert Benchley

«Poucas pessoas vão ao médico quando estão constipadas: preferem ir ao teatro.»
W. Boyd Gatewood
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

John Zorn

Sábado, 20 de Junho de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico


Acerca do Utilitarismo - 2
«O influente utilitarista contemporâneo Peter Singer estabelece muitas vezes analogias entre decisões que todos estamos de acordo que envolvem consequências terríveis e decisões aparentemente mais benignas que defende serem eticamente semelhantes. Num ensaio, apresenta uma situação em que uma pessoa pode ganhar dinheiro para comprar uma televisão nova vendendo uma criança sem-abrigo a uma empresa que fará a recolha dos seus órgãos para transplantes. Muito mau, todos concordamos. Mas, depois, Singer argumenta que sempre que compramos um televisor novo em vez de doar dinheiro a uma instituição de caridade que protege crianças sem-abrigo estamos a fazer essencialmente a mesma coisa. Não odeiam quando ele diz coisas dessas? É um argumento por analogia de uma afirmação particular dramática para uma proclamação moral geral, como nesta piada clássica:
Ele: Dormirias comigo por um milhão de dólares?
Ela: Um milhão de dólares? Uau! Acho que sim.
Ele: E por dois dólares?
Ela: Desaparece! Quem pensas que eu sou?
Ele: Isso já ficou esclarecido. Agora, estamos apenas a discutir o preço.»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Acerca do problema da entrega ou não entrega da ficha de auto-avaliação do desempenho

Não tenho podido acompanhar, com pormenor, a discussão que se tem desenvolvido na blogosfera acerca deste assunto, contudo, tenho promovido esse debate na minha escola, conjuntamente com as cerca de três dezenas de resistentes, e participado activamente nele.
Do ponto de vista de quem, como eu e muitos milhares de professores, está frontalmente contra este modelo de avaliação e, por isso, não procedeu à entrega dos objectivos individuais, três opções agora se colocam, como todos sabemos:
1. Entregar a ficha de auto-avaliação com um texto de protesto em anexo, conforme os sindicatos aconselham;
2. Entregar um relatório de reflexão crítica, distinto da ficha de auto-avaliação;
3. Não entregar nada.

Não entregar nada é a atitude que corresponde ao impulso natural de recusa do modelo e que constitui, de facto, uma ruptura total com a avaliação. Se o que se pretende, exclusivamente, é manifestar oposição absoluta à avaliação, não há dúvida de que esta é a melhor opção.
Contudo, se o objectivo é assumir uma posição contra este modelo de avaliação, mas não contra toda e qualquer avaliação, não é este, do meu ponto de vista, o caminho que melhor evidencia essa posição. Além de que a opção de nada entregar tem um claro óbice: introduz-nos numa zona dúbia em que se misturam aqueles que não querem esta nem nenhuma outra avaliação e aqueles que são contra esta avaliação, mas não são contra a avaliação.

Entregar a ficha de auto-avaliação com um texto de protesto, em anexo, conforme os sindicatos indicam, é, na minha opinião, um forma muito ténue e desproporcionada de fazer oposição a este modelo de avaliação. Um modelo de avaliação tecnicamente incompetente, deontologicamente inaceitável e desprezível, que provocou uma incomensurável revolta e gigantescos protestos, não pode/não deve suscitar da parte dos professores um comportamento de resignação pública, que acaba a resvalar para a aceitação formal de algo que se rejeita, como se se tratasse de uma inevitabilidade fazê-lo. Entregar a ficha de auto-avaliação sob protesto é dizer apenas isto: cumpro, ainda que não concorde. Ora isto, para além da enorme fragilidade que evidencia enquanto acto de resistência, não é um modo de luta proporcional à bestialidade da situação que se pretende combater, nem me parece coerente com o enorme protesto que durante ano e meio realizámos.

Defendo, portanto, que deve ser entregue um relatório de reflexão crítica, desde que este relatório respeite, no mínimo, os seguintes requisitos:
1. Deve ser completamente distinto da ficha de auto-avaliação e, por consequência, deve ser um relatório sério e de superior qualidade técnica.
2. Deve ser introduzido por um texto cujo conteúdo assuma de modo inequívoco a recusa em ser avaliado por este modelo de avaliação.
3. Deve, essa introdução, apresentar a fundamentação da recusa e afirmar que a rejeição de ser avaliado pelo actual modelo é um acto de objecção de consciência e de salvaguarda do inviolável reduto da dignidade profissional.

Deste modo, penso eu, asseguram-se dois objectivos fundamentais:
1. A recusa formal deste modelo de avaliação, porque nenhum acto previsto na legislação é cumprido pelo professor: nem a formulação e entrega dos objectivos individuais, nem a entrega da ficha de auto-avaliação.
2. A afirmação de que a luta é contra este modelo de avaliação, mas não é contra a avaliação, e, por isso, é elaborado e entregue um relatório reflexivo da actividade desenvolvida.

Na minha escola, decidimos fazer um texto introdutório comum a todos os relatórios de reflexão crítica, cujos tópicos são estes:
a) É um imperativo ético e deontológico não permitir que a consciência individual nem a dignidade pessoal e profissional sejam violentadas, seja qual for a circunstância;
b) A legislação que suporta ou que indirectamente está ligada ao actual modelo de avaliação do desempenho docente constitui uma objectiva violação da consciência e da dignidade profissional.

Elementos da fundamentação:
a) A arbitrariedade das regras do concurso para professor titular (do qual resultou uma selecção aleatória de docentes formalmente tidos como capacitados para o exercício das funções de avaliador);
b) O gigantesco, inoperacional e incompetente modelo de avaliação preconizado pelo decreto regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro.
c) As alterações introduzidas pelo decreto regulamentar n.º 1-A/2009, de 5 de Janeiro, trouxeram normas ainda mais ofensivas da dignidade profissional e da ética deontológica. Dois exemplos: a formulação de objectivos a meio do ano lectivo com efeitos retroactivos, isto é, formulam-se objectivos referentes a um tempo que já passou (e ainda há escolas com professores a formularem objectivos durante o mês de Junho!!!); a possibilidade de atribuição da classificação de muito bom ou de excelente através da observação de um ridículo número de aulas observadas num ridículo período de tempo;
d) As conclusões apresentadas no último relatório do Conselho Científico para a Avaliação de Professores: muitos avaliadores não têm experiência, não têm formação específica nem têm perfil para avaliar o desempenho dos colegas; os avaliadores precisam de fazer formação superior de médio e longo prazo (pós-graduações).

Penso, sinceramente, que este procedimento não só é digno e coerente com a luta que estamos a travar, há cerca de ano e meio, como lhe dá continuidade e força, e é profissionalmente sério.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Não vai ser fácil

Não tive a (in)felicidade de poder ver toda a entrevista do primeiro-ministro à SIC. Mas o que pude ver foi suficiente para me impressionar. Fiquei muito sensibilizado com o ar pungente, por vezes quase dilacerante; com a voz suave, às vezes quase melíflua, outras vezes quase trémula; com o olhar redondo, quase parado, quase rogativo, quase beato com que José Sócrates respondia às perguntas da jornalista. E as mãos? Ai as mãos, como elas se uniam e erguiam em gesto de quase súplica, de quase pedido de redenção.
Temo, sinceramente, que a este ritmo de conversão, tenhamos, em breve, um primeiro-ministro quase presbítero em permanente estado de ascética compunção.
Não vai ser fácil suportar isto até Outubro.

Quinta da Clássica - Mozart

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

«Vou esforçar-me por ser humilde»

Na reunião da comissão política do PS, Sócrates «prometeu esforçar-se por ser "mais humilde", mas que não lhe pedissem para ser quem não é [...] e ouviu as intervenções com mais paciência e menos interrupções» (Público (17/6/09).
Assim é, Sócrates precisa de se esforçar para ser humilde. Isto é, ele não vai ser humilde, ele vai aparentar ser humilde. E vai fazê-lo por uma razão única: está com medo de perder as próximas eleições.
Ele não vai ser humilde porque considere que deve ser humilde. A humildade, para Sócrates, é apenas um instrumento para atingir um fim. Um instrumento transitório, um instrumento descartável, cujo o tempo de validade terminará na noite eleitoral das legislativas. A farsa, a encenação já começou: com voz delico-doce, Sócrates revelou, à entrada da reunião da comissão política, a hipocrisia política de que é capaz: falou em humildade, falou em reconhecer que houve coisas que não correram bem, falou em desgaste do Governo; por outras palavras, falou em tudo aquilo que há uma semana atrás nunca tinha falado nem nunca admitiria falar. Contudo, só o fez, porque o partido que ele chefia sofreu uma estrondosa derrota nas eleições europeias.
Depois, durante a reunião, Sócrates deu desenvolvimento à santimónia: até «ouviu as intervenções com mais paciência e menos interrupções». É elucidativa esta observação: ouviu com mais paciência e não interrompeu. Esforço enternecedor. Mas atenção, Sócrates já advertiu: não exijam demasiado, não queiram que ele seja quem não é. Ser verdadeiramente humilde é pedir demais.
Todos sabemos que o arrogante, o acintoso, o prepotente nunca poderá tornar-se sinceramente humilde, nem sequer aguenta muito tempo parecê-lo. Quatro meses, no máximo.

Às quartas

Caminho
I
Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

Camilo Pessana

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Bonecos de palavra

Para ampliar, clicar na imagem.

Terno, meigo, humilde, dialogante...

Terno, meigo, humilde, dialogante, compreensivo, tolerante...
O que os resultados de uma eleições são capazes de fazer! A hipocrisia política não tem limites. Para ouvir, clicar aqui.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Registos do fim-de-semana

Há meses desaparecidos do notário
Documentos do Heron foram recuperados
... e revelam que a offshore a quem a mãe de Sócrates comprou a casa é pouco recomendável; na história até parece a Mafia italiana
Sol (12/06/09)

Portugal regista terceira maior quebra mundial
no consumo de energia

i (12/06/09)

Risco de pobreza em Portugal duplica nas zonas rurais do país
— políticas nacionais tendem a ignorar o problema —

Portugal sem comboios TGV para arrancar com a linha Lisboa-Madrid em 2013
— Mesmo que o concurso fosse lançado hoje, as empresas construtoras não tinham tempo para disponibilizar material circulante; solução pode passar pela utilização do excedente espanhol
Público (12/06/09)

Ministério da Educação diz que não vai mudar política

Falta de médicos cria sentimento de insegurança
na população alentejana

Desempregados sem acesso à moratória do crédito à habitação,
um mês após a aprovação
Público (13/06/09)

«Toda a mulher tem uma vocação para mãe e dona de casa»
(José Rafael Espírito Santo, líder do Opus Dei em Portugal)


As vacas verdes do Vermont arrotam menos metano
i (13/06/09)

Expresso comparou exames da 4ª classe dos anos 50, 60 e 70 com as provas de 2009. Agora são muito mais fáceis

Cavaco dá machadada final na lei do financiamento
Expresso (13/06/09)

Um inquérito criminal a cada três dias
por violência contra idosos


«O Governo mantém intacta
toda a sua legitimidade para governar»
(Pedro Silva Pereira)


«É preciso compreender e ler os resultados com muita humildade»
(António José Seguro)


Ministério da Educação manda dar posse a director de escola
cuja eleição foi suspensa pelo tribunal

Público (14/06/09)

Domingo, 14 de Junho de 2009

Pensamentos de domingo

«Numa coisa os bêbados e os geógrafos estão de acordo: a terra gira.»
Anónimo

«O fígado faz mal à bebida.»
Anónimo

«Quando é que nos vamos entender? Ela não quer casar comigo enquanto eu não deixar de beber, e eu recuso-me a casar com ela quando estiver sóbrio.»
Henry Yourgman
Nas paredes da cervejaria República da Cerveja

Jacques Loussier

Sábado, 13 de Junho de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico


Acerca do Utilitarismo

«Todos sabemos que aquele esquerdalho do século XX, Vladimir Lenine, disse que "O fim justifica os meios", mas, ironicamente, não está longe do ponto de vista de um dos filósofos preferidos do Esquadrão de Deus do Partido Republicano, John Stuart Mill. Mill e os utilitarista propuseram uma ética "consequencialista": a rectidão moral de um acto é determinada unicamente pelas sua consequências.
A protagonista da história que se segue é, claramente, uma utilitarista:

A senhora O'Callahan deu intruções ao artista que estava a pintar o seu retrato para acrescentar uma pulseira de ouro em cada um dos pulsos e uma tiara de diamantes.

O artista declarou que seria o mesmo que mentir.
- Escute, o meu marido anda com uma jovem loura - disse a senhora O'Callahan. - Depois de eu morrer, quero que ela fique doida à procura das jóias.
Este tipo de justificação poderia, presumivelmente, ser usado para perdoar algumas coisas bastante graves, caso se sentisse que as consequências eram suficientemente "boas".

A senhora Bevoort, uma viúva, estava junto à piscina do seu clube quando avistou um homem muito atraente a apanhar sol. Aproximou-se dele e disse:

- Creio que nunca o vi por aqui antes.
- Não é provável - replicou. - Estive preso durante trinta anos.
- A sério? Porquê?
- Assassinei a minha mulher.
- Ah! - disse a senhora Brevoort. - Então é solteiro!»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

Em definitivo, a crise não é para todos

O jornal i, na edição on line, informa:
«José Sócrates é um dos clientes da mais exclusiva (e cara) loja de Beverly Hills onde só entra um cliente de cada vez, com hora marcada e todo o staff de empregados à sua disposição.»

Fotografia da montra da loja, onde se anuncia a lista de clientes. Na última linha, está o nome de Sócrates.

Não são os políticos portugueses que ganham mal? Não são eles dos mais mal pagos da Europa?
Ora, não tendo José Sócrates outra fonte conhecida de rendimento, que não seja o parco ordenado de primeiro-ministro de Portugal; sabendo nós como ele é viciado na leitura de livros filosóficos, e como lhe deve custar uma fortuna alimentar esse vício; tendo dois filhos a estudar num colégio particular, como foi há algum tempo noticiado nos jornais; como é que ainda consegue a proeza de vestir-se no alfaiate mais caro de Beverly Hills?
Para além da façanha financeira, Sócrates revela ser um exemplo de sobriedade, em particular, num momento de crise.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Comunicado do PROmova

PROmova.jpg
A postura do PROmova relativamente à posição da Fenprof
acerca da entrega da Ficha de Auto-Avaliação

A posição da Fenprof acerca da entrega da Ficha de Auto-Avaliação (FAA), expressa em baixo, merece-nos os quatro seguintes comentários:

1) consideramos que o afã de alguns delegados sindicais, na divulgação da posição da Fenprof, possa ser interpretado como um incentivo à entrega da FAA, quando a decisão deve ser deixada à consciência e ao critério de cada professor;
2) aquando da resistência escola a escola, na não entrega dos objectivos individuais, a consciência dos professores era a de que estavam a desobedecer a uma determinação legal do ME pelo que, só a posteriori, se colocou a questão da obrigatoriedade legal ou não dos objectivos individuais, o que nem sequer, neste caso, está estabelecido se sim ou não existe essa obrigatoriedade;

3) da leitura do texto da Fenprof fica a ideia que não está muito interiorizada a convicção de que este modelo não é para rever em Julho, mas antes para substituir em Outubro, aproveitando a circunstância de todos os partidos da oposição o rejeitarem. Aliás, não se conhece às estruturas sindicais, após as eleições europeias, uma tomada de posição ou uma iniciativa, no sentido de procurarem obter compromissos da parte dos partidos políticos em relação à revogação da divisão da carreira e à substituição do modelo de avaliação;

4) a entrega de uma declaração de protesto apensa à FAA não tem nenhum impacto real, pois, além de não haver possibilidade de contabilizar a dimensão dos que protestam, o efeito que fica é o da participação no processo.

Ademais, a Fenprof admite que a entrega da FAA "levará o ME a concluir, ainda que abusivamente, que os docentes, afinal, já concordam com esta avaliação", correndo-se, exactamente, o risco de se vir a ser confrontado, mais uma vez, com o trio ministerial a dizer que os professores estão "confortáveis" nas escolas e a aplicar o modelo sem problemas, até porque este tipo de aproveitamento propagandístico já ocorreu na entrega dos Objectivos Individuais.

São estas circunstâncias, aliadas à aberração do modelo, ao modo como vem sendo aplicado e às questões de autenticidade pessoal, que levam muitos professores a não estarem disponíveis para se envolverem num processo que quase todos qualificam de "farsa" e "palhaçada".

Assim sendo, o PROmova considera que os professores têm, nas suas mãos, a possibilidade de reafirmarem a rejeição deste modelo de avaliação absurdo e injusto, substituindo a entrega da FAA por um Relatório Crítico que descreva, séria e detalhadamente, a actividade docente e o cumprimento das suas obrigações enquanto professor (proposta de actuação aprovada pelos movimentos independentes de professores, no Encontro de Leiria, realizado a 14 de Março).
Todavia, o PROmova também compreende que muitos professores, no quadro das suas posturas de coerência pessoal, se recusem a participar num processo de avaliação desacreditado, não entregando a FAA ou qualquer outro documento proposto por este modelo (ainda que disponibilizem, para efeito dos seus processos individuais, um documento que avalia e comprova a sua actividade, para o caso de alguém os querer avaliar) e, desta forma, não viabilizando um modelo de que discordam substantivamente. Entre estes docentes, contam-se, além de muitos outros (cujas identidades apenas serão divulgadas com a sua autorização), os colegas Paulo Guinote (blogue A Educação do meu Umbigo), Octávio Gonçalves e José Aníbal Carvalho (Núcleo de Estratégia do PROmova).

PROmova,

PROFESSORES - Movimento de Valorização


Posicionamento da
Fenprof:

http://1.bp.blogspot.com/_KdtlQSb9TP0/SjDpNsb8RdI/AAAAAAAABZ4/Zma1nDqK8cc/s400/fenprof1.jpg

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Quinta da Clássica - Mozart

Retirado do blogue de Octávio Gonçalves: «Não entregarei a Ficha de Auto-Avaliação»

«Não estou disponível para colaborar na farsa desta avaliação do desempenho, pelo que não entregarei a Ficha de Auto-Avaliação
Em questões de coerência e dignidade prefiro, sempre, olhar para dentro do que para o lado. Como tal, é-me, relativamente, indiferente saber quantos colegas acompanham a minha decisão de não entregar qualquer Ficha de Auto-Avaliação (FAA) imposta por este modelo de avaliação do desempenho.
Neste particular, revejo-me, em absoluto, no poema de Torga: “Não sei quantos seremos, mas que importa?! - Um só que fosse, e já valia a pena - Aqui, no mundo, alguém que se condena - A não ser conivente - Na farsa do presente - Posta em cena!”
Confesso-me inexperiente e sem treino na técnica de adormecer sobre uma consciência pesada, pelo que não me resta outra autenticidade que não seja a de não sancionar este modelo de avaliação, nem ser cúmplice de um processo autocrático, destituído de seriedade, credibilidade, justiça e consistência.
Compreendo que a maioria dos professores, chegados a este momento da contestação, se encolha. Por conseguinte, nem sequer me acho no direito de empreender a pastoral da não entrega da FAA. Cada um deve decidir em consciência o que fazer.
Depois da fase do esfusiante unanimismo dos abaixo-assinados e da fase da resistência escola a escola (como é possível ter-se o desplante de afirmar que a estratégia não resultou, quando cerca de 60 mil professores se recusaram a entregar os seus objectivos individuais, num acto de desobediência cívica sem paralelo na história da democracia portuguesa!), parece-me chegado o momento das decisões individuais: cada um decide, em coerência, se participa ou não participa neste processo de avaliação. EU NÃO PARTICIPO!
Declaro, desde já, que não me atemorizam os argumentos legalistas e até farisaicos de muitos hermeneutas circunstanciais do direito e de inúmeros juristas de viveiro que por aí vão formigando.
Por norma, as interpretações alarmistas, que por aí vão vingando, tendem a confundir os dois planos seguintes:
1) o do direito à contestação cívica de leis reconhecidamente injustas e carecidas de seriedade (vejam-se, a propósito, as recentes declarações do presidente do Conselho Científico para a Avaliação os Professores, as quais assumem a fragilidade experimentalista do modelo de avaliação e reduzem os professores a meras cobaias de processos impreparados), de tal forma que este acto de rejeição nem sequer traduz qualquer tipo de incumprimento em termos de desempenho profissional – a nível pedagógico, científico e de envolvente institucional, antes pelo contrário (é pelo exemplo moral e espírito de exigência de alguns contestatários que grandes autores do direito e das teorias da justiça consideram a desobediência civil como um instrumento de aperfeiçoamento das instituições e da sociedade);
2) o do incumprimento dos deveres profissionais por parte dos funcionários públicos, quer seja por negligência, incompetência ou má vontade. Ora, a luta dos professores não configura nenhuma destas situações, as quais constituem, indiscutivelmente, o alvo e o horizonte das leis em apreço.
A história tem sido pródiga em demonstrações do que é, em determinadas circunstâncias, ser conivente de leis absurdas e injustas, apenas porque foi mais cómodo a muitos terem-se amouchado, acobardado ou eximido de lutar. Frequentemente, a manta da lei é curta para abafar a consciência e a exigência de justiça e de decência que ainda move muitos seres humanos, sobretudo quando se trata de leis que resultam em processos impositivos, impreparados e arbitrários, além de não colherem um reconhecimento social alargado, como é o caso vertente de muitos normativos legais expelidos por este Governo.
Apesar dos adamastores e papões que alguns vão agitando, na procura de escapatórias ou de subterfúgios de consciência, estou convicto que a minha decisão está resguardada e protegida por um conjunto de atenuantes e de circunstâncias favorecedoras, a saber:
1) sou um profissional empenhado e dedicado à escola, com uma folha de serviço irrepreensível de mais de vinte anos, nunca tendo negligenciado ou incumprido nenhum dos meus deveres como docente, pelo que apenas me limito a discordar de pôr em prática um modelo de avaliação que é injusto e não é sério. Tal não significa que me recuse a ver avaliada a minha prática profissional, uma vez que vou ter disponível, para o caso de alguém me querer avaliar, um relatório bem mais exigente, sério e circunstanciado da minha actividade docente;
2) além das práticas curriculares e extra-curriculares, disponho de mais do que a formação contínua exigida para o período sob avaliação, mau grado a maioria dos Centros de Formação não terem disponibilizado, por inépcia do Ministério da Educação, qualquer formação aos professores;
3) nenhum director, inspector ou juiz sacrificará a justiça e a decência a uma legalidade torpe, caprichosa e que a generalidade das sensibilidades políticas e sociais não reconhece, caso contrário são os fundamentos de uma sociedade justa que entrarão em erosão (haverá muita literatura e muitos exemplos para arrolar em conformidade);
4) tenho, do meu lado, todos os partidos políticos da oposição, bem como inúmeras autoridades de reconhecido mérito nacional e internacional, nas áreas da ciência, da pedagogia e do saber em geral. Acho que não estarei só.
Definitivamente, não estou disponível para colaborar na legitimação de um modelo de avaliação de que discordo, quer em termos dos fundamentos que o suportam e das debilidades e arbitrariedades em que se operacionaliza, quer tendo em conta a farsa em que se converteu.»
Octávio Gonçalves

Há uns dias que Octávio Gonçalves publicou o texto acima transcrito, que eu subscrevo, na íntegra. Por falta de tempo, ainda não pude comentar nem dedicar atenção, aqui, no blogue, a este importante assunto. Espero dar, na próxima semana, um contributo a este debate. Até lá, deixo o meu abraço ao Octávio Gonçalves.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Às quartas

Anósia

Que marinais sob tão pora luva
de esbranforida pela retinada
não dão volpúcia de imajar anteada
a que moltínea se adamenta ocuva?

Bocam dedetos calcurando a fuva
que arfala e dúpia de antegor tutada,
e que tessalta de nigrors nevada.
Vitrai, vitrai, que estamineta cuva!

Labiliperta-se infanal a esvebe,
agluta, acedirasma, sucamina,
e maniter suavira o termidodo...

Que marinais, dulcífima contebe,
ejacicasto, ejacicasto, arina!...
Que marinais, tão pora luva, todo...

Jorge de Sena

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Bonecos de palavra

Para ampliar, clicar na imagem

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

O doce sabor da derrota

Há um sabor estranhamente doce na DERROTA da prepotência, da arrogância, da incompetência, da mediocridade, da mentira, da injustiça ... e de muito mais.
Há uma esperança, que deixa de ser secreta, de que este ar que pesa como chumbo se tornará respirável.
Há uma vontade redobrada em varrer o lixo.
Há um sentimento de alívio, de começo do fim do pesadelo.
Há que fazer com que esta Primavera renasça no Outono com a mais saborosa das derrotas ... para que no futuro a "derrota" volte a ser o que era.

Reacções - retirado do blogue ProfAvaliação

No blogue A Educação do Meu Umbigo: Absolutamente lamentável (sobre as sondagens da SICN)
No blogue Anovis Anophelis: Este país não é para mentirosos
No blogue O Estado da Educação e do Resto: Um alento para a batalha que vai prosseguir
No blogue Fliscorno: Eleições: Os resultados
No blogue Sinistra Ministra: Votozinhos contados
No blogue Pérola de Cultura: A quem os professores devem agradecer
No blogue Pé-Ante-Pé: Falta agora apurar um deputado
No blogue OutròÒlhar: Derrota técnica
No blogue Correntes: Primeira nota
O PSD ganhou ao PS por 181074 votos. Querem ver que os 150 mil professores em luta fizeram a diferença? Isso, Sócrates, mantém o rumo e conserva a ministra! Continua a cavar a tua sepultura. É necessário esperar por uma análise sociológica da distribuição dos votos dos professores. Arrisco afirmar que os 150 mil votos dos professores se distribuíram pelo BE (em maior número), pelo PSD e pelo CDS. Muito poucos professores votaram no PS. Agora, é preciso insistir e manter a luta. Voltar a realizar uma grande manifestação na véspera das legislativas. E continuar na via do Compromisso Educação com todos os partidos da oposição em torno das reivindicações dos professores. Isolar ainda mais o PS e derrotá-lo de novo em Outubro.»

Um alento para a batalha que vai prosseguir

Temos razões para estarmos contentes.

A manifesta derrota do Partido Socialista, nas eleições europeias, constitui uma objectiva derrota de tudo aquilo que muitos de nós temos combatido: a arrogância, a incompetência, a mentira, a grosseria, a insensibilidade política e social.

É também uma derrota de todos aqueles que, nos locais de trabalho, escudados nos exemplos de prepotência e de pesporrência que vinham de cima, julgavam ter como certa e segura a concretização das suas ambições a pequenos tiranetes.

É igualmente a derrota da onda de mediocridade e de manipulação que já há muito mina o país e que ameaçava tomar conta dele por inteiro.

Todavia, todos sabemos que não se trata ainda de uma derrota irreversível. É um vigoroso alento que todos recebemos após tantos meses de tanta luta, é um alento para nós e é um travão, ainda que não definitivo, para os inimigos da Liberdade, mas todos sabemos que não é mais do que isso.

Que este alento nos reforce a vontade e a determinação de levarmos a nossa luta até ao fim.
A luta a que a nossa consciência profissional e ética nos obriga.

Agradecimento

Agradeço ao blogue Pérola de Cultura, ou melhor, à Helena Feliciano, o ter atribuído a O estado da educação e do resto o prémio «LEMNISCATA». Troféu cujo objectivo é premiar os blogues «que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.»
Aproveito para, mais uma vez, felicitar a Helena pelo seu blogue e pelo meritório trabalho que nele desenvolve.

Domingo, 7 de Junho de 2009

Pensamentos de domingo

«Certas pessoas são capazes de dizer qualquer coisa para produzir efeito, até mesmo a verdade.»
Carl Hammaren

«Quando Sócrates inventou a máxima "Conhece-te a ti mesmo" podia bem ter acrescentado "Mas não contes a ninguém".»
H. F. Heinrich

«É natural que a vida seja impossível nos outros planetas, pois se ela aqui já é tão difícil.»
Anónimo
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

Bobby Hutcherson

Sábado, 6 de Junho de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico

Acerca do Estoicismo
«A questão ética que preocupou os estóicos, no século IV a. C., foi como reagir ao sentimento prevalecente de fatalismo provocado pela vida num império rigidamente controlado. Não podiam alterar praticamente nada nas suas vidas diárias, por isso decidiram mudar a sua atitude relativamente à própria vida. Era o único controlo pessoal que lhes restava. O que os estóicos adoptaram foi uma estratégia de distanciamento emocional da vida. Chamaram à sua atitude apathia (apatia) e para os estóicos a apatia era uma virtude, que os transformou em motivo da chacota na taberna local. Os estóicos estavam dispostos a sacrificar alguns tipos de felicidade (sexo, drogas e hip-hop dionisiano) para evitar a infelicidade provocada pelas suas paixões (DST, ressacas e rimas más). Agiam apenas de acordo com a razão, nunca motivados pela paixão e, por conseguinte, consideravam-se as únicas pessoas verdadeiramente felizes — que é o mesmo que dizer que eram não-felizes.
Na história que se segue, o senhor Cooper demonstra uma forma moderna de estoicismo: estoicismo por procuração.

Os Cooper foram conduzidos ao consultório do dentista, onde o senhor Cooper deixou claro que estava com muita pressa.
— Nada de paninhos quentes, Doutor — ordenou. — Não quero anestesia nem agulhas nem nada disso. Arranque o dente e despache o assunto.
— Quem me dera ter mais pacientes tão estóicos como o senhor — declarou o dentista com a admiração. Muito bem, qual é o dente?
O senhor Cooper voltou-se para a mulher:
— Abre a boca, querida.»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Imperativamente

Enquanto professor, vivo um conflito grave com a política educativa da ministra da Educação do Partido Socialista. A acintosa e incompetente política educativa do Partido Socialista atingiu um nível insuportável de mediocridade.
O Partido Socialista ficará na história da Educação pelas piores razões: tentou destruir a classe profissional docente, denegriu a sua imagem, conseguiu que milhares de professores antecipassem a reforma, com gravíssimos prejuízos financeiros, e que outros, não podendo reformar-se, recusem manter um comportamento de entrega incondicional à escola, como até aqui sempre tinham feito.
No futuro, o Partido Socialista envergonhar-se-á destes quatro anos, envergonhar-se-á não só do que de inqualificável fez aos professores, mas igualmente do que fez em prol do facilitismo e da generalização da política do faz-de-conta: desde as faltas dos alunos que já não servem para reprovar, passando pelos exames que nada examinam e pela fantasia estatística que tudo deturpa, até à gratuita e maciça distribuição de diplomas e de certificados.
Para este Partido Socialista vale tudo, desde que se vislumbre a possibilidade de haver dividendos eleitorais.
Este é o meu conflito com a política educativa do Partido Socialista, enquanto professor.
Enquanto cidadão, vivo igualmente um confito grave com a política geral do Governo do Partido Socialista. Desde logo, porque o Partido Socialista, pela voz do seu chefe, José Sócrates, me diz, a mim, cidadão português, que avalie a sua política tendo por referência as ditas reformas realizadas na Educação. Como acumulo o estatuto de cidadão com o de professor, tenho de repetir o que já aqui escrevi: se a reforma da Educação é a reforma mais bem conseguida deste Governo, nós, professores, que sabemos, melhor do que ninguém, em que realmente consistiu esta reforma, e que a classificamos como o pântano da incompetência, da injustiça e da arbitrariedade, podemos imaginar a qualidade das reformas levadas a cabo nas outras áreas da governação. Se o desastre da Educação foi a reforma mais bem conseguida, que adjectivação será apropriado utilizar para qualificar as outras reformas?
Mas o meu conflito com política geral do Partido Socialista reforça-se com a avaliação profundamente negativa que faço das diversas áreas da governação, nestes quatro anos. Exemplos:
— Ambiente — cujo ministro parece ter sido, em múltiplas situações, mais o representante dos interesses de empreiteiros e de empresários do que dos interesses da ecologia (e, hoje mesmo, considerou o preço da água demasiado barato, defendendo que ele deve subir 15 vezes!);
— Justiça — domínio em que as trapalhadas se sucedem quase diariamente;
— Obras Públicas — onde já se fizeram e desfizeram aeroportos, pontes e TGV, com a mesma facilidade com que se fazem e desfazem camisas;
— Negócios Estrangeiros — área onde se deu o maior desinvestimento, de que há memória, na defesa da língua e da cultura portuguesa no estrangeiro, e cujo ministro desapareceu de cena há já muito tempo;
— Agricultura — onde existe um divórcio total entre o ministro e os agricultores, entre o ministro e os pescadores, entre o ministro e tudo o que tenha que ver com agricultura ou com pesca;
— e, finalmente, para não ser exaustivo, a Presidência do Governo — cujo protagonista, o primeiro-ministro, é o expoente máximo da arrogância, da demagogia e do mais primário senso-comum. Não conheço deste homem uma ideia. Não conheço deste homem um projecto para Portugal. Tenho dúvidas, sérias dúvidas, de que ele conheça, minimamente, a história do seu país, que saiba fundamentar, por exemplo, porque somos uma nação. Deste homem, que diz ser viciado em filosofia, não conheço uma proposição filosófica, um argumento por ele defendido, uma teoria que ele subscreva.
Deste homem, conheço apenas três palavras de ordem. A primeira, logo após ter tomado posse: «a minha primeira prioridade é Espanha, a minha segunda prioridade é Espanha, a minha terceira prioridade é Espanha». A segunda palavra de ordem: «reduzir o défice, reduzir o défice, reduzir o défice». A terceira: «plano tecnológico, plano tecnológico, plano tecnológico».
Deste homem, não conheço mais nada, tirando, é claro, os permanentes «recordes» que ele bate e os «nunca tinha sido visto» e outras do género.
Estas são algumas das razões porque, no domingo, não votarei no Partido Socialista. Dir-me-ão: mas nenhuma dessas razões tem que ver com a Europa. Não é verdade que não tenha que ver com a Europa. Tem, e tem muito: eu não quero enviar para o Parlamento Europeu gente que pensa e age assim, eu não quero ajudar a construir uma Europa seguindo o paradigma da medíocre e incompetente política do Partido Socialista do meu país.
Por isso, domingo, não votarei no Partido Socialista. Imperativamente.

Ninguém votou em Vital Moreira

Vital com zero votos para o Conselho Científico
da Faculdade de Direito
O cabeça-de-lista do Partido Socialista ao Parlamento Europeu foi o docente menos votado nas eleições para o Conselho Científico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Vital Moreira não recebeu nenhum voto no escrutínio de terça-feira
Segundo a actada Comissão Eleitoral para as Eleições do Conselho Científico da FDUC, Vital Martins Moreira não colheu qualquer voto e ficou em último lugar nas preferências dos docentes da faculdade.
A votação realizou-se terça-feira, 2 de Junho. Entre os candidatos contavam-se todos os docentes doutorados que não tivessem declarado indisponibilidade para concorrer a um lugar no conselho científico.
Vital Moreira não manifestou indisponibilidade para continuar naquele órgão para o qual foi eleito em 2006, apesar não ter comparecido a qualquer reunião do conselho durante dois anos.
Nesse período, o constitucionalista também acumulou faltas injustificadas às aulas e não apresentou sumários da lições, como a lei exige. No entanto, Vital não foi alvo de qualquer processo disciplinar.
Sítio do Sol

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Quinta da Clássica - Antonin Dvorak

Uma proposta de câmbio

Grafito na Graça, Lisboa.
Enviado por Albertina Pereira.

Mais um caso de «normalidade»

A ser verdade tudo o que aqui é descrito sobre o que está a acontecer no Agrupamento de Pinhal de Frades, não são necessários comentários. A narrativa fala por si.
Retirado do blogue A Educação do Meu Umbigo:

«A novela mexicana deste agrupamento começou com um pedido da presidente do conselho executivo a solicitar ao CGT a rápida eleição do director do agrupamento, também por motivos de gestão e não apenas monetários. Apesar de uma parte do CGT não estar de acordo, porque queria apenas centrar-se no Regulamento Interno, a maioria resolveu atender ao pedido da senhora presidente do CE.
A primeira surpresa surgiu aquando da entrega das candidaturas: além da presidente do CE, apareceu uma outra candidata. Tínhamos, então, a experiência versus a sapiência: a candidata com 14 anos de executivo e a candidata com mestrado e em fase de tese de doutoramento.
A segunda surpresa: a sapiência vence 12 a 6, com a abstenção da autarquia, claro. Foi o renascer de um agrupamento: respirava-se novamente.
Mas eis que tudo o que é bom, ou excepcional!, acaba: a candidata vencida interpõe um recurso, alegando falta de habilitações da sua adversária. Apesar do Director Regional já ter homologado esta candidata, vem uma revogação por falta de 1 número de acreditação da parte curricular do doutoramento!
Sai a directora, entra a presidente do CE. Todos os professores e funcionários do CGT são convocados para uma reunião com o Director Regional. Neste encontro o Director refere que homologou a directora porque o documento ficou uma semana preso nos serviços, sendo depois indevidamente enviado para a escola (?!). Assim, dever-se-ia continuar com o mesmo concurso, mas apenas com 1 candidata: a vencida. Interpelado sobre a legalidade do acto, referiu ter “resmas” de advogados e que ele é que iria tomar a decisão final. Apresentou de seguida várias hipóteses para solucionar este caso:
* a candidata vencida demitia-se;
* o CGT demitia-se ou faltava às reuniões;
* elegia-se a candidata vencida, uma vez que uma CAP poderia ser terrível;
* o CGT aprovar 1 documento expressando que não estavam reunidas as condições para a eleição do director, documento este que teria que ser aprovado por uma maioria de dois terços dos votos.
No entanto, ter-se-ia que garantir a calma do agrupamento e a tranquilidade de toda a comunidade.
A presidente do CGT apresentou 1 abaixo-assinado que lhe fora dirigido pela comunidade (o qual já era do conhecimento do sr. Director – “por via oficial e outras”sic) a solicitar a reposição da democraticidade na eleição do director do agrupamento. Este documento que revelava a instabilidade vivida nas escolas do agrupamento, não teve efeitos porque, segundo o senhor director, “muitos gostam de se manter longe destas situações” (porque será?!).
Indignados com tais propostas, e com a atitude de quem quer governar a todo o custo, todos os professores, efectivos e suplentes, demitiram-se, juntamente com 1 elemento cooptado e 2 representantes dos EE. Esta difícil decisão foi tomada com o intuito de “matar” 1 eleição viciada e repor a democraticidade no agrupamento.
Resultado: o sr. Daniel Rodrigues telefona ao elemento mais velho do CGT remanescente, a chefe dos serviços administrativos, dizendo-lhe que deve assumir a presidência (uma vez que a presidente era professora) e prosseguir com a eleição.
Mal vimos a convocatória, ligámos a este senhor que, também oralmente, nos disse ser legal existir 1 CGT sem a representação de professores e com outros elementos demitidos. E era assim, porque ele dizia, sem apresentar uma justificação legal. Enviámos-lhe um e-mail a solicitar 1 esclarecimento por escrito… até agora nada. E a reunião está marcada para sexta-feira, às 18:30 para, numa eleição viciada, se eleger uma candidata vencida.
Como é óbvio, não existe nem calma, nem tranquilidade neste agrupamento. Mas parece que, afinal, isso não era importante!»

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Às quartas

Divina Comédia

Erguendo os braços para o Céu distante
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: - «Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,

Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inextinguíveis,
Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
Num turbilhão cruel e delirante...

Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda existe,
Ter ficado a dormir eternamente?

Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: - «Homens! porque é que nos criastes?»

Antero de Quental

Compromisso Educação

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COMPROMISSO EDUCAÇÃO (I)

Os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, constatam que, em consequência da prolongada e tenaz resistência dos professores contra as políticas educativas deste Governo, foi emergindo um consenso natural entre todas as forças políticas da oposição acerca da rejeição das políticas em causa, tal é a inconsistência e a injustiça das mesmas.
Assim, atendendo a que:
1) é desejável que as reformas educativas, pela sua dimensão estruturante e pelo alcance temporal dos seus efeitos, sejam geradoras do maior consenso político e social possível, para aí se poderem ancorar de forma duradoura, de molde a evitarem-se mudanças ao sabor de maiorias e de umbigos de circunstância, que apenas servem para destabilizar as escolas e perturbar o sistema de ensino;

2) este Governo embarcou, de forma impreparada e casuística, em aventureirismos reformistas que procurou implementar nas escolas através de uma estratégia de arrogância, a qual subalternizou qualquer respaldo político-partidário fora da maioria socialista (e nem todos), assim como ignorou os saberes, as experiências e as dinâmicas dos actores no terreno;

3) as pretensas reformas vieram a ser impostas de modo hostil e autocrático, muitas delas escoradas na inaceitável injustiça que consumou a divisão da carreira, pelo que apenas contribuíram para a degradação do ambiente nas escolas e para desencadear a indignação e a resistência dos professores;

4) se verificou uma convergência de posições entre os professores e os partidos políticos da oposição à volta de um núcleo de reivindicações fundamentais, especificamente a propósito da não aceitação da divisão da carreira e da rejeição do modelo de avaliação proposto, o que vem reforçar a adequação e a justeza da contestação encetada pelos professores;

Os movimentos independentes de professores consideram estarem reunidas as condições para a efectivação de um contrato público, em matéria de educação, com os partidos da oposição, as suas estruturas dirigentes e os seus membros mais destacados, a nível nacional e distrital, que se possa traduzir num compromisso de, no que venha a depender de cada um e no quadro da próxima da legislatura, tudo procurarem fazer para:
1) colaborarem na valorização do prestígio e da autoridade dos professores e na implementação de um ensino público de qualidade;

2) abrirem um processo negocial com as estruturas representativas dos professores que incida sobre a imprescindível e urgente revisão do ECD (Estatuto da Carreira Docente), no sentido de ser revogada a divisão arbitrária e injusta da carreira, enquanto condição indispensável à pacificação das escolas, de ser substituído o actual e desacreditado modelo de avaliação, bem como de se pôr fim à aplicação das quotas ao sistema de ensino;

3) manifestarem abertura para negociar com as estruturas representativas dos professores dossiers candentes, como: a revisão do modelo de gestão, que seja susceptível de garantir uma maior democraticidade e participação dos professores nos processos de gestão e tomadas de decisão nas escolas; a questão da estabilidade profissional dos docentes; a manutenção do carácter nacional dos concursos de professores;

4) reconhecerem a necessidade de uma revisão do Estatuto do Aluno, de molde a promover uma cultura de responsabilidade.
Desta forma, os professores portugueses e as suas famílias terão uma percepção clara de quais as forças políticas e os dirigentes políticos que serão merecedores da sua confiança e do seu voto, nos próximos actos eleitorais.

Os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, submetem este documento às estruturas e aos elementos destacados dos partidos políticos da oposição, ficando na expectativa de poderem contar, da parte dos mesmos, com uma intervenção pública e/ou com um documento escrito que subscreva este Compromisso Educação.

Vila Real e Lisboa, 1 de Junho de 2009
Os movimentos independentes de professores,
APEDE, MUP e PROmova

COMPROMISSO EDUCAÇÃO (II
)

No final da tarde do dia 1 de Junho, em Vila Real, eu próprio [Octávio Gonçalves], apresentei e entreguei ao cabeça de lista do PSD às eleições europeias, Dr. Paulo Rangel, em nome dos movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, o documento que consubstancia o COMPROMISSO EDUCAÇÃO.
O Dr. Paulo Rangel manifestou uma extraordinária receptividade ao teor do documento, elogiando-o publicamente e considerando a apresentação do mesmo como "o momento mais alto" do dia de campanha.

Foi pena que a manipulação jornalística e a formatação "rocambolesca" da cobertura mediática da campanha eleitoral tivessem sonegado aos portugueses e, especificamente aos professores (que também pagam impostos e são cidadãos de corpo inteiro, mas pelos vistos não têm espaço na comunicação social), a iniciativa dos movimentos independentes de professores e a centralidade que o próprio candidato lhe reconheceu.

No final do encontro com os Conselhos Executivos de Vila Real e com o PROmova, o Dr. Paulo Rangel, teve oportunidade de se dirigir aos jornalistas e ao país, valorizando os professores e denunciando a diabolização que este ME e este Governo fizeram da classe docente.

Ainda esta semana, o documento COMPROMISSO EDUCAÇÃO será proposto ao BE, ao PCP e ao PP.

Nos próximos actos eleitorais, os professores e as suas famílias saberão escolher os candidatos e os partidos que valorizam os professores e acolhem as suas justas reivindicações, ignorando aqueles que, sistematicamente, os afrontam e desprestigiam.
Octávio V Gonçalves

(Núcleo de Estratégia do PROmova)

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Bonecos de palavra

Para ampliar, clicar na imagem.

Finalmente, o CCAP viu o óbvio! Mas a ministra ainda não!

O Conselho Científico para Avaliação dos Professores (CCAP) concluiu que:
1. Muitos avaliadores não têm experiência, não têm formação específica, não têm perfil para avaliar o desempenho dos colegas;
2. Os avaliadores precisam de fazer formação superior de médio e longo prazo (pós-graduações).

O Conselho Científico para Avaliação dos Professores já tinha demorado cerca de três meses a descobrir que não era sério - porque não era fiável, porque ainda é necessário realizar, a nível internacional, estudos aprofundados sobre a matéria - introduzir os resultados dos alunos na avaliação dos professores.

A ministra da Educação, depois de dizer que era evidente que os resultados dos alunos tinham que entrar na avaliação dos professores e que era o que mais faltava que assim não acontecesse, demorou onze meses a reconhecer que esse item tinha que sair, ou melhor, tinha que ser suspenso, do processo de avaliação do desempenho.

Isto, que o CCAP demorou dois meses a descobrir e a ministra onze, foi algo que (quase) todos os professores, na altura, denunciaram de imediato.

Agora, o Conselho Científico para Avaliação dos Professores demorou quinze meses a descobrir que os avaliadores não têm experiência nem formação nem perfil para avaliar os colegas, e que é necessário possuírem formação superior de médio e longo prazo neste domínio.

Isto, que o CCAP demorou quinze meses a descobrir, foi algo que (quase) todos os professores, na altura, denunciaram de imediato.

Todavia, a ministra da Educação, ano e meio depois de publicar o incompetente decreto-lei da avaliação do desempenho, ainda não conseguiu ver o que já toda a gente viu. Possuída de uma hipocrisia política que ultrapassa a mais pessimista imaginação, comentou as conclusões do CCAP deste modo:
«O que eu recuso é que se passe atestados de incompetência aos professores e que se diga que os professores não têm as capacidades, nem as competências para fazer aquilo que é naturalmente o seu trabalho» (sítio do Público, 1/06/09).
Maria de Lurdes Rodrigues acumula dislates em cima de dislates. Maria de Lurdes Rodrigues carece do mínimo de razoabilidade, de bom senso e de seriedade política para o exercício do cargo. Maria de Lurdes Rodrigues não tem qualquer escrúpulo em deitar a mão ao mais grotesco argumento, à mais grosseira demagogia para tentar falsear a realidade, para evitar reconhecer que, sistematicamente, faz asneiras e que grande parte da legislação que produziu é de qualidade política medíocre e tecnicamente incompetente.
O comentário de Maria de Lurdes Rodrigues revela, mais uma vez, uma de duas coisas: ou absoluta ignorância sobre a matéria (julga que o processo de avaliar alunos é idêntico ao processo de avaliar professores) ou desonestidade intelectual. Não há terceira hipótese.
Contudo, o que importa mesmo é podermos verificar o lento, mas irreversível, esboroar deste modelo de avaliação e do enorme faz-de-conta que lhe está associado.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Registos do fim-de-semana


Dificuldades no financiamento adiam propostas para TGV


O penoso calvário do candidato Vital em busca dos eleitores
— os eleitores do PS estão na clandestinidade?

Governo «vê sinais encorajadores»,
Vítor Constâncio diz que «não vamos sair disto facilmente»

i (29/5/09)

Quase metade das escolas vai falhar prazo para eleger directores

Tribunal condena ex-aluno por insultos a docente

Formação de professores com impacto nas notas dos alunos

Meio milhão sem médico de família
Público (29/05/09)

[Magalhães] Bruxelas aguarda explicações

Hospitais e centros de saúde com serviços à beira da falência
Sol (29/05/09)

Música contra Sócrates varrida da rádio

Provedor de Justiça renuncia para a semana

A offshore que tramou o professor de Sócrates
Expresso (30/05/09)

Professores vão encher Lisboa. Não há duas sem três

PS dividido sobre Vital: Maria de Belém contra a «roubalheira»
i (30/05/09)

Pedidos de ajuda ao banco alimentar aumentaram 124 por cento este ano

Provedor acusa Governo de propor negócio injusto e imoral
Público (30/05/09)

Manifestantes diminuíram mas continua revolta dos professores

José Sócrates faz o que julga competir-lhe: encosta a marcha dos professores aos apetites da oposição por mais votos nas eleições. Mas quem veio de novo à rua em protesto sabe que a realidade é bem mais amarga e está a deixar marcas profundas
Público (31/05/09)

Protesto
Manifestação de professores mobiliza 70 mil

«Os verdadeiros professores não vão votar no Partido Socialista»

União dos professores merece ser avaliada
Diário de Notícias (31/05/09)

Domingo, 31 de Maio de 2009

«A reforma da Educação foi a reforma mais bem conseguida deste Governo»



Ontem, em reacção à manifestação dos professores, o primeiro-ministro afirmou que a reforma da Educação foi a reforma mais bem conseguida do seu Governo.

Se assim é, se a reforma da Educação é a reforma mais bem conseguida deste Governo, nós, professores, que sabemos, melhor do que ninguém, em que realmente consistiu esta reforma, e que a classificamos, honestamente, como o pântano da incompetência, da injustiça e da arbitrariedade, podemos imaginar a qualidade das reformas levadas a cabo nas outras áreas da governação.
Se o desastre da Educação foi a reforma mais bem conseguida, que adjectivação será apropriado utilizar para qualificar as outras reformas?
Esta era a realidade mais temida, mas que foi confirmada por Sócrates: se a referência para avaliarmos este Governo é o trabalho realizado pelo Ministério da Educação, estamos, então, sem qualquer dúvida, perante um dos piores governos, depois de Abril de 1974.

Se a reforma da Educação é a reforma mais bem conseguida deste Governo, nós, professores, somos, então, profissionais incompetentes. Nós, professores, que já fizemos três manifestações gigantes e duas greves com uma adesão acima dos 90% contra a reforma mais bem conseguida, não merecemos o Governo que temos nem estamos, como se vê, à altura de tão elevada reforma.
Demita-nos, senhor primeiro-ministro. Demita os 70 mil, os 100 mil, os 120 mil professores que já disseram e continuam a dizer «Não» à sua mais bem conseguida reforma.

Leve a sua reforma até ao fim, faça dela a reforma perfeita: demita-nos.

Sábado, 30 de Maio de 2009

FOI HOJE!






Pouco interessa saber se fomos 55 mil, conforme diz a polícia, ou se fomos mais de 70 mil, conforme diz a plataforma sindical.
Fomos muitos, voltámos a ser muitos. Voltámos a encher a Avenida da Liberdade.
Depois de ano e meio de luta intensa e desgastante, depois de todas as chantagens e ameaças, depois da gigantesca pressão feita pelo Ministério da Educação e daqueles que, nas escolas, mais não fazem do que ser servis zelotas dos desmandos do Ministério, depois de tudo isto, cerca de metade dos professores voltou à rua e desmentiu Maria de Lurdes Rodrigues: a reforma da avaliação não está ganha, porque esta aberração de reforma da avaliação nunca poderá ser ganha.

Como também não está ganho o estatuto da carreira docente, como também não está ganho o novo modelo de gestão, como não está ganho nada do que esta ministra e este Governo fizeram na Educação.

Iremos desmantelar, uma a uma, todas as malfeitorias que durante os últimos quatro anos o Partido Socialista, irresponsavelmente, fez ao sistema educativo português — era um mau sistema, mas José Sócrates conseguiu fazer dele um monstro.
Foi isto que, hoje, e mais uma vez, voltámos a afirmar.
Este é o nosso compromisso. E vamos cumpri-lo.

É HOJE!

«O Ministério da Educação virou todos contra todos»
José Gil, sítio do Público (29/5/09)

O Ministério da Educação virou todos contra todos, instaurou um clima de desconfiança, de medo de represálias, de humilhação, de desânimo, de compadrio, de manipulação. O ambiente nas escolas portuguesas nunca esteve tão mau.

Em vinte e oito anos de carreira, nunca vivi nem vi nada de semelhante. Vejo muitas e muitos colegas com quarenta anos de idade a falarem e a desejarem a possibilidade da reforma antecipada. Vejo muitas e muitos colegas a serem objecto das mais vis e irreparáveis injustiças. Vejo a degradação a que a Escola portuguesa está a chegar. E ao mesmo tempo vejo uma gigantesca farsa, um gigantesco faz-de-conta que tenta desesperadamente, irresponsavelmente e desavergonhadamente mostrar que vivemos na Escola pacífica a caminho da Escola perfeita.

Há quem pense que amontoando tecnologia dentro das salas de aula e fazendo restauros nos edifícios escolares cria uma escola nova. Estas cabeças medíocres não vêem que quem faz as escolas são os alunos e os professores. E não vêem que com alunos mal preparados, por via do facilitismo oficial obcecado pela estatística, e com professores ofendidos, maltratados e vilipendiados nenhuma escola sobrevive, nenhuma Educação se transmite nem constrói.

Ora, nada disto aconteceu por geração espontânea. Nada disto aconteceu por fecundação anónima. Esta situação não tem mãe desaparecida nem pai incógnito. A situação a que chegou a Escola portuguesa tem responsáveis identificados. Esses responsáveis são: a senhora que ainda dirige a pasta da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o homem que ainda dirige o Governo, José Sócrates.
Estes são os culpados.

Hoje é dia de, publicamente, os acusarmos do crime de tentativa de homicídio da Educação.
Hoje, sábado, 30 de Maio, às 15,00 horas, no Marquês de Pombal, em Lisboa.

Reunião com o grupo parlamentar do CDS-PP

A APEDE, o MUP e o PROmova (que delegou a sua representação nos colegas Mário Machaqueiro, Ricardo Silva e Ilídio Trindade) foram esta manhã [quinta-feira] recebidos, na Assembleia da República, pelo deputado Diogo Feyo, em representação do grupo parlamentar do CDS/PP, tendo tido oportunidade de apresentar as linhas de força do “Compromisso Educação”, iniciativa que se insere num conjunto de contactos que temos vindo a manter, com os diversos partidos políticos da oposição, com vista a sensibilizar os seus responsáveis para a importância de assumirem publicamente, uma posição e um compromisso político de clara ruptura com a actual política educativa.

Neste sentido, os representantes dos movimentos independentes de professores abordaram um conjunto de questões e problemas, deixando claras as suas principais reivindicações, de que são exemplos: o reforço da dignificação e valorização da profissão docente; a revisão do ECD, com uma carreira única, abolindo-se a figura do professor titular e sem imposição de quotas para progressão/avaliação; a garantia de uma gestão democrática nas escolas; a profunda revisão do modelo de ADD; os perigos da municipalização do ensino e de concursos de professores realizados a nível de escola/região; a reformulação urgente do Estatuto do Aluno; a reorganização curricular e dos programas das disciplinas; a denúncia de uma gestão centralista das escolas por parte do ME que desvirtua a sua autonomia; a necessidade de garantir uma maior estabilidade profissional para os colegas contratados; a recusa de uma prova de ingresso, com carácter eliminatório, que se pretende aplicar a colegas que já leccionam há vários anos e que só vem descredibilizar a formação inicial de professores, etc.

Recebemos da parte do deputado Diogo Feyo a concordância com vários dos aspectos e preocupações atrás referidas, a disponibilidade para o diálogo e para a construção de uma alternativa à actual política educativa, sendo-nos mesmo solicitada a divulgação e colaboração (com envio de propostas e sugestões de alteração) na definição final da proposta de reestruturação do ECD, da responsabilidade do CDS/PP, que está actualmente em fase de discussão pública:
http://cdsnoparlamento.pp.parlamento.pt/index.php?idmenu=4&lg=1&idn=644

Sobre esta proposta, levantámos algumas dúvidas e reparos, nomeadamente: o tipo de funções de administração e gestão escolar que se enquadram no percurso profissional que dará acesso aos índices remuneratórios de topo, a forma como os actuais “professores titulares” serão posicionados na carreira, lembrando as injustiças e iniquidades que derivaram do concurso de para professor titular, e que não podem deixar de ser corrigidas, a questão da prova de ingresso que o CDS/PP faz constar na referida proposta, embora sob moldes diferentes dos propostos pelo ME, etc.

A APEDE, MUP e PROmova continuarão, nas próximas semanas, os contactos com os restantes grupos parlamentares, procurando que este “Compromisso Educação” se concretize e seja um contributo válido para uma efectiva mudança de rumo no domínio da Educação, com vista à defesa da qualidade do Ensino e da Escola Pública em Portugal.

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

É amanhã

Tao falava, muitas vezes, no espírito do vale: o local onde todas as águas afluem.

Que, amanhã, o Marquês de Pombal esteja imbuído desse espírito, que seja o vale onde todos os professores afluam.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

É depois de amanhã

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Manifesto conjunto

Encontramo-nos Sábado

1) Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas.

2) Os professores e as professoras já mostraram que recusam estas políticas. 8 de Março, 8 de Novembro, 15 de Novembro, duas greves maciças, são momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores e as professoras deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública.


3) Num momento de eleições, em que se debatem as escolhas para o país e para a Europa, em que todos devem assumir os seus compromissos, os professores têm uma palavra a dizer. O governo quis cantar vitória mas é a educação que está a perder. Os professores e as professoras não aceitam a arrogância e não desistem desta luta: sair à rua em força é arriscar um futuro diferente. Saír à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o governo e é do que a escola pública precisa. Por isso, encontramo-nos no próximo sábado.

Subscrevem:
Os blogues: A Educação do Meu Umbigo (Paulo Guinote), ProfAvaliação (Ramiro Marques), Correntes (Paulo Prudêncio), (Re)Flexões (Francisco Santos), Educação SA (Reitor), O Estado da Educação (Mário Carneiro), Professores Lusos (Ricardo M.), Outròólhar (Miguel Pinto), Pérolas de Cultura (Helena Feliciano), O Cartel (Brit.com, Advogado do Diabo), Escola do Presente (Safira), Anabela Magalhães, Bilros & Berloques, Sinistra Ministra, Revisitar a Educação (Fátima André), Sexo Grátis, Tempo de Teia, O Vento que Passa, Bioterra, Catarse, Mais3KD, Fénix Vermelha, Terras Altas, pé-ante-pé, Olhares, Olhai os Lírios dos Campos

Os movimentos: APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), PROmova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública), CDEP (Comissão em Defesa da Escola Pública)

Às quartas

O Instante

Onde estarão os séculos, onde o sonho
de espadas que os tártaros sonharam,
onde os sólidos muros que aplanaram,
onde a árvore de Adão e o outro Lenho?
O presente está só. Mas a memória
erige o tempo. Sucessão e engano,
é a rotina do relógio. O ano
jamais é menos vão que a vã história.
Entre a alba e a noite há um abismo
de agonias, de luzes, de cuidados;
o rosto que se vê nos desgastados
e nocturnos espelhos não é o mesmo.
O hoje fugaz é ténue e é eterno;
nem outro Céu nem outro Inferno esperes.

Jorge Luís Borges
(Trad.: Maria da Piedade M. Ferreira)

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

O dia 30 espera por nós

30Maio2009

©ProtestoGráfico

Comunicado da APEDE e do MUP


No próximo dia 30 de Maio os professores vão sair novamente à rua em mais uma Manifestação Nacional. A APEDE e o MUP participarão nessa manifestação da mesma forma que têm participado em todas as iniciativas onde haja professores em luta contra as políticas de um Ministério e de um Governo que tudo fizeram para desprestigiar e humilhar a profissão docente, incapazes de compreender que ela é um pilar estruturante de qualquer sociedade empenhada em cultivar a autonomia intelectual, a construção do conhecimento e a habilitação consistente para o desempenho profissional.
Onde estiverem colegas em luta, nós estaremos. Sempre.

MAS…
MAS não esquecemos que esta forma de luta de pouco valerá se não for integrada num plano mais vasto, coerente e determinado de combates a travar pelos professores.
Desejamos a unidade de todos os docentes, pois sabemos que a sua divisão só serve aqueles que com ela querem reinar, e que com ela prolongam a sua permanência degradante no poder.
MAS não aceitamos que, em nome da unidade, se procurem silenciar outras perspectivas de luta e se imponham falsos unanimismos, pelo que continuamos a solicitar a divulgação pública das propostas de luta aprovadas nas reuniões de consulta aos professores.
Compreendemos que os professores têm pela frente um combate árduo e exigente e que a plena satisfação das nossas exigências não se situa no virar da esquina.
MAS recusamos a ideia de que esta luta se vai arrastar por tempo indeterminado, sem radicalização, e com um passo de caracol ritmado por negociações sindicais incapazes de oferecer resultados visíveis.
Queremos contribuir para retirar a maioria absoluta ao partido de um primeiro-ministro arrogante e prepotente, que substituiu a governação do país por mera propaganda sem conteúdo e cuja passagem pelo poder teve, como únicos efeitos visíveis, o empobrecimento da vivência democrática, a retracção dos direitos laborais para níveis anteriores ao 25 de Abril e a consagração da desfaçatez impune como método de acção política.
MAS, ainda assim, pensamos que não podemos hipotecar os combates do presente a resultados eleitorais incertos dos quais poderão resultar arranjos políticos desfavoráveis às legítimas aspirações dos professores.

As lutas decisivas deveriam estar a ser travadas AQUI E AGORA.

A Manifestação de 30 de Maio é importante. MAS NÃO CHEGA.

Este é um momento grave da vida nacional.
Portugal debate-se com a maior crise económica, social e política dos últimos vinte anos.
A vida pública deste país está atolada num lodaçal de iniquidades, de pequenos e grandes despotismos e de uma falta de sentido ético da parte dos agentes políticos, como há muito tempo se não via. Tal situação ameaça os próprios fundamentos da democracia.
Este tempo não é, pois, de festa ou de manifestações de júbilo.
Por tudo isto, apelamos a todos os colegas que integrem a Manifestação do dia 30 para que o protesto seja marcado pela maior firmeza e, também, pela maior seriedade.
Que ninguém mostre sinais de regozijo ou de alegria apenas porque a Ministra da Educação está, supostamente, de partida. Os nossos problemas são graves, são imensos, e não se resolvem com a mera remoção desta equipa ministerial, por muito responsável que ela seja pelo estado de degradação a que chegou o sistema de ensino em Portugal.
A solução dos nossos problemas passa, isso sim, pelo regresso da grande maioria dos professores a uma atitude de combate determinado e sem cedências, em torno de reivindicações fundamentais:
    • Revisão do ECD e supressão imediata da divisão da carreira entre titulares e não titulares;

    • Suspensão do actual modelo de avaliação do desempenho e negociação de um modelo sério, à luz de uma carreira docente reestruturada em moldes que não criem desigualdades artificiais e injustas;

    • Manutenção do vínculo por nomeação definitiva para todos os professores;

    • Preservação dos quadros de escola;

    • Manutenção do carácter nacional dos concursos de colocação de professores e do princípio de que a melhor graduação corresponde à melhor colocação;

    • Fim do modelo de administração escolar instituído pelo Ministério e restabelecimento da gestão democrática das escolas.

    MUP (Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores)
    APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino)

Bonecos de palavra

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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Registos do fim-de-semana

85 mil na rua contra o Governo

Eleição dos directores já levou quatro escolas aos tribunais

Abaixo-assinado contra fecho de creche

Crise leva cada vez mais jovens a vender na Feira da Ladra
Diário de Notícias (24 /5/09)

Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido.
Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano.

Público (24 /5/09)

Cavaco pressiona e o Hospital recua: enfermeiro já não será suspenso

Governos europeus pedem rapidez no caso Lopes da Mota

O governador Vítor Constâncio é o terceiro mais bem pago do mundo, com 250 mil euros por ano: à frente estão os colegas de Hong Kong e Itália

Crise na construção promete levar 95 mil para o desemprego

Presidente da Sonae contraria Teixeira dos Santos:
«Não há qualquer actividade em retoma»


As mil perguntas dos deputados que ficaram sem resposta do Governo
— O Parlamento deve fiscalizar o Governo. Mas como?
As questões embatem num muro de silêncio.

i (23/5/09)

Sócrates e dois ministros vaiados em escola
Público (23/5/09)

Comissão Europeia considera Magalhães ilegal
— Bruxelas entende que Portugal violou leis da concorrência
ao fazer contratos por ajuste directo

Sol (22/5/09)

Dia 30 de Maio - Manifestação Nacional

[Camisolas_PROmova.jpg]
O PROmova propõe, como possibilidade de traje a envergar na manifestação nacional do próximo dia 30 de Maio, esta sugestiva camisola que, na frente, se despede de Maria de Lurdes Rodrigues e do partido comandado por José Sócrates e, nas costas, cita uma das muitas inclassificáveis afirmações de Margarida Moreira, incansável ajudante de campo da ministra, na região Norte.

Domingo, 24 de Maio de 2009

O ovo da serpente-02

(Com o devido respeito pelo autor)

«O presidente do IEFP afirma que eliminou 535.000 desempregados dos ficheiros do IEFP em 2008. Em 2009 já foram eliminados dos ficheiros mais 143.000 desempregados.
Segundo o IEFP, o desemprego registado em 30.4.2009 atingiu 491.635, ou seja, mais 23,7% do que em Abril de 2008. Apesar deste elevado crescimento, este número só não é muito maior porque todos os meses o IEFP elimina dezenas de milhares de desempregados dos seus ficheiros. Por trás de cada eliminação está uma pessoa, quando não mesmo uma família, em grandes dificuldades. O Presidente do IEFP, Francisco Madelino, numa intervenção que fez durante um programa da Antena 1 e da RTPN entre 11-12 horas da manhã realizado no dia 20.5.2009, em que também participámos (o vídeo desse programa está disponível no “site” da RTP), afirmou que o IEFP tinha eliminado, durante o ano de 2008, 535.656 desempregados dos seus ficheiros (deu médias mensais, mas com elas facilmente se calculou valores anuais). E as razões que apresentou para justificar a eliminação de tão elevado número de desempregados são várias (Quadro I), sendo as mais importantes duas: as auto-colocações (24,6% do total) e as eliminações de desempregados que não responderam às notificações (cartas) enviadas pelo IEFP (51,6%, do total). Em relação às auto-colocações registadas em 2008 – 132.000 desempregados segundo o Presidente do IEFP – correspondem ao dobro das colocações feitas pelo IEFP no mesmo ano. Em 2008, o IEFP conseguiu arranjar emprego para apenas 64.521 desempregados que estavam inscritos nos Centros de Emprego, o que corresponde somente a 48,9%, ou seja, a menos de metade das auto-colocações verificadas em 2008. A ser verdade o número de auto-colocações, o mínimo que se poderá dizer é que o IEFP tem uma muito baixa produtividade neste campo. Relativamente aos 276.000 desempregados que o Presidente do IEFP afirmou terem sido eliminados dos ficheiros com base no facto de não terem respondido à Notificação (carta) enviada pelo IEFP, o mínimo que se poderá dizer é que é uma decisão insólita e muito conveniente para baixar artificialmente o número de desempregados. A carta nem é registada (a CGTP fez uma proposta para que, pelo menos, a carta fosse registada, mas o Presidente do IEFP recusou), portanto nem se tem a certeza que ela foi recebida pelo desempregado, e sem qualquer outro aviso elimina-se o desempregado do ficheiro considerando que ele já não está nessa situação.
Em 2009, só no período de Janeiro a Abril de 2009, já foram eliminados, pelo mesmo processo, 143.648 desempregados dos ficheiros do IEFP (Quadro II), o que contribuiu para reduzir significativamente os dados do desemprego registado divulgados mensalmente pelo IEFP. A mentira continua a ser um instrumento de manipulação da opinião pública. Na sua intervenção no programa da RTPN, de um anticomunismo primário que me dispenso de comentar, Francisco Madelino também disse duas grandes mentiras. A primeira é que utilizo «dados de Eugénio Rosa» (foram as palavras que utilizou), procurando dar a ideia de que “fabrico” dados. Os dados que utilizo sobre desemprego são sempre dados oficiais do INE e do IEFP a que qualquer leitor pode ter acesso através da Internet. A segunda grande mentira é que os critérios que o IEFP está a utilizar para eliminar desempregados dos ficheiros foram aprovados pela CGTP. Os critérios constam de uma Norma Interna aprovada pelo Conselho Directivo do IEFP no qual a CGTP não participa. A falta de credibilidade dos dados sobre o desemprego registado divulgados mensalmente pelo IEFP exige, pelo menos, duas medidas imediatas:
(1) Que seja realizada uma auditoria externa independente, não ao chamado “apagão”, que é apenas a ponta do iceberg, mas sim aos critérios utilizados e à sua aplicação pelo IEFP para eliminar dos seus ficheiros, todos os meses, dezenas de milhares de desempregados que se inscreveram nos Centros de Emprego;
(2) Que passe a constar da Informação que o IEFP divulgada todos os meses, também o número de desempregados que são eliminados dos ficheiros, assim como as respectivas razões.
O IEFP, que é um instituto público pago com uma percentagem dos descontos dos trabalhadores para a Segurança Social, não pode ser um instrumento utilizado pelo governo para manipular e enganar a opinião pública sobre o desemprego. É necessário conhecer os verdadeiros números do desemprego no nosso País para que sejam aplicadas medidas adequadas de combate ao desemprego, pois as aprovadas até este momento pelo governo têm sido manifestamente insuficientes, já que os seus efeitos são reduzidos, como rapidamente se conclui face ao aumento vertiginoso do desemprego em Portugal

Eugénio Rosa
http://infoalternativa.org/spip.php?article909

Pensamentos de domingo

«Uma recontagem dos votos.»
(Respondeu quando lhe perguntaram qual seria a sua primeira medida se ganhasse as eleições para "mayor" de Nova Iorque).
William F. Buckley


«A chave do sucesso é a sinceridade. Se aprendeste a fingir a ser sincero tens o sucesso assegurado.»
Jean Giradoux

«Esta sociedade cresce para trás, exactamente como o rabo da vitela.»
Petrónio
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

Chick Corea e Hiromi Uehara

Sábado, 23 de Maio de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico

Acerca da Ética
«Separar o que é bom do que é mau é a esfera de acção da ética. É igualmente o que mantém padres, especialistas e pais ocupados. Infelizmente, o que mantém as crianças e os filósofos ocupados é perguntar aos padres, especialistas e pais: "Porquê?"»

Acerca do Absolutismo Ético: Lei Divina
«A Lei Divina torna ética uma coisa simples: se Deus diz que está errado, está total e absolutamente errado. Ponto final.
No entanto, existem algumas complicações. A primeira é como podemos ter a certeza do que Deus pensa verdadeiramente? Os fundamentalistas têm solução para esse problema: é o que dizem as Escrituras. Mas como é que as pessoas das escrituras sabiam que os sinais que estavam a receber eram realmente de Deus? Abraão pensou que tinha sido chamado por Deus para sacrificar o filho no altar. Abraão pensa: "Se Deus manda, é melhor obedecer." A nossa primeira pergunta a Abraão é: "És parvo ou quê? Ouves 'Deus' a mandar-te fazer uma coisa doida e nem sequer lhe pedes uma identificação?"
Outro problema que se prende com a obediência à Lei Divina é a interpretação. O que significa ao certo honrar pai e mãe? Um postal no Dia da Mãe? Casar com o filho desinteressante do dentista da família, como os honrados pai e mãe querem? Estas questões não parecem questões talmúdicas excessivamente picuinhas quando o filho do dentista tem um metro e cinquenta e pesa 120 quilos.
Uma característica fundamental da Lei Divina é que Deus tem sempre a última palavra.
Moisés desce o monte Sinai com as Tábuas da Lei na mão e anuncia às multidões reunidas:
— Tenho uma boa notícia e uma má notícia. A boa notícia é que consegui convencê-Lo a reduzir para dez. A má notícia é que o "adultério" não foi excluído.»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

30 de Maio: nova etapa de uma luta que não terminará enquanto a incompetência estiver no poder

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

A ministra falou

Notícia do sítio do Público (7h35, 21/05/09):
«A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considera que a avaliação de desempenho dos professores é "uma reforma ganha", afirmando compreender a insatisfação docente, tendo em conta a rotura introduzida num "marasmo" de 30 anos de "total indiferenciação".
"Do meu ponto de vista foi uma reforma ganha. Temos hoje milhares de professores a fazer a avaliação, o que significa que é hoje um adquirido nas escolas. (...) Oitenta mil professores entregaram os objectivos individuais e 30 por cento destes requereram uma componente da avaliação que era facultativa", afirma a ministra. Para Maria de Lurdes Rodrigues, esta reforma introduziu uma rotura "num marasmo de mais de 30 anos de total indiferenciação e pseudo igualitarismo", já que "a ausência total de princípios mínimos de competição" era "muito negativa para as escolas".
[...] Questionada sobre as manifestações realizadas no ano passado e a do próximo dia 30, Maria de Lurdes Rodrigues afirma "compreender" o descontentamento dos docentes, mas adianta que a sua preocupação "é garantir que o profissionalismo não é beliscado com a insatisfação, algo que todos temos que exigir".»

Do ponto de vista político, a ministra da Educação, para além de irresponsável, é uma pessoa sem pudor. Maria de Lurdes Rodrigues tem sido várias vezes comparada ao ex-vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, que, com as tropas americana às portas de Badgad, proclamava a vitória e o extermínio das forças inimigas. Esta comparação não é exagerada. Em ambos os casos está presente uma intencional tentativa de adulteração da realidade e uma objectiva inconsciência do grotesco. A história, lamentavelmente, está cheia de políticos assim. Maria de Lurdes Rodrigues é, tristemente, mais um caso. Tristemente, para a Educação em Portugal e para aqueles que tinham o direito a ter uma formação adequada (os alunos) e para aqueles que tinham o direito a exercer com dignidade a sua profissão (os professores). Nestes quatro anos, alunos e professores foram extorquidos desses elementares direitos. No futuro, a história a julgará.
Mas, hoje, quem a julga somos nós. Em primeiro lugar, nós, os professores, temos a obrigação de, enquanto profissionais, desmontar a enorme, a gigantesca mentira que tem sido e continua a ser a política educativa deste Governo.
Dizer que a avaliação de desempenho dos professores «foi uma reforma ganha» é o mesmo que dizer: «os iraquianos ganharam a guerra e os americanos nem sequer entraram no Iraque». Tem rigorosamente o mesmo valor e a mesma verdade.
Ao ler a afirmação: «temos hoje milhares de professores a fazer a avaliação, o que significa que é hoje um adquirido nas escolas», recordei-me dos tempos em que Herman José tinha atingido um estatuto tal (merecido, na altura) que lhe era permitido, em qualquer lugar e a qualquer hora, dizer tudo o que lhe viesse à cabeça, por mais disparatado e excêntrico que fosse. Maria de Lurdes Rodrigues se quiser atingir aquele estatuto de inimputabilidade tem, primeiro, de assumir que é uma pantomineira. Se tiver essa coragem, nós perdoar-lhe-emos tudo, como fazíamos ao Herman, mas, se não fizer essa opção de fundo, não poderemos permitir que se julgue no direito de faltar à verdade e de querer enganar quem a lê ou ouve, sem ser desautorizada e desmentida. A Educação não é o reino da pantominice. É uma coisa séria, tão séria que não deveria poder ser entregue nas mãos de qualquer um ou de qualquer uma.
Nas escolas, o que se passa é um enorme e vergonhoso simulacro de avaliação de desempenho. Neste preciso momento em que escrevo, há ainda quem vá formular objectivos individuais. Objectivos individuais cujo o grau de cumprimento será avaliado daqui a um mês, e cujos resultados constituirão a avaliação de desempenho do último ano e meio de serviço prestado pelo professor. Eu repito: Neste preciso momento em que escrevo, há ainda quem vá formular objectivos individuais. Objectivos individuais cujo o grau de cumprimento será avaliado daqui a um mês, e cujos resultados constituirão a avaliação de desempenho do último ano e meio de serviço prestado pelo professor.
No fim de Maio, formulam-se objectivos. Em Junho, faz-se a avaliação. E de uma assentada fica ano e meio avaliado.
Que não se argumente que a maioria dos tais 80 mil professores formularam os objectivos em Fevereiro, não agora. Qual é a diferença substantiva entre uma situação e outra? Uns avaliam ano e meio num mês e os outros avaliam ano e meio em quatro meses. Que diferença isto faz? Que seriedade existe nisto? Nenhuma.
E se fossemos, agora, analisar o conteúdo dessa avaliação e os seus instrumentos, a conclusão seria exactamente a mesma: nenhuma seriedade, nenhum rigor.
Tudo isto é a «reforma ganha». Tudo isto é o que está «adquirido nas escolas». Tudo isto é o «profissionalismo que não é beliscado».
Esta ministra da Educação conseguiu o que parecia impossível: conseguiu fazer do anterior modelo de avaliação um exemplo de rigor e de exigência. Comparativamente com o que agora se passa, não existe a mínima dúvida de que o modelo anterior — aquele que, há anos, eu e muito boa gente criticávamos — era mais sério, mais justo e mais exigente.
A verdade é esta. O resto é farsa política, é desvario, é incapacidade, é desnorte, é pantominice.

P.S. Mas as palavras da ministra não são todas despiciendas. Elas trazem uma boa notícia: se foram 80 mil os que entregaram os objectivos individuais, e se nós somos 140 mil, isso significa que 60 mil professores se recusaram a fazê-lo. Um número muito superior aos 40 mil adiantados por alguns sindicatos.
Conclusão: mais de 40% dos professores recusaram entregar os objectivos e a ministra considera que a reforma está ganha e que é um dado adquirido.
Tenho de me corrigir: Tareq Aziz não era assim tão mau.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Debate sobre Educação no Parlamento

Informação enviada pelo MUP:

Na sequência dos contactos que o MUP, a Apede e o Promova mantiveram com os diversos grupos parlamentares, recebemos do PSD, como resposta às preocupações que manifestámos em reunião com o deputado Pedro Duarte no Parlamento há umas semanas, a informação e a remissão para a notícia que a seguir publicamos e de que destacamos alguns passos:
Lisboa, 20 Mai (Lusa) – O PSD marcou para hoje um debate de actualidade no Parlamento sobre Educação para pedir “bom senso” ao Governo nas negociações do Estatuto da Carreira Docente, disse à agência Lusa o líder parlamentar social-democrata.
“Marcámos este debate de actualidade para que o Parlamento faça um ponto da situação e apelo ao bom senso do Governo no sentido da pacificação das escolas”, justificou Paulo Rangel.
Segundo o líder parlamentar do PSD, “seria importante que nas negociações do Estatuto da Carreira Docente o Governo se aproximasse das posições dos professores” e aceitasse “o fim das quotas” para promoção na carreira e “o fim da distinção entre professor titular e professor não titular”.
Paulo Rangel lembrou que “os professores têm pré-avisos de greve para a semana e têm uma manifestação marcada para 30 de Maio”, o que apontou como prova de que “continua a haver um forte conflito entre os professores e o Governo” que deve ser resolvido antes do fim deste ano lectivo.
Lusa/Fim

Às quartas

Crepúsculo

E eu tinha os olhos cheios,
mas tão cheios de luz,
que se fechasse as pálpebras
ela jorraria como pranto,
como pranto — abrindo-se
em flores orvalhadas.
A luz cavava sulcos
em meu cérebro, aligeirando-o
como à árvore o vento
que lhe atira os frutos
ao chão, e aí,
libertas, as folhas
frondejam nas alturas
com um novo frémito.
A luz cavava sulcos
em meu cérebro e corria-me
pelas veias, lenta, calma.

Ággelos Sikelianós
(Trad.: José Paulo Paes)

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Bonecos de palavra

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O vício de Sócrates

Na capa da revista Notícias Magazine, de domingo, era anunciada uma reportagem intitulada: «Íntimo — um dia com José Sócrates: de automóvel, a pé e de avião».
Sensivelmente a meio da segunda página do artigo, e a propósito do repórter querer satisfazer a curiosidade sobre os gostos musicais do nosso primeiro-ministro, isto é, que músicas ouve ele quando viaja de carro pelo país, lê-se o seguinte: «"Não costumo andar com CD. Ouço rádio, sobretudo, e converso muito. Com o motorista e ao telefone." E ler? Mantém o vício da filosofia.»
Muito mais de 24 horas após ter lido a última frase, confesso-me num pântano de dúvidas: Sócrates mantém o vício da filosofia? 1.ª dúvida: Mantém? 2.ª dúvida: Sócrates é viciado em filosofia? 3.ª dúvida: Sócrates ainda lê filosofia? 4.ª dúvida: Sócrates alguma vez leu filosofia?
Não sei se Sócrates estava a falar a sério, ou se estava distraído e não sabia o que dizia, ou se estava a fazer humor, ou se estava a provocar o jornalista, ou se estava a provocar a filosofia, ou se, de facto, lê filosofia e não percebe o que lê, ou se lhe dizem que o que lê é filosofia e, de facto, não é... Não sei, não sei mesmo.
Ao estado de dúvida e de incredulidade, acrescento, agora, a preocupação de não saber se a filosofia sobreviverá a tão íntimo convívio.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Registos do fim-de-semana

Carlos César: «É preciso remodelar PS e governo
i (15/05/09)
Sócrates garantiu a «cooperação institucional» com Jardim,
Magalhães,
pétalas de rosa e beijos empenhados

Jardim disse a Sócrates
que «está sempre disponível para ajudar o país
no que for preciso»


Cada contribuinte vai ter de pagar mais 4 mil euros
para suportar gastos do governo

Contracção da economia foi mais violenta em Portugal
do que em Espanha

— No período de um ano, a economia nacional caiu 3,7%.
Espanha teve uma contracção de 2,9%
i (16/05/09)

Lopes da Mota admite ter invocado nomes
de Sócrates e Alberto Costa

... mas diz que o fez indevidamente

Governo e procurador seguram Lopes da Mota

Processo de Bolonha a meio gás
— Falta de verbas faz com que a reforma do ensino superior se limite a encurtar cursos
Sol (16/05/09)

Domingo, 17 de Maio de 2009

Pensamentos de domingo

«Os indivíduos que vão para a prisão são criminosos - mas são, por definição, criminosos que falharam.»
The Times

«Vivemos no melhor dos mundos, diz o optimista. O pessimista receia que seja verdade.»
James B. Cabell

«Eu contei a verdade à minha esposa. Disse-lhe que costumava ir a um psiquiatra. Ela contou-me então que costumava ir a um psiquiatra, a dois canalizadores e a um empregado de bar.»
Rodney Dangerfield
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

Hank Jones

Sábado, 16 de Maio de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico


Acerca da Fenomenologia
«Após fugas para o cúmulo da abstracção, a filosofia tem uma forma de aterrar suavemente na experiência comum do dia-a-dia. Isto aconteceu na epistemologia, no começo do século XX, quando os fenomenologistas avaliaram o verdadeiro significado de saber alguma coisa. Mais uma metodologia do que um conjunto de princípios filosóficos, a fenomenologia procura compreender a experiência humana tal como ela é vivida e não como dados objectivos. Esta abordagem é mais parecida com a de um romancista do que com a de um filósofo com predisposição para a abstracção.
A palavra alemã einfühlung, que significa "entendimento" ou "empatia", foi usada por fenomelogistas como Edmund Husserl para categorizar uma forma de conhecimento que procura entrar na experiência de outro ser humano e conhecer e sentir o mundo da mesma forma que esse ser humano; dito de outra forma, estar na pele de outra pessoa - ou, possivelmente, dentro dela.
- Doutora Janet - diz a mulher, muito embaraçada. - Tenho um problema de natureza sexual. Não fico excitada com o meu marido.
- Muito bem - diz a doutora Janet -, amanhã vou fazer um exame completo. Traga o seu marido.
No dia seguinte, a mulher regressa com o marido.
- Dispa-se, senhor Thomas - diz a médica. - Agora, dê uma volta. Muito bem, agora faça o favor de se deitar. Uh-uh, estou a compreender. Pode vestir-se novamente.
A doutora Janet leva a mulher para um canto.
- A sua saúde é perfeita - diz. - Ele também não me excita.»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Carta aberta à ministra da Educação (excertos)

«Senhora ministra:
Dentro de poucos meses partirá para um exílio dourado. Obviamente que partirá, seja qual for o resultado das eleições. É tempo de lhe dizer, com frontalidade, e antes que o ruído da campanha apague o meu grito de revolta, como a considero responsável por quatro anos de Educação queimada.
[...]
A senhora ministra falhou estrondosamente com o sistema de avaliação do desempenho dos professores, a vertente mais mediática da enormidade a que chamou estatuto da carreira. A sua intenção não foi [...] dignificar o exercício de uma profissão estratégica para o desenvolvimento do país. A senhora anda há um ano a confundir classificação do desempenho com avaliação do desempenho e demonstrou ignorar o que de mais sério existe na produção teórica sobre a matéria. Permitiu e alimentou mentiras inomináveis sobre o problema.
O saldo é claro e incontestável: da própria aberração técnica que os seus especialistas pariram nada resta. Terá os professores classificados com bom, pelo menos, exactamente o que criticava quando começou a sua cruzada, ridiculamente fundamentalista.
A que preço? Coisa difícil de quantificar. Mas os cacos são visíveis e vão demorar anos a reunir: o maior êxodo de todos os tempos de profissionais altamente qualificados; a maior fraude de que há memória quando machadou com critérios de vergonha carreiras de uma vida; [...].
Não tem vergonha desta coroa? Não tem vergonha de vexar uma classe com a obrigação de entregar objectivos individuais no fim do ano, como se estivesse a começar? Acha sério mascararar de rigor a farsa que promoveu?

A senhora ministra falhou quando fez aprovar um modelo de gestão de escolas, castrador e centralizador. [...]

A senhora ministra falhou quando promoveu a escola que não ensina. Mostre ao país, a senhora que tanto ama as estatísticas, quanto tempo se leva hoje para fazer, de uma só tirada, os 7.º, 8.º e 9.º anos e, depois, os 10.º, 11.º e 12.º.
E sustente, perante quem conhece, a pantomina que se desenvolveu à volta do politicamente correcto conceito de escola inclusiva, para lá manter, a qualquer preço, em ridículas formações pseudoprofissionais, os que antes sujavam as estatísticas que a senhora oportunisticamente branqueou.
Ouse vir discutir publicamente a demagogia de prolongar até aos 18 anos a obrigatoriedade de frequentar a escola, no contexto do país real e quando estamos ainda tão longe de cumprir o actual período compulsivo, duas décadas volvidas sobre o respectivo anúncio.[...]
Compreendo, portanto, que no pastel kafkiano a que chamou estatuto de carreira não se encontre o vocábulo ensinar. [...] Só lhe faltou mudar o nome à casa onde pontifica. Devia chamar-se agora, com propriedade, Ministério da Certificação e das Novas Oportunidades. Não tem remorsos?

A senhora ministra falhou rotundamente quando promoveu um estatuto do aluno que não ajuda a lidar com a indisciplina generalizada [...] e, pasme-se, manifestou a vontade de proibir as reprovações, segundo a senhora, coisa retrógada.[...]

Falhou também quando baniu clássicos da nossa literatura e permitiu a redução da Filosofia.

Falhou ainda quando manipulou estatisticamente os resultados escolares e exibiu os que não se verificaram. [...]

Falhou [...] quando se deixou implicar no logro do falso relatório da OCDE e no deslumbramento saloio do Magalhães.

Por tudo isto e muito mais que aqui não cabe, a senhora é, em minha opinião, uma ministra falhada. Parte sem que eu por si nutra qualquer espécie de respeito político ou intelectual.»
Santana Castilho, Público (13/5/09)

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Política e políticos medíocres

1. Há quatro anos que o presidente da região autónoma da Madeira anda a proferir este tipo de afirmações:
«É um insulto aos portugueses serem governados por Sócrates.» (27/6/07)
«Sócrates é um ditadorzinho potencial [...]. É o Mugabe da Europa.» (25/6/08)
«Toda a gente sabe que o senhor Sócrates é uma pessoa sem vergonha. É um mentiroso.» (21/9/08).
Há dois dias disse:
«José Sócrates será bem-vindo e será recebido de braços abertos.» (12/5/09)
Fonte: Jornal i (14/5/09)
2. Diálogo entre Morais Sarmento e Santos Silva no último programa Cara-a-Cara na TVI 24:
«Sarmento: Ficou-lhe dos seus tempos trotskistas: "Vou mentir na tv até que alguém acredite."
Santos Silva: Não pode dizer isso sem provar. É o senhor que mente quando diz que eu estou a mentir.
Sarmento: O senhor é incapaz de conviver com quem se atreve a pensar diferente.
Santos Silva: se eu não tenho essa capacidade, o senhor não devia estar a debater comigo.
Sarmento: No momento em que estiver incomodado saia!
Santos Silva: Já estava à espera do teatro. Não me ofende sem eu reagir.
Sarmento: Qual virgem ofendida, o senhor não gosta é de perder argumentos.
Santos Silva: Seja democrata e sem provocação, sim?»
Fonte: Jornal i (14/5/09)

3. Vital Moreira nega ter dito que se estivesse no lugar de Lopes da Mota se demitiria
Vital Moreira, cabeça de lista do PS às eleições europeias, negou ter afirmado que se estivesse no lugar de Lopes da Mota, presidente do Eurojust, se demitiria.
"Não disse tal coisa e não vou dizer o que disse ontem”, afirmou Vital Moreira.
Ele não diz, mas dizemos nós o que ele disse:
“Se estivesse naquele lugar, mas não quero julgar ninguém, eu, porventura, pediria suspensão de funções enquanto o processo disciplinar decorresse”.
Fonte: Sítio do Público (14/5/09)

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Às quartas

Abat-jour

Você pergunta porque eu fico sem falar...
Porque este é o grande instante em que
existe o beijo e existe o olhar,
porque é noite... e esta noite eu gosto de você!
Chegue-se bem a mim. Eu preciso de beijos.
Ah! se você soubesse o que há, esta noite, em mim
de orgulhos, ambições, ternuras e desejos!...
Mas, não, você não sabe, e é bem melhor assim!
Abaixe um pouco mais o abat-jour! Está bem.
É na sombra que o coração fala e repousa:
tanto mais os olhos se vêem,
quanto menos se vêem as cousas...
Hoje eu amo demais para falar de amor.
Venha aqui, bem perto! Eu queria
ser hoje, seja como for,
aquele que se acaricia...
Abaixe ainda mais o abat-jour.
Vamos ficar sem dizer nada.
Eu quero sentir bem o gosto
das suas mãos sobre o meu rosto!...
Mas quem está aí? Ah! a criada
que traz o café... Não podia
deixar aí mesmo? Não importa!
Pode ir-se embora!... E feche a porta!...
Mas o que é mesmo que eu dizia?
Quer... agora o café? Se você preferir...
Já sei: você gosta bem quente.
Espere um pouco! Eu mesmo é que quero servir.
Está tão forte!... Assim? Mais açúcar? Somente?
Não quer que eu prove por
você?... Aqui está, minha adorada...
Mas que escuro! Não se enxerga nada...
Levante um pouco esse abat-jour.

Paul Géraldy
(Tradução de Guilherme de Almeida)

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Um caso exemplar

Há umas semanas, o primeiro-ministro e o ministro da Economia deslocaram-se, com pompa e circunstância (como é norma), à Póvoa do Varzim, para, perante as câmaras da televisão, tecerem rasgados elogios e darem como exemplo a seguir, no campo das energias renováveis, o produto que era fabricado pela empresa Energie: supostamente, painéis solares.
Muitas câmaras, muitas fotografias, muitos discursos, muitos «momentos históricos», «muitos recordes», muito Portugal à frente de tudo e de mais alguma coisa e patati, patatá. O costume.
Apesar de, na altura, vários especialistas na matéria terem denunciado que não se tratava de verdadeiros painéis solares, mas de bombas de calor abastecidas a electricidade, e apesar de estar a decorrer uma discussão nos órgãos europeus responsáveis pela certificação nesta área, o primeiro-ministro não resistiu, como nunca resiste, a fazer política-espectáculo e a dar como bom aquilo que, objectivamente, era duvidoso. Não resistiu a fazer propaganda, não resistiu ao facilitismo, não resistiu a ser leviano.
Agora, chegou a confirmação do que se previa: os equipamentos fabricados pela Energie, os tais painéis solares, afinal, não são painéis solares. Não vai haver certificação europeia para aqueles aparelhos. São bombas de calor e, por isso, não são considerados como pertencentes à família dos equipamentos de energia renovável.
E agora, sr. primeiro-ministro? E agora, sr. ministro da Economia? E agora? Nada, como é costume. Com a ligeireza e a irresponsabilidade habituais, nada de anormal se passou, nada de anormal se passará. A vida continua até à próxima inauguração, até à próxima festança.
Este é um exemplo da forma de fazer política do Governo de Sócrates, porque é assim na Economia, é assim na Educação, é assim na Agricultura, é assim nas Obras Públicas, etc. É assim que somos governados. Mas, para a opinião pública, o que ficou foram os flaches, os discursos, a pompa, o anúncio de mais uma coisa fantástica.
Que, agora, tenha ido tudo por água abaixo, já não interessa nada. Pois não, sr. primeiro-ministro? O povo rapidamente esquece, e mais uns milhões se hão-de arranjar para, amanhã, poder anunciar algo ainda mais surpreendente. E depois de amanhã também, e depois de depois de amanhã igualmente. Até Outubro...

Bonecos de palavra

Para ampliar, clicar em cima da imagem.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Notas do fim-de-semana

Títulos do Público (8/5/09):

Vital demarca-se de Pinho na polémica da "papa Maizena"

Vítimas de violação não apresentam queixa porque não acreditam no sistema judicial

Absolvidos sindicalistas da "manif" anti-Sócrates


Títulos do Sol (9/05/09):

Vital pavoneou-se no meio de pinguins; Seguro foi pinguim na terra dos pavões

Alegre ameaça afastar-se

Sócrates chamado a depor
- Acusada de corrupção no 'caso Cova da Beira' quer confrontar 1.º ministro com denúncias

Títulos do Público (9/05/09):

PS e PSD prontos para mudar lei do financiamento
- ainda não saiu do Parlamento e já admitem alterações à nova lei do financiamento político


Margem Esquerda passa a corrente de opinião no PS
- o PS está "governamentalizado" e é necessário mais debate interno


Pensionistas que não entregaram IRS em 2008 vão ser perdoados
[em 22 de Abril, no Parlamento, Sócrates tinha negado peremptoriamente essa possibilidade: «Não é momento para, por demagogia e eleitoralismo, sermos mais simpáticos. Não o faço (perdoar a multa) em nome da sensibilidade eleitoral. Não posso dar (...) nenhum sinal equívoco no que diz respeito ao cumprimento da lei. É preciso declarar e pagar impostos].

Domingo, 10 de Maio de 2009

Pensamentos de domingo

«Um especialista é um homem que fez todos os erros possíveis numa área muito restrita.»
Niels Bohr

«Acho que é preferível desapontar a Câmara com o seu silêncio do que com a sua palavra.»
(Para um novo membro da Câmara dos Comuns que lhe perguntou se devia participar nos debates).
Benjamin Disraeli

«O homem — um ser que Deus criou no fim de uma semana de trabalho, quando estava exausto.»
Mark Twain
In José Manuel Veiga, Manual para Cínicos.

Jordi Savall

Sábado, 9 de Maio de 2009

Ao sábado: momento quase filosófico


Acerca do Pragmatismo

«Para um pragmático epistemológico como o filósofo americano do século XIX, William James, a verdade de uma afirmação reside nas suas consequências práticas. Segundo James, nós escolhemos a nossa verdade pela diferença que ela fará na prática. Dizemos que a lei da gravidade de Newton é verdadeira, não porque corresponde à forma como as coisas «são verdadeiramente», mas porque se revelou útil na previsão do comportamento de dois objectos relativamente um ao outro sob muitas circunstâncias diferentes: "Hei, aposto que as maçãs cairiam até mesmo em Nova Jérsia." O dia em que uma teoria deixa de ser útil é o dia em que a substituiremos por outra.
Uma mulher comunica à polícia o desaparecimento do marido. Pedem-lhe uma descrição e ela diz:
- Tem um metro e noventa de altura, é bem constituído e tem cabelos grossos e encaracolados.
A amiga diz:
- Que estás tu a dizer? O teu marido tem um metro e sessenta e cinco de altura, é careca e tem uma barriga enorme.
- Quem quer esse de volta? - replica ela.»
Thomas Cathcart e Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar...

Reuniões sem ordem de trabalhos

Os presidentes dos conselhos executivos das escolas da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT) receberam, na quarta-feira, uma convocatória do Ministério da Educação para uma reunião a realizar 48 horas depois, isto é, ontem, sexta-feira. Para além da reunião ter sido marcada apenas com dois dias de antecedência, da convocatória não constava qualquer ordem de trabalhos. Contactada telefonicamente, a DRELVT informou que a reunião não tinha ordem de trabalhos, isto é, não tinha havido lapso na elaboração da convocatória. E mais nenhuma outra informação aí era prestada, para além do local e hora de início dos trabalhos.
Foi, por conseguinte, em condições de absoluta ignorância, e sem possibilidades de preparação prévia, que os presidentes dos conselhos executivos se dirigiram para uma reunião marcada pelo ME. Lá chegados, puderam verificar, com espanto, que a presidência do encontro seria assumida pela própria ministra da pasta.
E é assim que se trabalha no Ministério da Educação. Por outras palavras, estamos perante mais um exemplo da incompetência da ministra Maria de Lurdes Rodrigues e de mais uma manifestação de absoluta falta de respeito para com os professores convocados.